O exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em São Paulo passou a valer com novas regras, entre elas, a mais discutida é a retirada definitiva da prova de baliza, além da autorização para que o teste seja realizado em veículos com câmbio automático. A medida repercutiu negativamente entre os profissionais da área que reforçam que as alterações devem ser vistas com cautela.
Candidatos que não necessitam de adaptações veiculares poderão optar por esse tipo de carro, desde que esteja regularmente cadastrado. Com a alteração, a avaliação passa a se concentrar exclusivamente na etapa de circulação, priorizando a condução em situações reais de tráfego.
Para o proprietário de uma autoescola e representante regional do sindicato, Célio Okumura Fernandes, a medida tem que ser vista com cautela, uma vez que passa a falsa ideia de que a pessoa está preparada para enfrentar o trânsito no dia a dia. “Não podemos formar motoristas sem base e um mínimo de noção das regras. Educação no trânsito não é brincadeira, pois o Brasil tem um elevado número de acidentes com vítimas fatais ou com sequelas graves. A baliza, por exemplo, envolve critérios como controle de embreagem e do veículo, manobra e noção de espaço”, completa.

Célio Okumura diz ser a favor de mudanças e atualizações, desde que sejam feitas com critério
Okumura afirma não ser contra as mudanças e atualizações, desde que elas sejam programadas e estruturadas. “Não é simplesmente deixar de exigir a realização da baliza no dia do exame, deve ocorrer uma atualização com situações reais. Temos que pensar em uma política concreta de educação no trânsito e lutar para que seja um ambiente mais seguro e civilizado, pois educação no trânsito salva vidas”, opina.
Para Wellington Faria, proprietário de outra autoescola, a medida tem caráter político e não contribui para a formação adequada dos condutores. “A baliza é uma habilidade essencial no dia a dia do motorista, já que estacionar faz parte da rotina em qualquer deslocamento”, diz.
As mudanças podem facilitar a aprovação, mas tendem a dificultar a condução no cotidiano. “O trânsito já é alarmante. Mesmo com 20 aulas obrigatórias no passado, os alunos não saíam totalmente preparados. Com o trânsito cada vez mais complexo, reduzir etapas e aulas pode trazer consequências negativas”, afirma.