O Ceilão é o antigo nome do Sri Lanka, ilha localizada no sul da Ásia. Até o final do século XVI, suas margens eram cobertas por caneleiras, a árvore de onde se extrai a casca da canela, há séculos usada como condimento e aromatizante. Numa carta datada de 1658, um capitão holandês da Companhia das Ilhas Orientais, que conquistara aos portugueses o direito de explorar algumas rotas comerciais, diz que era tal a quantidade e qualidade das caneleiras no litoral do Ceilão, que seria posssível, segundo a direção dos ventos, sentir o perfume delas mesmo estando a oito léguas da costa.
Até hoje o Sri Lanka é o maior exportador do mundo deste produto cujo quilo chegou a valer 10 gramas de ouro no século das grandes conquistas marítimas. Quando a conservação de alimentos representava um desafio, principalmente nas naus desbravadoras dos portugueses que cortavam os mares por meses a fio, a canela tinha lugar de honra no panteão das especiarias. Ela camuflava o cheiro desagradável e disfarçava o gosto rançoso dos alimentos que deveriam abastecer a tripulação por um tempo indeterminado. Também são conhecidos pelas suas qualidades os méis da invejável flora do Ceilão. Com mel e canela, elementos presentes em textos religiosos muito antigos, os asiáticos fazem até hoje remédios simples para curar uma série de doenças, desde as respiratórias e cardíacas até as de pele e do aparelho digestivo. Criam também pratos de sabor delicado,cujo perfume encanta os ocidentais. É o caso deste pudim, consumido especialmente naquela região do mundo pelas mulheres que acabam de dar à luz, de onde deduzo poder chamá-lo Pudim de Parida, como o fazem os portugueses às rabanadas, lusitanamente apelidadas Fatias de Parida. Tanto um quanto outra levam canela e ovos na sua elaboração, o que deve servir de alguma orientação para o entendimento de suas qualidades terapêuticas e/ou nutritivas, elidindo a simples coincidência. Faz tempo que a canela deixou de ser produto caro e ganhou o status de condimento importante na culinária de muitos povos. No Brasil, alguns pratos são impensáveis sem ela. Caso do arroz doce, que arrisca a perder todo o charme se não salpicarmos a sua superfície com generosa porção de canela em pó.