11 de julho de 2026
CONQUISTAS

Jundiaienses mostram serviço e fazem história no Palmeiras

Por Lucas Hideo |
| Tempo de leitura: 6 min
Staff Images Woman - CONMEBOL
William e Carlos trabalharam nas categorias de base do Paulista

Empilhando títulos nos últimos anos, a Sociedade Esportiva Palmeiras conquistou mais um feito histórico no dia 28 de setembro de 2022, no estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, quando a equipe feminina bateu o Boca Jrs por 4 a 1, levantando o título da Copa Libertadores, em sua primeira participação na história da competição desde que ela foi criada, em 2009.

O Brasil é predominante na competição. De 14 edições, 11 foram conquistadas por clubes brasileiros: Santos (2009 e 2010); São José-SP (2011, 2013 e 2014); Ferroviária-SP (2015 e 2020); Corinthians (2017, 2019 e 2021); Palmeiras (2022).

Além de golear um grande rival continental, o Verdão foi campeão invicto e com 100% de aproveitamento. Terminou a primeira fase na liderança do Grupo C, depois de vencer o Sportivo Limpeño (Paraguai) por 3 a 0; o Independiente del Valle (Equador) por 7 a 0; e o Universidad de Chile por 2 a 1. Nas quartas, bateu o Santiago Morning (Chile) por 2 a 1; na semifinal eliminou o América de Cali (Colômbia) por 1 a 0. E, na final, com gols de Ary Borges, Byanca Brasil, Poliana e Bia Zaneratto, levantou o caneco inédito.

Na delegação palestrina que ficará marcada no clube, há dois jundiaienses que fazem parte da comissão técnica do treinador Ricardo Belli, que também tem sua história em Jundiaí quando treinou o sub-20 do Paulista, são eles: o preparador de goleiras Carlos Alberto de Souza Lima e o preparador físico William Bitencourt.

CARLOS

Nascido em Itu, mas morador de Jundiaí desde seus 3 meses de idade, Carlos Alberto Lima, de 50 anos, é formado em Educação Física pela ESEF, na primeira turma do curso de quatro anos. "Quando estava na faculdade, já pensava em trabalhar com futebol, pois minha intensão era ser jogador, mas não consegui. Então, tinha em mente em ser preparador físico ou treinador, não havia pensado sobre ser preparador de goleiros na época", completa.

Durante o final da sua formação, em 1993, Lima aceitou uma oportunidade como professor no Sesi, onde já trabalhava como salva-vidas. Na escola, conheceu o professor Armando Bracalli, pai do goleiro Rafael Bracalli, campeão da Copa do Brasil de 2005 com o Paulista. "O Armando era o preparador de goleiros do Galo na época e, nós dois trabalhávamos em meio período no Sesi, eu de tarde e ele de manhã. Mas como o Paulista treinava em dois períodos, o Bracalli me pediu para cobrir os treinos no contra-turno. Fiquei receoso com a proposta pois minha aptidão era na linha. Ele foi comigo no primeiro treino, depois fui indo sozinho e acabei pegando gosto", conta.

Os diversos esportes com que Lima trabalhou no Sesi o ajudaram a ter uma ótima base para utilizar nos treinos com os goleiros. "Em 1998 fui convidado pelo Paulista para ser auxiliar de preparador físico e de preparador de goleiros oficial do clube. Depois de um tempo, acabei ficando bem desgastado da rotina e o gerente de futebol da época pediu para que eu decidisse o que queria fazer, pois eles estavam direcionando todo mundo. Então, resolvi ser preparador de goleiros de vez, onde fiquei por quase 10 anos treinando três categorias de base, sub-20, sub-17, sub-15, além do profissional. E foi aí que passaram pelas minhas mãos atletas como o Artur Moraes, Rafael Bracalli, Felipe Alves (São Paulo), Vagner Brandalise (Chapecoense), Victor (Atlético-MG), entre outros", afirma.

