CONSUMO

Comércio de Jundiaí se adapta à concorrência das telas

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 4 min
Janaína Pavan fechou a loja física e concentrou as vendas pela internet
Janaína Pavan fechou a loja física e concentrou as vendas pela internet

A loja física ainda está de portas abertas em Jundiaí, mas o caminho até o consumidor mudou. A compra pode começar no Instagram, passar pelo WhatsApp, ser feita pelo celular e terminar no balcão, ou chegar diretamente à casa do cliente. Para acompanhar esse novo comportamento, comerciantes estão reduzindo estruturas, ampliando as vendas digitais e, em alguns casos, deixando os pontos físicos para trás. Em Jundiaí, 20% das vendas dos comerciantes locais já são digitais. 

Entre os pequenos empreendedores, a mudança também já chegou. A artesã Janaína Pavan fechou uma loja que manteve por um ano no Eloy Chaves e decidiu concentrar a marca na internet. Hoje, usa Instagram e WhatsApp para vender, está entrando na Shopee e prepara um site para 2027. “Foi uma decisão muito difícil, mas baseada na mudança do comportamento do consumidor. O movimento da loja física já não justificava toda a estrutura necessária para mantê-la, enquanto eu percebia que pela internet conseguia apresentar meu trabalho para muito mais pessoas.”

Além do aluguel e da manutenção do espaço, Janaína conta que precisava permanecer diariamente na loja, o que reduzia o tempo disponível para produzir. No digital, surgiram outros custos, como embalagem, frete, divulgação e taxas, mas a estrutura ficou mais enxuta. “Uma loja física tem despesas fixas independentemente de vender muito ou pouco. No digital eu consigo trabalhar com uma estrutura mais enxuta e direcionar meus investimentos para aquilo que efetivamente pode trazer clientes”, relata.

Loja física e celular juntos

Para a CDL Jundiaí, a mudança não significa uma guerra entre os dois modelos. Segundo o presidente Edison Maltoni, as vendas digitais já representam cerca de 20% das vendas e os canais passaram a se complementar. “Muitas vezes, o consumidor conhece o produto pelas redes sociais, mas vai até a loja para ver, experimentar e comprar. Da mesma forma, uma pessoa pode conhecer uma loja presencialmente e depois continuar se relacionando com ela pelos canais digitais", explica.

O Instagram e o WhatsApp também já fazem parte da rotina de muitos comerciantes. Em abril, Prefeitura, Sebrae-SP e CDL lançaram o programa Loja do Futuro, com consultorias e capacitações para ajudar empresas a integrar loja física, canais digitais e inteligência artificial.

A ACE Jundiaí também percebe essa mudança. Segundo o presidente Orlando Picchi Fabrício, o consumidor está mais presente nas redes sociais e o comerciante precisa acompanhar esse comportamento. “O comerciante vem percebendo que, mesmo com o comércio físico, ele precisa estar no digital, divulgar seus produtos nas redes sociais para se relacionar com os clientes e atraí-los para a loja física. Muitos comerciantes ainda estão se adaptando a essas mudanças.”

O emprego também mudou

A migração para o digital também altera onde os empregos estão dentro da cadeia do comércio. Em Jundiaí, a operação do Mercado Livre movimenta mais de 55 mil pacotes por dia, conta com cerca de 240 motoristas diariamente e mantém mais de 170 empregos diretos. 

Nas grandes redes, a transformação também aparece nos números. A Casas Bahia, que mantém lojas no Centro e no Maxi Shopping, registrou crescimento de 18,7% nas vendas on-line no primeiro semestre de 2026, enquanto as vendas nas lojas físicas recuaram 2,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Em agosto, a empresa anunciou uma nova etapa de reestruturação, com previsão de fechamento de até 298 lojas e impacto sobre cerca de 3 mil trabalhadores. A medida, no entanto, não pode ser atribuída apenas ao avanço das vendas on-line. 

O consumidor ainda está na rua

Apesar da expansão digital, os dados não apontam para o desaparecimento da loja física em Jundiaí. Pesquisa Seade SP TIC divulgada pela ACE mostrou que 48% dos moradores utilizavam aplicativos para compras ou contratação de serviços on-line. O índice ficou abaixo da média estadual.

Para Maltoni, a tendência é de integração. “O crescimento das vendas pela internet é uma realidade que o comércio não pode ignorar. O consumidor mudou seus hábitos e o lojista também precisa acompanhar esse movimento. Hoje, estar presente no ambiente digital é uma forma de ampliar a divulgação, criar relacionamento com o cliente e também gerar vendas", afirma.

No fim, a transformação não é apenas sobre fechar ou manter uma loja. É sobre encontrar um modelo em que o comércio consiga estar onde o consumidor está, na rua, na tela e, cada vez mais, nos dois lugares ao mesmo tempo.

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