SAÚDE

Crescem 42% mortes por infarto entre mulheres em Jundiaí

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Mortes por infarto entre mulheres cresceram 42% em Jundiaí nos primeiros cinco meses
Mortes por infarto entre mulheres cresceram 42% em Jundiaí nos primeiros cinco meses

As mortes de mulheres por infarto cresceram 42% em Jundiaí nos primeiros cinco meses deste ano. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (TabNet) mostram que foram registrados 152 óbitos entre janeiro e maio de 2026, contra 107 no mesmo período de 2025. O aumento ocorre em meio a dois casos que chamaram a atenção da cidade: a morte de uma professora de 43 anos, em julho, e de uma mulher de 57 anos, que sofreu um mal súbito enquanto treinava em uma academia no bairro Agapeama, em janeiro. Especialistas alertam que o infarto nas mulheres pode apresentar sintomas diferentes dos observados nos homens, dificultando o diagnóstico e atrasando o início do tratamento.

A alta também foi registrada nos atendimentos. Entre janeiro e junho deste ano, o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) contabilizou 161 casos de infarto agudo do miocárdio, contra 110 no mesmo período de 2025, um crescimento de 46,4%. Nos últimos cinco anos, o hospital registrou 1.058 internações de mulheres por infarto, enquanto a Secretaria de Promoção da Saúde contabilizou 791 mortes femininas pela doença.

Para o cirurgião cardiovascular do Hospital São Vicente, Luiz Carlos Bettiati Junior, uma das dificuldades está justamente na forma como o infarto se manifesta nas mulheres. "Os sintomas podem ser significativamente diferentes dos apresentados pelos homens devido a particularidades anatômicas, hormonais e fisiológicas. Enquanto nos homens a gordura tende a obstruir as grandes artérias coronárias, nas mulheres é mais comum a doença microvascular, que compromete vasos menores", explica.

Ao contrário do que muitos imaginam, a dor intensa no peito nem sempre é o principal sinal de infarto nas mulheres. Falta de ar, náusea, azia, fadiga intensa e dores nas costas, ombros, pescoço ou mandíbula também podem indicar um problema cardíaco.

Segundo Bettiati, esses sintomas costumam ser confundidos com ansiedade, gastrite ou problemas musculares, retardando a procura por atendimento. "Embora a dor no peito continue sendo um dos principais sinais do infarto, ela nem sempre está presente nas mulheres ou pode surgir apenas como um desconforto leve, sensação de pressão ou queimação. Em alguns casos, sequer há dor na região torácica", explica.

O especialista lembra que o infarto também atinge mulheres mais jovens. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que as mortes por infarto entre mulheres de 15 a 49 anos cresceram cerca de 62% nas últimas décadas. Hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo e o uso de anticoncepcionais associado ao cigarro estão entre os principais fatores de risco. "A combinação entre tabagismo e anticoncepcionais hormonais merece atenção especial, mas, de forma geral, manter hábitos saudáveis e controlar os fatores de risco é a melhor forma de prevenir o infarto", afirma o cardiologista.

Prevenção

A Secretaria de Promoção da Saúde informou que mantém ações permanentes de prevenção cardiovascular nas Unidades Básicas de Saúde e Clínicas da Família, com acompanhamento de pacientes com fatores de risco, orientação sobre alimentação saudável, prática de atividade física e combate ao tabagismo.

"Manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regularmente, controlar doenças como hipertensão e diabetes, abandonar o cigarro e realizar consultas médicas periódicas são medidas fundamentais para diminuir o risco de infarto", orienta Bettiati.

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