MUDANÇAS

Reforma Tributária beneficia Jundiaí a médio prazo

Por Ariadne Gattolini |
| Tempo de leitura: 3 min
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Para Jones Martins, o primeiro impacto da reforma merece atenção e organização
Para Jones Martins, o primeiro impacto da reforma merece atenção e organização

A Reforma Tributária em discussão no país tende a provocar mudanças profundas na lógica de arrecadação e na dinâmica de atração de empresas e investimentos. Para municípios estrategicamente localizados, como Jundiaí, a nova sistemática pode representar uma oportunidade relevante de fortalecimento econômico no médio e longo prazo, especialmente pela proximidade com grandes mercados consumidores, como a Região Metropolitana de São Paulo e o eixo Campinas.

Um dos pilares da reforma é a mudança do critério de tributação do consumo. Com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a arrecadação passa a ocorrer majoritariamente no local onde o bem ou serviço é consumido, e não mais onde é produzido. Essa alteração tende a favorecer cidades bem posicionadas do ponto de vista logístico e demográfico. Localizada entre dois dos maiores polos consumidores do país, Jundiaí passa a ter uma vantagem competitiva natural para atender esses mercados de forma mais eficiente.

Outro aspecto relevante é a redução gradual da chamada “guerra fiscal”. O fim dos incentivos baseados exclusivamente na origem da produção diminui a competição artificial entre municípios e estados. Nesse novo cenário, tendem a ganhar espaço as cidades que oferecem infraestrutura consolidada, acesso a rodovias estratégicas, mão de obra qualificada e ambiente institucional favorável aos negócios. Jundiaí reúne esses fatores, o que pode torná-la ainda mais atrativa para empresas que buscam previsibilidade e eficiência operacional.

A logística, por sua vez, assume papel ainda mais central. Empresas que atendem grandes centros consumidores passam a priorizar a redução de custos de transporte, tempo de entrega e impacto ambiental. Cercada por importantes rodovias, como Anhanguera, Bandeirantes e Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, a cidade se consolida como ponto estratégico para centros de distribuição, operações logísticas avançadas e indústrias com produção integrada ao mercado final.

Além da indústria, setores de serviços e tecnologia também devem ser impactados positivamente. Áreas como tecnologia da informação, data centers, serviços corporativos e inovação tendem a se beneficiar da proximidade com grandes clientes e de cadeias produtivas já estruturadas. A maior previsibilidade tributária trazida pela reforma é vista como fator decisivo para investimentos de longo prazo nesses segmentos.

No entanto, especialistas alertam que os efeitos da Reforma Tributária não serão imediatos. Segundo o gestor público Jones Martins, o processo exige uma leitura cuidadosa do tempo de transição. “A reforma muda a lógica da arrecadação do consumo e, no médio e longo prazo, é natural que empresas passem a valorizar mais a proximidade do mercado consumidor. Cidades como Jundiaí, bem localizadas e com infraestrutura, tendem a ser atrativas nesse novo desenho”, afirma.

Jones destaca, porém, que o curto prazo exige atenção redobrada. “Durante o período de transição, cidades com perfil mais industrial, como Jundiaí, podem enfrentar desafios de arrecadação, porque a mudança do critério do local de produção para o local do consumo não acontece de forma imediata nem automática”, explica.

Nesse contexto, ele defende uma postura proativa dos municípios. “Foi nesse sentido que comento sobre a necessidade de fortalecer a base de serviços, o ISS, a economia local e a atratividade urbana. Não é contradição, é complementaridade. Enquanto o novo modelo não se consolida plenamente, o município precisa se proteger e se organizar.”

Para Jones Martins, a Reforma Tributária deve ser encarada como um processo contínuo, que exige planejamento e gestão ativa. “No longo prazo, ela pode aproximar a indústria do consumidor e beneficiar cidades como Jundiaí. Mas, no curto e médio prazo, exige políticas públicas bem estruturadas para reduzir riscos e aproveitar oportunidades. Quem se antecipar vai sentir menos os impactos e colher mais benefícios lá na frente”, conclui.


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