Um homem ainda não identificado foi morto com seis tiros por policiais militares do 49º Batalhão nos fundos de uma casa na rua Joaquim Nabuco, na Ponte São João, em Jundiaí, na madrugada desta quinta-feira (12). De acordo com os policiais, os tiros foram disparados em legítima defesa, uma vez que o homem os atacou armado com um facão, após um longo período de tratativas por sua rendição - ele havia invadido casas e comércios, para furtar, e estava se escondendo sobre o telhado.
Era fim de noite de quarta-feira, quando a Polícia Militar foi acionada via 190 para atender a uma ocorrência de furto em andamento em uma residência. Duas equipes foram enviadas para o local e, ao chegaram, da rua os policiais tentavam procurá-lo sobre os telhados, até visualizá-lo e darem ordem para se entregar - o repórter do Jornal de Jundiaí, que por acaso estava nas proximidades, passou a acompanhar todo o desenrolar da ocorrência, a partir deste momento, com registros em vídeos e fotos.
Teve início então uma negociação para sua rendição, uma vez que ele se recusava a descer. O suspeito se sentou sobre uma caixa d'água, enquanto um policial subiu no muro de uma casa, com um farolete, passando a conversar com ele. Na calçada, outro PM foi recebido por uma família em uma casa, ao lado do imóvel onde estava o suspeito. Eles permitiram que o agente entrasse na residência e acessasse o piso superior, chegando próximo ao rapaz. Foi então que ele, de cima do telhado de uma escola particular, correu para o telhado de um salão de estética. Outras viaturas chegaram e um cerco foi realizado, com mais PMs entrando no local e também escalando muros.
Ao se sentir ainda mais acuado, ele pulou para o telhado de uma igreja evangélica, mais alto do que os outros, e a negociação passou a ficar mais tensa. Foi possível ouvir: "eu me entrego só depois de ligarem para a minha mãe. Ligue para ela que eu me entrego. O número é...". O PM, por sua vez, conversou: "tudo bem, vamos ligar, mas você precisa descer. Vamos te ajudar, mas você precisa descer".
Também durante as tratativas, o suspeito passou a lamentar sobre sua vida. "eu não faço mal a ninguém, não quero ser preso". Os PMs, por sua vez, seguiam tentando convencê-lo a se entregar, inclusive o chamando por um nome que ele havia fornecido cerca de três horas antes, ao ser abordado no estacionamento de um supermercado no bairro, por estar importunando o sossego dos clientes do local.
Após pouco mais de meia hora de conversas, ele decidiu se entregar, passando novamente de um telhado para outro, até chegar no muro de uma casa, onde estavam os PMs.
RELATO DOS PMs
A partir deste ponto, a mecânica de como tudo aconteceu é com base em entrevistas e também no relato passo a passo dos PMs feito ao delegado Rodrigo Carvalhaes, que esteve no local. A reportagem também entrou na casa, junto com a autoridade policial, PMs e perícia técnica. Os militares contaram que, uma vez no muro, o rapaz disse: "Já que vocês vão me ajudar, eu desço. Mas meu nome não é esse que passei para você anteriormente, Meu nome é outro e eu sou procurado da Justiça, fugi de vocês porque estou foragido há 20 dias".
Segue o relato do policial: "aí ele desceu, caindo no jardim, ao lado de várias ferramentas. Estava bastante escuro, mal dava para vê-lo quando ele desceu, mesmo usando uma lanterna" - nesse momento do relato, as luzes foram apagadas para que o delegado sentisse uma proximidade maior com a realidade da situação na hora do ocorrido.
Os policiais então deram alguns passos para trás, pedindo que ele viesse ao encontro, de forma lenta. "Quando ele chegou perto, se abaixou, ficando de cócoras, e do nada levantou com um facão na mão. Não conseguimos ver se ele pegou o facão quando desceu do muro, onde haviam ferramentas de jardim, ou quando se abaixou perto da gente", disse um dos PMs. "Foi então que ele veio para cima de mim com o facão. Eu ergui o braço esquerdo para não ser atingido na região da cabeça e ele acertou meu braço. Com a mão direita e por baixo efetuei três disparos, ao passo que meu parceiro também efetuou três disparos. Ele não caiu de primeira, apenas colocou as mãos na região da barriga, por reação à dor, deu mais dois passos, e então caiu".
Depois de desarmá-lo, o PM saiu para pedir socorro de uma ambulância - a partir deste ponto, a reportagem do JJ novamente acompanhou e registrou a situação. Cerca de um minuto após os disparos, um dos PMs sai da casa correndo e vai até a viatura solicitar socorro. Em seguida, começaram a chegar mais viaturas no apoio, inclusive representantes do Comando de Policiamento do Interior (CPI-2), de Campinas.
Algum tempo depois uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local, assim como também de resgate do Copo de Bombeiros, e então o óbito foi constatado.
A Polícia Científica realizou os trabalhos de praxe, recolhendo os seis cartuchos das duas pistolas .40 - as armas foram apreendidas para trabalho de perícia.
Não havia documentos junto a corpo, motivo pelo qual não foi possível identificar o rapaz, neste primeiro momento.