Em 2017, devido a crise financeira do Paulista, Lima procurou outras formas de renda e voltou a dar aulas. "No final de 2020, o Galo me chamou de volta para a reta final da Série A3, quando brigava para não cair, mas, infelizmente não conseguimos. O último jogo foi contra Rio Claro, em um sábado e, no domingo, o Palmeiras me ligou".

Segundo Lima, entre tantos profissionais que passaram por sua vida, alguns já estavam no Palmeiras e já haviam feito uma proposta para ser o preparador de goleiras da equipe alviverde. "No começo eu relutei, pois queria gastar minhas últimas fichas no masculino. Porém, como estava no meio da pandemia, resolvi aceitar. E foi tudo bem rápido, pois estávamos nas vésperas da semifinal do Campeonato Brasileiro, contra o Corinthians. No que eu fui, o pessoal pegou carisma comigo e acabei sendo contratado".

Hoje, Lima é treinador das goleiras Amanda, Jully e Awanny, que já estão eternizadas na história do clube. "Tenho um perfil diferente da maioria dos preparadores de goleiros, sou mais calmo e tranquilo, e acho que as goleiras precisam disso também, dessa serenidade. Pois nos momentos de pressão e tensão, é preciso ter a cabeça no lugar. Além disso, a nossa relação é muito, elas me veem como um 'paizão' mesmo, todas tem idade para serem minhas filhas e a Alwanny tem a idade da minha filha mais velha inclusive, então, a gente sempre se protege e cuida um do outro", ressalta.

WILLIAM 

Nascido e criado em Jundiaí, William Bitencourt, de 36 anos, tem duas formações: educação física na ESEF e fisioterapia na UniAnchieta. "Quando eu entrei na primeira faculdade, eu já trabalha na área de preparação física, numa equipe de empresários de Valinhos. Como eu tentei ser jogador, rodei por vários lugares e conheci muita gente do meio. Mas depois eu entendi que com a cabeça iria mais longe do que com os pés", pontua.

Depois de Valinhos, Bitencourt trabalhou no Primavera de Indaiatuba e depois voltou a Jundiaí para trabalhar com a equipe de futsal do Uirapuru. "Isso durante minha primeira graduação, onde tentava conciliar tudo. Tive duas passagens no Uirapuru e no meio disso, fui para Portugal, na cidade de Marinha Grande, para trabalhar com o time de futebol de lá", afirma.

Bitencourt chegou a ficar um tempo fora do futebol, pois estava dedicado ao seu outro trabalho, na seleção brasileira feminina de futsal para surdas, disputando o Mundial e as Olimpíadas de Surdos, na Turquia, em 2017.

Passando por diversos outros clubes do interior paulista, como o União Barbarense, de Santa Bárbara d'Oeste, o jundiaiense ainda teve passagens pelo Paulista e até internacionalmente, trabalhando em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, quando foi convidado pelo Palmeiras, em 2019.

"Trabalhei com o Ricardo Belli em Portugal, e fui eu quem o indicou ao Paulista. Então, assim que ele assumiu o sub-18 masculino do Palmeiras, que foi a porta de entrada, ele que me indicou. O trabalho com a base foi rápido e logo em seguida assumimos o profissional feminino", completa.

Bitencourt também chegou a treinar as equipes sub-16 masculino e feminino, enquanto conciliava com o profissional. "Para mim foi uma grande novidade trabalhar com o feminino diariamente, pois minha passagem com a seleção de surdos era algo sazonal. O futebol feminino tem suas particularidades, que não dá para comparar com o masculino. Além disso, também senti que as atletas tem uma dedicação muito maior nos treinos".

Agora, o preparador físico está na história do clube que ama. "Sou palmeirense, sempre fui de ir no estádio, então, essa conquista da Libertadores foi duplamente prazeroso para mim. É o título mais importante que conquistei na minha carreira até o momento. Nunca imaginei que estaria vivendo isso, é algo sem explicação, trabalhar aqui é diferente", ressalta.