10 de julho de 2026
OFENSAS

Discurso de ódio não abala sucesso da Copa Feminina

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 3 min
Thais Magalhães/CBF
As jogadoras dão a resposta em campo e estão ganhando cada vez mais visibilidade durante a Copa

A Copa do Mundo Feminina vem quebrando recordes atrás de recordes. Superando índices de audiência, lotando estádios e dando mais visibilidade às jogadoras. Porém, todo esse sucesso vem incomodando algumas pessoas e gerando comentários ofensivos em publicações nas redes sociais e transmissões dos jogos.

Comentários como "elas deveriam estar lavando a louça e não jogando futebol" ou "se futebol feminino continuasse proibido seria melhor para todos", por mais odiosos que sejam, não abala - e muito menos ofusca - o sucesso da Copa do Mundo Feminina.

Durante a abertura da Copa, a CazéTV precisou desativar o chat do canal no YouTube devido a comentários preconceituosos e machistas de usuários. Segundo o canal, "algumas pessoas estavam aproveitando a oportunidade de visibilidade para destilar preconceitos inaceitáveis".

REFLEXO DA SOCIEDADE

De acordo com a psicóloga Juliana Camilo, esse discurso de ódio destilado nas redes sociais tem a intenção de inferiorizar e atacar mulheres do meio futebolístico. "São comentários agressivos com a intenção de desmotivar e desvalorizar mulheres que vivem do futebol, sejam jogadoras, árbitras, narradoras e até torcedoras. São palavras ofensivas e pode se enquadrar em violência psicológica, porque afeta e inferioriza essas mulheres. É desconfortável e muito desgastante suportar tudo isso", explicou a profissional.

Essa enxurrada de comentários preconceituosos reflete o que acontece na nossa sociedade. "O que pode explicar esse discurso de ódio é o machismo. É uma cultura presente desde sempre na sociedade e as pessoas estão aproveitando toda visibilidade e proporção que a Copa do Mundo está tomando para destilar ofensas para chamar atenção. O futebol sempre foi entendido como um esporte para homens e quando essas pessoas [que comentam frases preconceituosas] veem mulheres ocupando esses espaços se sentem ameaçadas e querem atacá-las", diz Juliana.

Para a torcedora Mariele Oliveira, esses comentários não afetam em nada a alegria em assistir uma Copa do Mundo Feminina na TV aberta e com tanta visibilidade. "Tem muito ódio desnecessário sendo destilado contra as jogadoras e em quem assiste a Copa Feminina. Não faz nem cócegas (risos), só dá mais motivação para nós, mulheres, continuarmos lutando por mais valorização do futebol feminino", comemora Mariele.

NINGUÉM LIGA?

Enquanto nas redes sociais há enxurradas de frases preconceituosas, a Copa do Mundo segue fazendo história e as jogadoras dão a resposta em campo.

Na estreia da seleção brasileira, a CazéTV bateu o recorde mundial de audiência simultânea de uma transmissão de futebol feminino no YouTube, na vitória das brasileiras por 4 a 0 sobre o Panamá.

E não foi apenas na internet que as transmissões da Copa têm se destacado. O jogo entre Nigéria e Canadá levou o Sportv à liderança da TV paga e aumentou a média de audiência da faixa em 400% em comparação com as quatro semanas anteriores.

Na TV Globo, Brasil x Panamá teve recorde de audiência no horário (8h01 às 9h57) desde agosto de 2008.

Nos estádios, as partidas registram recordes de público. O jogo entre Austrália e Irlanda contou com mais de 75 mil torcedores presentes no Stadium Australia. O público foi o maior de um jogo de futebol feminino no país.