O que parecia ser apenas mais um fim de tarde comum terminou em desespero para uma família de Jundiaí. Um casal, morador do bairro Santa Gertrudes, relatou ao JJ que, ao retornar para casa na tarde de domingo (2), encontrou as duas cachorras convulsionando, com sinais de vômito e diarreia.
Os animais foram socorridos e seguem em tratamento veterinário com suspeita de intoxicação, possivelmente causada por chumbinho. O caso foi registrado na Polícia Civil e serve de alerta para que outros tutores redobrem os cuidados e saibam como agir diante de uma situação semelhante.
Atenção aos detalhes
Em situações de suspeita de envenenamento, médica-veterinária Janaina Pizol, especialista em gastroenteriologia do Hospital Veterinário Dog Saúde, orienta que o tutor procure atendimento imediatamente, sem tentar tratamentos caseiros. Induzir o vômito ou oferecer leite, óleo, sal ou qualquer outro produto sem orientação profissional pode agravar o quadro, dependendo da substância ingerida.
A recomendação é levar o animal o mais rápido possível a um hospital veterinário, informar todos os sintomas observados e, se houver suspeita sobre a origem da intoxicação, apresentar embalagens, restos de alimentos ou qualquer material que possa auxiliar na identificação do agente tóxico.
A especialista também ressalta que cada intoxicação possui características próprias. Por isso, somente o médico-veterinário poderá definir o tratamento adequado após avaliar o animal. Quanto mais rápido ocorrer o atendimento, maiores são as chances de recuperação.
Confira a lista de sinais que exigem atendimento emergencial:
- tremores
- convulsões
- salivação excessiva
- vômitos
- diarreia
- dificuldade para respirar
- alterações neurológicas
Registro da ocorrência é fundamental
O advogado criminalista Daniel Bertelli afirma que, após garantir o atendimento veterinário, a preservação das provas é essencial para que a investigação possa avançar.
"O primeiro passo é preservar o local onde possa ter ocorrido o envenenamento e obter um laudo detalhado do médico-veterinário. Esse documento será a principal prova do crime. Com ele, o tutor deve registrar imediatamente um boletim de ocorrência e entregar tudo o que puder contribuir com a investigação, como fotos, vídeos, testemunhas e alimentos suspeitos", explica.
Segundo Bertelli, a legislação brasileira passou a tratar o envenenamento de cães e gatos com maior rigor e, por isso, é importante registrar a denúncia. "Hoje, envenenar um cão ou um gato é um crime grave, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A lei deixou de tratar esse tipo de crueldade como uma infração de menor potencial ofensivo e passou a permitir, inclusive, a prisão do responsável", afirma.
Além da responsabilização criminal, o advogado destaca que os tutores também podem recorrer à Justiça para buscar reparação pelos prejuízos.
"É possível pedir o ressarcimento dos gastos com tratamento veterinário e também indenização por danos morais. Os tribunais reconhecem o sofrimento causado pela perda ou pelo grave comprometimento da saúde de um animal de estimação", conclui.
Enquanto aguardam a recuperação das duas cadelas e o andamento das investigações, os tutores esperam que a divulgação do caso ajude a conscientizar outros moradores sobre a importância de agir rapidamente diante de qualquer sinal de intoxicação e de comunicar imediatamente as autoridades caso haja suspeita de envenenamento criminoso.