O corregedor nacional de Justiça, Luís Felipe Salomão, assinou regra proibindo juízes de publicarem nas redes sociais manifestações contra o sistema eleitoral brasileiro.
Pelo texto, ficam vedadas aos magistrados "manifestações públicas, especialmente em redes sociais ou na mídia" que contribuam para - ou que gerem - infundada desconfiança social acerca da Justiça, segurança e transparência das eleições".
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também determinou que os juízes ajustem até 20 de setembro as suas redes sociais e outros registros pessoais ou profissionais.
A regra impede que o juiz faça a "associação de sua imagem pessoal ou profissional" a pessoas públicas, empresas, organizações e qualquer canal de comunicação que atue pela "deterioração da credibilidade dos sistemas judicial e eleitoral brasileiro" ou que "fomentem a desconfiança social acerca da Justiça, segurança e transparência das eleições".
O texto (provimento número 135/2022) foi divulgado após o CNJ firmar um termo de cooperação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para prevenir e reprimir condutas que causem perturbação às eleições.
A Corregedoria fiscaliza a atividade dos juízes e pode aplicar sanções que vão desde advertência à demissão.
A regra estabeleceu ainda "diretrizes sobre condutas e procedimentos dos magistrados e tribunais no período eleitoral e posteriormente a ele".
O texto também determinou que inquéritos policiais e ações penais por crimes de violência político-partidária devem ter tramitação prioritária.
O CNJ cita como fatores para endurecer a vigilância sobre os juízes a"escalada da intolerância ideológica e de atos violentos com motivação político-partidária", além da "singularidade do atual cenário político-democrático". O texto afirma que este cenário "exige pleno alinhamento e união de esforços entre magistrados".
SEM SEGREDO
O TSE tem feito uma série de acordos para evitar a violência política durante as eleições e os questionamentos às urnas.
Na tarde de sexta-feira (2), o tribunal encerrou a assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais, em cerimônia acompanhada por militares, partidos políticos, Forças Armadas, entre outras instituições. "Não há nada, absolutamente nada de secreto na Justiça Eleitoral. A única coisa secreta e sigilosa é o voto do eleitor, que a Justiça Eleitoral garante que isso ocorrerá", disse no evento o presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
Folhapress