A Prefeitura de Jundiaí aderiu ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal, iniciativa do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para a retomada de índices seguros e homogêneos de cobertura vacinal no país. O termo de adesão foi assinado pelo prefeito Luiz Fernando Machado, nesta quarta-feira (22), em solenidade no auditório da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), com a presença do presidente da Comissão de Saúde e Conselheiro Nacional do Ministério Público, promotor de Justiça Jayme Martins de Oliveira, de representantes dos sete Municípios da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) e de Itatiba, e do vereador Edicarlos Vieira, membro da Comissão de Saúde, Assistência Social e Previdência da Câmara Municipal.
Segundo o prefeito, a vacinação não pode ser um debate "ideológico" em uma sociedade, uma vez que a vacina não deveria ser questionada pelas pessoas. "O sarampo, por exemplo, estava erradicado e está voltando por falta não de vacina, mas de interesse por vacinar. O município e toda a região se unem a esse projeto de conscientização para reverter esse cenário preocupante", ressaltou.
Jayme Martins de Oliveira elogiou a iniciativa, que diz ser a primeira do tipo no Brasil. "Essa união ajuda muito porque cria mais mobilizações para aumentar a cobertura vacinal. Saúde é um dos principais temas que une os brasileiros, e com ela pretendemos alcançar índices seguros, já que o país tem uma história extraordinária na saúde pública."
RESISTÊNCIA
Dados do Ministério da Saúde apontam que, desde 2015, o país vem registrando quedas na cobertura vacinal de imunizantes que são usados há décadas, como a rubéola, a coqueluche e a difteria. Neste ano, a vacinação infantil em geral não chega 50% na maioria dos casos, bem abaixo da meta preconizada, de 95% do público-alvo. Uma das preocupações é com a paralisia infantil (poliomielite), que está erradicada, mas com risco de ser reintroduzida no Brasil, como ocorreu em países como os Estados Unidos e Israel.
Em Jundiaí, em 2022, das vacinas para menores de um ano de idade, com exceção da BCG, que é aplicada nas maternidades da cidade, nenhuma atingiu o patamar preconizado. No caso das imunizações destinadas à maiores de um ano, nenhuma chegou ao índice ideal. Apenas na população de 4 anos, as coberturas foram alcançadas, com exceção da vacina varicela que ficou com 83,35%. Neste ano, apenas a BCG está com a cobertura ideal.
Para o gestor de Saúde de Jundiaí, Tiago Texera, a baixa procura se deve, entre outros fatores, a uma falsa sensação de que as doenças foram combatidas por completo. "As pessoas acham que, como não se fala mais tanto dessas doenças, elas não existem mais, como a própria Covid-19, que ainda mata. Queremos incentivar que as famílias não deixem de levar seus filhos para vacinar, porque isso salva vidas", afirmou.