O delegado plantonista de Jundiaí, Rodrigo Carvalhaes, oficiou o Ministério Público (MP), neste domingo (20), para que cobre explicações do Conselho Tutelar, de Jundiaí, sobre a recusa de uma conselheira em comparecer à delegacia, para um chamado relacionado a uma denúncia grave de violência física e psicológica, de duas adolescentes, contra a própria mãe. No Boletim de Ocorrência do caso, apresentado pela Polícia Militar, Carvalhaes diz que a conselheira se limitou apenas a pedir os telefones da mãe e do padrasto das meninas, mesmo diante da gravidade da situação. Para o delegado, ela deveria ter ido ao DP para apurar melhor e, inclusive, agir em favor das vítimas. No documento Carvalhaes oficia também o Conselho Tutelar sobre a conduta da conselheira.
No BO, a autoridade policial registrou que "foi solicitada a presença da conselheira (o nome não será divulgado), porém a mesma não compareceu a este plantão para acompanhamento da ocorrência, pedindo os numerais telefônicos da genitora das menores e do padrasto, 'resolvendo' tudo por telefone", diz o documento, que é concluído com o despacho do delegado, que optou por entregar as jovens para a mãe, uma vez que as acusações merecem uma investigação mais aprofundada. "Considerando que a alegação de maus-tratos não está, nesse momento, comprovada, inclusive as crianças não apresentam nenhum sinal de negligência ou lesão física, e por isso determino a entrega imediata delas à genitora. De qualquer modo, os fatos narrados são, em tese, potencialmente graves, razão pela qual determino a expedição de ofício ao Conselho Tutelar de Jundiaí e comunicação ao MP, para que a conselheira esclareça o motivo pelo qual, mesmo diante da determinação desta autoridade policial, negou-se injustificadamente a comparecer pessoalmente na delegacia de polícia para melhor apuração dos fatos".
PROCURADO
O Conselho Tutelar de Jundiaí foi procurado através de e-mails encaminhados pela reportagem para suas três unidades, visto que não foi possível apurar a qual delas pertence a área de moradia das adolescentes. As solicitações de posicionamento foram encaminhadas pela manhã (desta segunda-feira), com horário determinado para resposta, às 16 horas. A reportagem, contudo, não obteve retorno, de modo que continua no aguardo, caso a entidade queira ainda se manifestar.
ENTENDA O CASO
Duas adolescentes de 14 anos denunciaram a mãe por maus-tratos, em Jundiaí, neste domingo (20), ao serem encontradas por ela, após dois dias fora de casa. As jovens estavam sendo acolhidas na casa da avó de uma amiga de escola, e disseram que não queriam retornar ao convívio do lar. Uma delas, inclusive, apresentou uma cicatriz no ombro, alegando que a mãe havia lhe dado uma facada.
A Polícia Militar foi acionada no início da tarde, para atender a uma ocorrência de localização de pessoa, no Jardim Tamoio, em Jundiaí. No local, os PMs fizeram contato com a mãe e padrasto de duas adolescentes, que também estavam presentes.
A mãe contou que as filhas saíram de casa na sexta-feira (18) e não voltaram mais - durante esses dois dias, inclusive, ela registrou dois boletins de ocorrência de desaparecimento das meninas.
Para tentar descobrir o paradeiros das filhas, a mãe chegou a uma conversa de WhatsApp, que mostrava que elas estavam na casa de uma amiga, no Tamoio. Os pais, então, foram até a casa da amiga, onde encontraram as filhas.
Os PMs conversaram com as adolescentes, que manifestaram desejo de não retornar ao convívio do lar, alegando que a mãe é muito violenta, e que sofrem descaso por parte dela. Uma delas apresentou uma cicatriz no ombro, de ferimento pretérito, alegando que havia sido causado pela mãe, com uma facada.
Diante da situação, os policiais conduziram as partes para o Plantão Policial, onde o delegado Rodrigo Carvalhaes entendeu a gravidade das denúncias, mas optou por entregá-las de volta a mãe, inclusive por conta da ausência da conselheira tutelar.