COMPORTAMENTO

Mulheres ainda almejam a maternidade, mas não agora

Por Giulianna Mazzali |
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo Pessoal
Luiza Belode, estudante de arquitetura, prioriza carreira acima da família, neste momento
Luiza Belode, estudante de arquitetura, prioriza carreira acima da família, neste momento

Na infância de uma menina, os contos de fadas semeiam a imaginação. Assim, nascem sonhos de se tornar uma princesa em um castelo, uma cantora super famosa em turnê mundial, uma fada em um reino mágico ou uma sereia com super-poderes. Quando essas meninas crescem, os sonhos amadurecem e se tornam o caminho que elas seguirão na vida adulta.

Até poucas décadas atrás, os contos de fadas reforçavam a ideia de que os verdadeiros “felizes para sempre” seriam casar com o príncipe encantado e viver em um belo castelo cheio de filhos, com escadarias enormes para limpar e uma montanha de roupas para passar. Felizmente, hoje, as princesas podem usar calças, arrumar um emprego e terminar suas histórias solteiras. Essa é uma mudança que impactou não apenas os desenhos, mas também o contexto social e a vida de inúmeras meninas e mulheres.

De acordo com o Censo Panorama 2022, pesquisa do IBGE, quase 14 milhões de brasileiros vivem em lares unipessoais, ou seja, formados por apenas uma pessoa. Em Jundiaí, o número também é expressivo, com cerca de 17% da população adotando esse modelo. Isso mostra uma tendência cada vez mais comum de se encontrar domicílios em que não há a presença de um cônjuge ou de filhos. Mas não chega nem perto de ser um presságio da extinção da espécie, como alguns gostam de pregar.

Luiza Belode (22), estudante de arquitetura nascida em Jundiaí, mas que atualmente mora em Belo Horizonte, Minas Gerais, explica que os sonhos de infância de formar uma família ainda existem, só não são uma prioridade. “Sempre quis me casar e formar uma família e esses planos com certeza continuam de pé, mas hoje ficam em segundo plano em relação a estudos e futura carreira. São planos para um futuro mais distante, quando já tiver estabilidade profissional e financeira”, reforça a jovem.

E ela não é a única. Ana Peixoto (17), que está completando o ensino médio este ano, também deseja formar uma família, mas quando for o momento certo. Para Gabrielle de Souza (21), estudante de análise e desenvolvimento de sistemas que iniciou recentemente a carreira na área de tecnologia, o sonho de infância de ter um casal de filhos ainda segue vivo, mas admite que concluir a graduação e conquistar uma casa própria são o seu principal objetivo agora.

Gabrielle de Souza afirma que o sonho de ter filhos ainda segue vivo, mas o foco é na carreira

Por outro lado, nem todas as jovens planejam uma vida compartilhada. Nathalia Oliveira (17), que atualmente está focada em entrar em uma faculdade, não tinha vontade de casar e ter filhos quando criança, e ainda não tem. Para a jovem, sua forma de deixar uma marca no mundo será através do seu trabalho, mais especificamente, a arte. “Apesar de não querer constituir uma família, posso ajudar a cuidar da população de outra forma, como arteterapeuta, por exemplo.”

Nathalia Oliveira não tem vontade de ter família

Já Maria Luiza Peraceli (21), estudante e auxiliar de confeitaria, entende que precisa estar alinhada com o que faz sentido para si mesma. “Nunca sonhei com meu casamento, mas sempre tive vontade de formar uma família e mesmo pequena, sempre fui a criança que cuida de outras crianças.”  

Independentemente das escolhas pessoais de cada jovem mulher, todas elas têm isso em comum: a possibilidade de escolha. Para Luiza, “as gerações passadas tendiam a se preocupar mais com estabilidade e segurança, e, hoje em dia, procuramos ter mais liberdade e equilibrar a vida pessoal e profissional”, exatamente como essas jovens constroem a própria trajetória. 

Mas não é porque a história mudou que o passado fica totalmente para trás. Algo em comum entre quase todas as mulheres deste texto é a importância da família na formação de seus planejamentos para o futuro.  Todas elas, assim como tantas outras jovens, possuem sonhos, desejos e planos que alimentam suas crianças interiores. Nathalia, por exemplo, queria ser uma cantora famosa e, mesmo que tenha mudado a rota, ainda almeja conquistas dentro do mundo das artes. Luiza, que queria ser professora, inspirada pelos pais, descobriu que existem outras formas de trabalhar com crianças que a fazem feliz. 

E, mesmo ainda tendo um longo caminho pela frente, essas jovens mulheres incríveis já possuem grandes conquistas das quais se orgulhar. Enquanto Gabrielle celebra o fato de estar trabalhando na área de tecnologia e conquistando sua independência, Maria Luiza comemora a coragem de ter morado fora do país para seguir um sonho e ter juntado dinheiro para viajar sozinha. Todas as mulheres, independente da idade, vão conquistar o mundo — e, quem sabe, como a pequena Maria Luiza e tantas outras meninas sonhavam, o espaço!

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