CULTIVO URBANO

Hortas urbanas ocupam 10 áreas com moradores permissionários

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Luíza Expedita Gomes cultiva verduras, hortaliças e ervas no Guanabara
Luíza Expedita Gomes cultiva verduras, hortaliças e ervas no Guanabara

Dez hortas espalhadas por oito bairros de Jundiaí transformam áreas públicas em espaços de produção de alimentos e venda direta aos moradores. O programa, que também atende escolas e comunidades do entorno, formou 28 novos participantes em 2026 e prepara novas áreas para ampliar a iniciativa. Uma 11ª horta, no Jardim Pacaembu, está em processo de escolha de novo permissionário.

As hortas estão nos bairros Fazenda Grande, Jardim do Lago, Anhangabaú, Jardim Guanabara, Novo Horizonte, Cecap, Jardim Pacaembu e Alvorada. A produção pode ser consumida pelos próprios permissionários, doada aos moradores do entorno ou vendida diretamente à população. As áreas públicas são cedidas gratuitamente aos responsáveis, que ficam encarregados dos custos de produção, como sementes, insumos, ferramentas, água e energia. A renda obtida com a comercialização dos produtos fica com os permissionários. Cada espaço é acompanhado por engenheiros agrônomos da Prefeitura. 

No Jardim Guanabara, a produção acontece há cerca de cinco anos em um terreno público. O espaço, cultivado sem agrotóxicos, reúne verduras, hortaliças e plantas alimentícias não convencionais (PANCs), além de uma área com ervas medicinais. A horta é cuidada por duas mulheres, Luíza Expedita Gomes e Josilena Cenachi Ramalho, e fica ao lado de um espaço utilizado por crianças. Também recebe atividades com estudantes e moradores.

Permissionária do local, Luíza começou sem experiência direta com o cultivo. Ela já acompanhava o trabalho do marido em uma horta no Retiro e em plantações da família, mas foi nos cursos de formação que passou a aprender mais sobre a produção. “Eu fui fazendo os cursos e aprendendo. Depois, a gente vai adquirindo experiência no dia a dia. Estou aqui há cinco anos e continuo aprendendo”, conta. 

A horta produz itens como alface, cheiro-verde, couve, coentro, beterraba e chicória. Parte é vendida no próprio local ou entregue a compradores. A procura, segundo Luíza, muda conforme o período do ano e as condições do tempo. “A venda está um pouco mais baixa agora por causa da chuva, mas temos lugares para onde entregamos as verduras e também fazemos feiras aqui”, explica 

Quem compra

Para quem mora perto, a horta virou uma alternativa para comprar alimentos frescos sem precisar recorrer a mercados. Moradora do Jardim do Lago, Renata Oliveira compra produtos de uma horta comunitária há cerca de dois anos e incorporou a visita à rotina. “Eu compro na horta comunitária há uns dois anos e virou um hábito para mim. Pelo menos uma vez por semana eu passo por lá. Gosto muito porque consigo escolher os produtos, vejo o que está mais bonito e sei que estou levando algo fresquinho, que muitas vezes acabou de sair da terra”, afirma.

Quem pode participar

A formação é uma das etapas necessárias para quem pretende assumir uma horta. Depois do curso, os interessados podem indicar áreas públicas para implantação dos espaços. Os locais passam por avaliação técnica e, caso sejam considerados adequados, podem receber a estrutura necessária.

A Prefeitura informou que não houve aumento no número de hortas no último ano. A prioridade em 2026 foi renovar os permissionários, capacitar participantes e avaliar novas áreas. O município tem como meta prevista no planejamento para 2026 a 2029 desenvolver cinco projetos de hortas urbanas por ano.

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