COMPORTAMENTO

Forma de consumir informações impacta hábitos de leitura

Por Rafaela Silva Ferreira |
| Tempo de leitura: 2 min
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A habilidade de leitura profunda e reflexiva, essencial para o desenvolvimento crítico e cultural, pode estar sendo comprometida
A habilidade de leitura profunda e reflexiva, essencial para o desenvolvimento crítico e cultural, pode estar sendo comprometida

No mundo contemporâneo, a prática da leitura parece enfrentar desafios crescentes, provocando debates sobre suas repercussões sociais. Contrariando a noção de que a preguiça de ler é restrita a determinados grupos demográficos, ela permeia todas as áreas, classes sociais e faixas etárias. Mas o que tem contribuído para esse fenômeno aparentemente generalizado? É uma questão de tendência cultural, influência da internet ou resultado das mídias audiovisuais?

Para a professora Yandra Restivo Olhier Nogueira, 28 anos, a preguiça de ler está correlacionada com uma série de fatores contemporâneos, mas não se limita apenas à falta de tempo ou interesse. “Há uma mudança na forma como consumimos informações, o que impacta diretamente nossos hábitos de leitura", explica. “A era digital trouxe uma explosão de conteúdo acessível instantaneamente, o que pode levar as pessoas a preferirem formas mais rápidas e visuais de informação."

Pesquisas comprovam essa percepção. Um estudo recente realizado pela Universidade de São Paulo revelou que cerca de 40% dos entrevistados admitiram ler menos por preguiça ou falta de disposição, independentemente de idade ou formação acadêmica. “As crianças estão perdendo o interesse pela leitura por ter tudo de um jeito mais prático em suas mãos, como as telas digitais. Isto é considerado ‘preguiça’, que foi induzida pela internet. De fato, vivemos em uma sociedade preguiçosa, onde procuramos sempre o mais prático, o mais rápido. No entanto, isso não é 100% bom. Vemos criança desde o berço com celulares na mão. Então, ainda acreditamos mesmo que essa criança, futuramente, preferirá um livro à opções mais práticas de aprendizado?”, questiona. "A velocidade da informação na internet e a predominância de conteúdos audiovisuais competem diretamente com a leitura tradicional", completa Olhier. "Isso pode levar as pessoas a preferirem formatos mais imediatos e menos exigentes cognitivamente."

O impacto na sociedade é multifacetado. A habilidade de leitura profunda e reflexiva, essencial para o desenvolvimento crítico e cultural, pode estar sendo comprometida. "Uma sociedade que lê menos, tende a ter uma capacidade reduzida de análise e interpretação complexa", alerta a professora. "Isso pode afetar desde o desempenho acadêmico até a formação de opinião pública."

O mercado de livros também não continua robusto como era antigamente. A venda de exemplares no Brasil, em 2023, caiu 8% em relação ao ano de 2022, e o faturamento do setor reduziu 5,1%, segundo a Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro 2024.

Em suma, Yandra pontua que o futuro dos hábitos de leitura pode depender da capacidade de conciliar as novas tecnologias com o valor atemporal da leitura reflexiva. “É importante entendermos que a leitura é conhecimento. Você não pode ter preguiça de aprender, senão ficará muito difícil construir um futuro, principalmente o acadêmico, que ultimamente tem sido o grande desafio para crianças e pré-adolescentes”, finaliza.


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