Morar de aluguel tem pesado cada vez mais no orçamento de quem vive em Jundiaí. Entre aluguel, condomínio e contas da casa, a moradia pode comprometer até 60% da renda mensal. Ao mesmo tempo, o mercado segue aquecido. Levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECI-SP), realizado com 95 imobiliárias da região, aponta que os novos contratos de locação cresceram 61,29% em março de 2026 na comparação com fevereiro.
A maquiadora Mayara Masson dos Santos mora de aluguel há cerca de nove meses e afirma que conquistar a independência exigiu reorganizar completamente as finanças. "Além do aluguel, ainda existem condomínio, água, energia, internet e outros custos do dia a dia. No fim do mês, morando sozinha, a moradia representa entre 50% e 60% da minha renda", conta.
Segundo ela, o aumento dos custos obrigou a reduzir despesas com lazer e compras por impulso. Mesmo já tendo pensado em mudar para um imóvel mais barato, a localização, a segurança e o custo de uma nova mudança fizeram com que permanecesse no apartamento. "Tenho a impressão de que os preços dos aluguéis aumentaram bastante nos últimos anos, enquanto a renda das pessoas não acompanhou esse crescimento. Encontrar um imóvel acessível está cada vez mais difícil", afirma.
O valor da locação varia conforme bairro, tamanho, estrutura do condomínio e estado do imóvel. Segundo o corretor de imóveis Enzo Gonçales Giannone, um apartamento de dois dormitórios, considerado um dos perfis mais procurados, costuma ficar entre R$ 2,5 mil e R$ 2,6 mil por mês, considerando aluguel, condomínio e IPTU, em condomínios de padrão intermediário.
Para o corretor, o preço se tornou o principal filtro para quem procura uma nova moradia. “Se o imóvel não estiver dentro da capacidade financeira do cliente, dificilmente continuará sendo considerado. Depois entram fatores como localização, número de dormitórios, segurança e infraestrutura”, afirma.
Segundo ele, a procura continua elevada e, em algumas faixas de preço, a oferta não acompanha a demanda. “Imóveis bem localizados, em boas condições e com valores competitivos costumam ser alugados rapidamente. Muitos clientes chegam com um orçamento baseado nos preços praticados há alguns anos e precisam reajustar a expectativa diante da realidade atual do mercado”, explica.
O cenário também aparece nos dados do CRECI-SP. O levantamento mostra que 40,8% dos locatários migraram para imóveis mais baratos, indicando que o custo de vida tem influenciado diretamente nas escolhas de moradia. Casas e apartamentos de dois dormitórios estão entre os mais procurados.
Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção da valorização dos aluguéis. “Muitas pessoas esperam uma queda nos preços antes de tomar uma decisão, mas isso dificilmente acontece. O movimento predominante tem sido de valorização gradual dos imóveis e dos aluguéis”, afirma Giannone.
Novos empreendimentos tentam ampliar oferta
Enquanto a demanda por aluguel cresce, Jundiaí também passa por um momento de expansão habitacional. A Prefeitura suspendeu por 180 dias a aprovação de novos empreendimentos para avaliar se a infraestrutura acompanha o crescimento da cidade nas áreas de trânsito, transporte, saneamento, saúde e educação. Apesar da medida, mais de 29 mil unidades habitacionais entre projetos aprovados, pré-aprovados ou em análise seguem em andamento no município.
Entre os projetos estão os Residenciais Cravos III e IV, empreendimentos de habitação de interesse social (moradias populares) previstos nas regras da lei do congelamento, que avançam nas etapas de definição da demanda. Segundo a Prefeitura, somente o processo de inscrição para o Residencial Cravos III, pelo programa Minha Casa Minha Vida – Faixa 1, registrou 14.431 famílias inscritas em janeiro deste ano. O município informou ainda que mantém tratativas com os governos Estadual e Federal e com a iniciativa privada para ampliar a oferta de moradias.