O batuque já ecoa no imaginário dos foliões e a ansiedade só cresce em Jundiaí. A Secretaria Municipal de Cultura (SMCULT) informou que a lista dos blocos de rua credenciados e selecionados para o Carnaval 2026 será divulgada em breve na Imprensa Oficial, junto com datas e horários das apresentações. Porém, enquanto o anúncio oficial não sai, o clima é de expectativa, ensaios e muito planejamento para quem faz e para quem vive o carnaval de rua. O prazo para inscrição dos blocos já foi encerrado.
Ao todo, serão 17 vagas distribuídas entre os dias 7 e 17 de fevereiro, com apresentações que poderão acontecer em palco fixo na Cidade Administrativa e desfiles em vias públicas mediante autorização prévia. Neste ano, também haverá a categoria de desfiles para os públicos infantojuvenil e inclusivo.
Entre os blocos mais aguardados está o Afro Kekerê, que em 2026 completa 11 anos de história e promete novamente arrastar uma multidão pela Avenida União dos Ferroviários. A expectativa da organização é reunir ao menos 30 mil pessoas. Idealizador, fundador e diretor artístico do bloco, Vanderlei Vitorino, o BA, explica que o tema deste ano carrega mensagem forte e sensível: “Da Rua ao Coração: Um Canto de Fé e de Liberdade”.
Segundo ele, o tema traduz a essência do Kekerê como um movimento de resistência, espiritualidade e inclusão. “A rua é o espaço sagrado da cultura popular, e o coração simboliza a fé, o amor e o compromisso com a liberdade de existir em todas as formas, cores e ritmos. É um manifesto vivo que diz: vamos viver e ser feliz”, afirma.

Vanderlei Vitorino (meio) diz que o tema de ano traduz a essência do Kekerê como resistência, espiritualidade e inclusão
O bloco é um grito poético contra o silenciamento e uma afirmação de que a arte pertence ao povo. “Somos o batuque da ancestralidade negra no azul da inclusão. Ocupamos ruas, praças e avenidas com diversidade, acolhimento e cuidado com o próximo”, destaca. O grande cortejo do Afro Kekerê está planejado para o dia 8 de fevereiro, com concentração às 13h, na Avenida União dos Ferroviários.
Outro gigante da folia jundiaiense que já movimenta o coração do Centro é o Bloco Refogado do Sandi. Tradicionalíssimo e reconhecido desde 2016 como Patrimônio Imaterial e Cultural de Jundiaí, o bloco deve ir às ruas no dia 13 de fevereiro, com público estimado em 10 mil pessoas, repetindo o sucesso do ano passado.
A diretora do bloco, Gisela Andrade Vieira, garante que a expectativa é sempre a melhor possível para marcar o coração dos jundiaienses. “O objetivo é levar a Folia do Momo a todas as pessoas, sem distinção e com muita alegria”, afirma. Mantendo a tradição, o Refogado do Sandi também fará sua homenagem anual. Depois de celebrar o Picoco Bárbaro em 2025 e os 30 anos do bloco em 2024, o homenageado de 2026 será a Associação Mata Ciliar de Jundiaí.
A novidade foi revelada em primeira mão, junto com o anúncio da festa de lançamento do samba e apresentação da corte, marcada para o dia 31 de janeiro. Para Gisela, o reconhecimento popular é reflexo da essência do bloco. “O povo de Jundiaí respeita e abraça o Refogado porque ele preserva a memória do verdadeiro carnaval de rua, livre, aberto a todos, com marchinhas que fazem a cidade cantar e mandar as tristezas embora”, resume.
Gisela Andrade Vieira ressalta que o Refogado do Sandi preserva a memória do verdadeiro Carnaval de rua
Desfile das Escolas de Samba
Acerca do desfile das escolas de samba, a SMCULT informou que será realizado no Espaço Multiuso da Cidade Administrativa no dia 7 de março, no período noturno. A realização em data fora de época trata-se de um pedido da Liga Jundiaiense das Escolas de Samba (Lijunes), em concordância com as cinco agremiações participantes, devendo a apuração das pontuações ser realizada no mesmo local no dia 08 de março. As escolas já iniciaram os preparativos para arrecadar dinheiro e ocupar a avenida.