16 de março de 2026
REPRESENTANTE

Jundiaiense vai disputar o Campeonato Mundial de quebra-cabeça

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 4 min
ARQUIVO PESSOAL
Única jundiaiense na disputa, Beatriz se juntará a outros 16 brasileiros que irão embarcar no Mundial

A jundiaiense Beatriz Braun Costa, de 41 anos, irá representar o Brasil no Campeonato Mundial de Quebra-Cabeça, entre os dias 15 e 21 de setembro, em Valladolid, na Espanha. Essa será a primeira participação de Bia no World Jigsaw Puzzle Championship, que neste ano chega à sua quinta edição.

Única jundiaiense na disputa, Beatriz se juntará a outros 16 brasileiros que irão embarcar no Mundial. A puzzleira competirá nas três categorias disponíveis: individual, duplas e equipe, e terá pela frente outros 1.148 participantes de 67 países no total. A delegação com o maior número de competidores é a Alemanha, com 135.

COMO FUNCIONA?

Na categoria individual, cada participante precisa montar, sozinho, um quebra-cabeça de 500 peças em até 1h30. Nas duplas, os atletas terão 1h15 para concluir a montagem de 500 peças. E, na categoria de equipes, os quartetos terão três horas para montar dois puzzles de mil peças.

O Mundial conta com três etapas: 1ª rodada, semifinal e final. No primeiro desafio, os 1.148 participantes serão divididos em 200 grupos e avançam para a semi os 85 de cada grupo que completarem em menos tempo. Destes 540, 180 avançam para a final e apenas os três primeiros são premiados.

Bia irá embarcar para a Espanha no dia 13 de setembro e, antes de estrear na competição, terá um dia para treinar com seus companheiros de equipe. A jundiaiense vai com o objetivo de chegar à final em seu primeiro Mundial. “Nosso objetivo, como equipe, é conquistar vaga na final, mas também tenho a missão de passar da primeira fase na categoria individual. Se isso acontecer, já vou ficar muito feliz, e o que vier na sequência é lucro. Só com essa participação vamos garantir melhores posições no ranking brasileiro e mundial, além de privilégios para os próximos torneios”, disse a atleta.

A jundiaiense explica que o esporte requer concentração, memória e, dentro das competições, velocidade. “Na prova, cada atleta tem sua própria estratégia, e a concentração é indispensável. Tem pessoas que preferem começar pela borda, outras escolhem uma cor para seguir, ou seja, varia de cada um. Quando comecei a competir, eu tinha muita dificuldade com o barulho, não conseguia focar de jeito nenhum, e tive que aprender a lidar com isso. Foi então que passei a treinar em casa com a televisão ligada, para já ir me acostumando, e hoje em dia eu prefiro montar assim do que com silêncio (risos)”, explicou Bia.

COMPETIÇÕES

Bia chegou ao Mundial por meio de competições nacionais e treinos em que se destacou até ser chamada para integrar a equipe brasileira rumo à Espanha. “São várias competições e treinos, a maioria on-line e alguns presenciais, durante a temporada. Eu faço parte da Associação Brasileira de Quebra-Cabeça e a presidente, Edneia Silveira, faz uma espécie de “peneira” para ver quem está apto a participar do Mundial, de acordo com o tempo que cada um conclui as provas dentro destes treinos e competições”, explicou.

Em um destes treinos, Bia conseguiu concluir um puzzle de 500 peças em 48 minutos, o mesmo tempo que o atleta que terminou na 26º colocação do Mundial do ano passado.

“Em abril deste ano participei de um torneio em que fiquei 8 horas montando quebra-cabeças. Eu e minha equipe terminamos em 5º lugar”, comentou.

Ainda que pouco conhecido e divulgado no Brasil, os campeonatos de quebra-cabeça estão atraindo cada vez mais interessados. Na Europa, por exemplo, os torneios já viraram febre. “Aqui no Brasil ainda está bem ‘cru’, pois é pouco divulgado, o que acaba dificultando o acesso de novos participantes, enquanto na Europa já é um sucesso absoluto e os torneios estão cada vez maiores, tanto que muitos atletas de lá que participam desse mundial já conseguem viver só disso, pois as competições pagam muito bem”, destacou a jundiaiense.

Bia também ressaltou que o alto custo das competições presenciais, principalmente o Mundial, já afastam muitos participantes. “É tudo do nosso próprio bolso, porque ainda não conseguimos atingir patrocinadores. A primeira coisa que a presidente da Associação pergunta para quem demonstra interesse em competir no Mundial é se a pessoa tem como bancar tudo. E nessa, metade já cai fora”, lamentou a atleta.

TRAJETÓRIA

Beatriz sempre gostou de quebra-cabeças, mas ela mergulhou de vez no mundo dos puzzles após passar por problemas médicos. A jundiaiense superou quatro AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e encontrou nos quebra-cabeças uma maneira de diminuir as sequelas da doença. “O quebra-cabeça entrou na minha vida de vez por causa da doença. Quando fui ao neurologista, ele disse que eu precisava fazer algo que conseguisse ativar minha memória, pois tinha sido muito afetada, e assim eu descobri uma paixão”, disse a jundiaiense.

“No início era só um passatempo mesmo, até que, em 2024, meu marido comentou sobre as competições e me incentivou a participar. Eu gostei da ideia e entrei em contato com o pessoal da associação, passei a fazer parte do calendário de eventos e competições e neste ano fui convidada para o Mundial”, contou.

Além da rotina de treinos e competições, a jundiaiense concilia a vida de atleta com o trabalho como diretora financeira e a maternidade. “Não é fácil, porque acabo tendo pouco tempo para treinar pela correria do dia a dia no trabalho e com meu filho”, completou Bia.

Além do Mundial, Bia já tem outros dois campeonatos marcados: o Brasileiro, em outubro, que será em São Paulo, e o Internacional, em janeiro, na Colômbia.