MORADIA

Aluguel consome até 60% da renda de moradores em Jundiaí

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Mayara Masson dos Santos mora de aluguel há cerca de nove meses
Mayara Masson dos Santos mora de aluguel há cerca de nove meses

Morar de aluguel tem pesado cada vez mais no orçamento de quem vive em Jundiaí. Entre aluguel, condomínio e contas da casa, a moradia pode comprometer até 60% da renda mensal. Ao mesmo tempo, o mercado segue aquecido. Levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECI-SP), realizado com 95 imobiliárias da região, aponta que os novos contratos de locação cresceram 61,29% em março de 2026 na comparação com fevereiro.  

A maquiadora Mayara Masson dos Santos mora de aluguel há cerca de nove meses e afirma que conquistar a independência exigiu reorganizar completamente as finanças. "Além do aluguel, ainda existem condomínio, água, energia, internet e outros custos do dia a dia. No fim do mês, morando sozinha, a moradia representa entre 50% e 60% da minha renda", conta.

Segundo ela, o aumento dos custos obrigou a reduzir despesas com lazer e compras por impulso. Mesmo já tendo pensado em mudar para um imóvel mais barato, a localização, a segurança e o custo de uma nova mudança fizeram com que permanecesse no apartamento. "Tenho a impressão de que os preços dos aluguéis aumentaram bastante nos últimos anos, enquanto a renda das pessoas não acompanhou esse crescimento. Encontrar um imóvel acessível está cada vez mais difícil", afirma.

O valor da locação varia conforme bairro, tamanho, estrutura do condomínio e estado do imóvel. Segundo o corretor de imóveis Enzo Gonçales Giannone, um apartamento de dois dormitórios, considerado um dos perfis mais procurados, costuma ficar entre R$ 2,5 mil e R$ 2,6 mil por mês, considerando aluguel, condomínio e IPTU, em condomínios de padrão intermediário.

Para o corretor, o preço se tornou o principal filtro para quem procura uma nova moradia. “Se o imóvel não estiver dentro da capacidade financeira do cliente, dificilmente continuará sendo considerado. Depois entram fatores como localização, número de dormitórios, segurança e infraestrutura”, afirma.

Segundo ele, a procura continua elevada e, em algumas faixas de preço, a oferta não acompanha a demanda. “Imóveis bem localizados, em boas condições e com valores competitivos costumam ser alugados rapidamente. Muitos clientes chegam com um orçamento baseado nos preços praticados há alguns anos e precisam reajustar a expectativa diante da realidade atual do mercado”, explica.

O cenário também aparece nos dados do CRECI-SP. O levantamento mostra que 40,8% dos locatários migraram para imóveis mais baratos, indicando que o custo de vida tem influenciado diretamente nas escolhas de moradia. Casas e apartamentos de dois dormitórios estão entre os mais procurados.

Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção da valorização dos aluguéis. “Muitas pessoas esperam uma queda nos preços antes de tomar uma decisão, mas isso dificilmente acontece. O movimento predominante tem sido de valorização gradual dos imóveis e dos aluguéis”, afirma Giannone.

Novos empreendimentos tentam ampliar oferta 

Enquanto a demanda por aluguel cresce, Jundiaí também passa por um momento de expansão habitacional. A Prefeitura suspendeu por 180 dias a aprovação de novos empreendimentos para avaliar se a infraestrutura acompanha o crescimento da cidade nas áreas de trânsito, transporte, saneamento, saúde e educação. Apesar da medida, mais de 29 mil unidades habitacionais entre projetos aprovados, pré-aprovados ou em análise seguem em andamento no município.

Entre os projetos estão os Residenciais Cravos III e IV, empreendimentos de habitação de interesse social (moradias populares) previstos nas regras da lei do congelamento, que avançam nas etapas de definição da demanda. Segundo a Prefeitura, somente o processo de inscrição para o Residencial Cravos III, pelo programa Minha Casa Minha Vida – Faixa 1, registrou 14.431 famílias inscritas em janeiro deste ano. O município informou ainda que mantém tratativas com os governos Estadual e Federal e com a iniciativa privada para ampliar a oferta de moradias.

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