11 de julho de 2026
CATEGORIA PCD

Capoeiristas da região vão competir em torneio internacional

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 3 min
ARQUIVO PESSOAL
Além da categoria PCD, haverá disputas de cinturão masculino e feminino, jogos casados, desafio internacional, e premiação inédita de R$ 50 mil

Os capoeiristas Ivan França, de 43 anos anos, e Emanoel Oliveira, de 39, moradores de Jundiaí e Campo Limpo Paulista, respectivamente, irão representar a região no torneio Volta ao Mundo Bambas, que reúne lutadores do mundo todo, dia 22 de julho, no Rio de Janeiro. Os atletas competirão na categoria PCD (Pessoa Com Deficiência) pela primeira vez na carreira.

Os lutadores comemoraram a oportunidade de competir, pela primeira vez, na categoria PCD. De acordo com o capoeirista Emanoel Oliveira, o 'Neko', seu maior objetivo na competição é trazer mais visibilidade para capoeiristas PCD e promover a categoria. "Luto desde os 14 anos e essa será a primeira vez que vou competir como PCD. Estou treinando forte, me preparando para o desafio, e na expectativa de conquistar o título. Espero que seja um grande show", disse.

Neko é portador de deficiência no antebraço e nasceu sem a mão direita. A capoeira o ajudou a superar os preconceitos e a quebrar suas limitações. "A capoeira ajudou na minha autoaceitação, quebrando preconceitos comigo mesmo e aumentando minha autoestima. Até começar a treinar na adolescência eu só andava com o braço no bolso, escondendo minha deficiência", explicou.

Ao longo dos anos, Neko foi superando seus limites e evoluindo na modalidade. Ele foi vice-campeão em duas edições dos Jogos Regionais por Campo Limpo Paulista, sem categoria especial, e se tornou corda marrom. "No início eu me sentia inferior aos lutadores que não são portadores de deficiências, achava que nunca ia conseguir fazer os mesmos movimentos, mas ao longo do tempo fui desenvolvendo minhas habilidades e cheguei ao mesmo patamar".

SUPERAÇÃO

Assim como Emanoel, o capoeirista Ivan França, de 43 anos, também vai competir no Rio de Janeiro, representando Jundiaí. O atleta treina desde os 17 anos e a modalidade deixou de ser um hobby para se tornar rotina de treinamentos e competições. "Antes de começar a lutar eu era jogador de futebol profissional. Um dia vi uma apresentação de capoeira e imediatamente me matriculei e comecei a treinar", contou França.

Em 2004, o atleta sofreu um acidente de trânsito e perdeu uma das pernas, e precisou se afastar das rodas de capoeira. "Minha vida mudou completamente. Foi uma longa recuperação, mas sempre coloquei na minha cabeça que meu maior objetivo era voltar a treinar capoeira. Coloquei uma prótese e fui voltando aos poucos. A capoeira foi minha maior motivação para superar esse trauma e hoje conto minha história para motivar outras pessoas", disse o lutador.

No torneio internacional, o jundiaiense já sonha com o título e revela que vem se preparando há meses. "Será um evento difícil, com adversários do mundo inteiro competindo pelo título. Estou confiante e me preparando para chegar lá e representar Jundiaí da melhor forma. O objetivo é voltar com o troféu."

A COMPETIÇÃO

Além da categoria PCD, haverá disputas de cinturão masculino e feminino, jogos casados, desafio internacional, e premiação inédita de R$ 50 mil. "O objetivo sempre foi levar a capoeira para a prateleira mais alta no cenário das lutas de alta performance, reforçando no capoeirista em geral o prazer de praticar um esporte respeitado por todos. Estamos confiantes de que demos um enorme passo nessa direção", comemorou Saverio Scarpati, diretor-executivo do torneio.