O Plantão Policial de Jundiaí registrou neste fim de semana mais um possível caso de racismo na cidade, o terceiro em apenas 16 dias, justamente e um mês em que são intensificadas as discussões de combate a esse tipo de crime, em alusão ao Dia da Consciência Negra - 20 de Novembro. Desta vez a vítima é um rapaz preto, de 21 anos, que acusa um homem de 52 anos de injúria racial. O suspeito do crime, ao ser detido por guardas municipais, no terminal de ônibus do bairro Eloy Chaves, confessou ter tratado o denunciante de forma preconceituosa e emendou: "não gosto dessa raça". Na delegacia ele foi preso em flagrante.
O caso aconteceu na tarde de domingo (27), quando a Guarda Municipal foi acionada por funcionários e usuários do transporte público, para atender a um caso de injúria racial no terminal. A denúncia era de que um homem estava proferindo ofensas racistas contra o rapaz, por conta de sua cor de pele, e também xingamentos de cunho sexual contra uma mulher. No local, as vítimas relataram sobre as ofensas que sofreram (não são mencionadas no Boletim de Ocorrência), sendo que outras pessoas presentes confirmaram os relatos aos guardas.
O suspeito foi abordado e, questionado sobre as acusações, disse que realmente "não gosta dessa raça", se referindo à cor de pele da vítima.
Detido e conduzido ao Plantão Policial, ele foi ouvido e teve determinada sua prisão em flagrante, sendo encaminhado ao Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista.
Já a vítima, que compareceu ao Plantão, retificou as acusações e foi orientado quanto ao prazo de seis meses para processar o indiciado - a mulher, vítima de palavras ofensivas de cunho sexual, não formalizou queixa no DP.
OUTROS CASOS
Policiais do 3º DP de Jundiaí vão investigar um possível caso de racismo sofrido por uma criança de 5 anos, ocorrido em um estabelecimento comercial no Jardim Shangai, em Jundiaí, no fim da tarde do dia 20 (domingo). De acordo com a denúncia, feita pela mãe do menino (de 41 anos), no Plantão Policial, o proprietário do comércio chamou seu filho de 'macaco'.
De acordo com informações do Boletim de Ocorrência, a vítima estava com sua família no estabelecimento comercial, quando, por razões ainda a serem investigadas, o proprietário passou a chamá-la de macaco, na frente de várias pessoas. Estas mesmas pessoas, de acordo com a mãe da criança, ao presenciarem a situação, debocharam do menino por ele ter sido chamado de macaco.
Ainda segundo ela, no local existem câmeras de monitoramento, que registraram toda a situação.
EM UM HOTEL
Em outro caso, no dia 13 deste mês, uma auxiliar de limpeza, de 55 anos, procurou a Polícia Civil para denunciar uma hóspede do hotel em que ela trabalha, na zona Oeste da cidade, por tê-la chamado de 'neguinha' e a tratado com indiferença.
A vítima esteve no Plantão Policial informando que estava em horário de serviço, fazendo limpeza na área da piscina, onde havia alguns hóspedes usando a área de lazer. Porém, como havia muita sujeira e líquido espalhados pelo chão, ao lado da churrasqueira, colocando em risco a integridade física das pessoas, que poderiam escorregar, ela solicitou que os hospedes retirassem pertences do local, inclusive de cima da bancada, para que ela pudesse limpar.
Ainda de acordo com seu depoimento, uma mulher (de 54 anos), num primeiro momento, tratou seu pedido em tom de brincadeira, dizendo que não iria recolher os pertences. Pouco depois, porém, voltou atrás e disse que iria retirar seus objetos e, "em tom de deboche e sarcasmo", afirmou que não os colocaria no local novamente. Em seguida, esta mesma mulher se dirigiu à vítima dizendo, com separação de sílaba, a palavra: "ne-gui-nha". Após isso, teria tentado minimizar a situação, alegando: "tô te zoando".
A vítima concluiu seu trabalho e relatou a situação à sua supervisora, que acionou a Polícia Militar. PMs foram ao local e questionaram a suspeita, que alegou que falou em tom de brincadeira, justificando que esta é uma forma de falar em sua cidade na baixada santista - ela foi qualificada pelos PMs para registro de ocorrência interna. A vítima, por sua vez, resolveu procurar também a delegacia.
O caso ficou a cargo do 2º DP.