CONSCIENTIZAÇÃO

Cadastro de doação de medula tem forte queda com redução de idade

Por Nathália Sousa |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação / Redome
O cadastro para novos doadores é bastante simples, com uma coleta de sangue, que serve para análise de compatibilidade
O cadastro para novos doadores é bastante simples, com uma coleta de sangue, que serve para análise de compatibilidade

Em Jundiaí, o cadastro de novos doadores de medula óssea diminuiu consideravelmente desde 2021, quando a idade máxima para novos cadastros caiu de 55 para 35 anos. Com esta restrição, além da queda na quantidade de pessoas que podem se cadastrar, houve também perda do principal público que doava, visto que pessoas mais jovens já não eram as que mais se cadastravam.

Na cidade, o hemocentro não faz coleta nem cadastro de medula. O hemocentro que costuma atender o município é o de Campinas. Geralmente, as ações para cadastro de novos doadores são organizadas pelo grupo Medula Jundiaí, que faz parceria com locais que possam receber essas ações e a ponte com o Hemocentro da Unicamp, que envia profissionais para as coletas e posterior cadastro no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

Coordenadora do Medula Jundiaí, que organiza ações para o cadastro de novos doadores, Nadia Maria Rozon diz que os cadastros diminuíram muito. “Desde que mudou a idade limite para cadastro, que antes era 55 anos e agora é 35 anos, teve uma queda violenta na quantidade de cadastros. Em 2019, fizemos ação com 1,1 mil cadastros, quando pessoas de 18 a 55 anos podiam se cadastrar, aí as ações pararam na pandemia. Quando voltamos, em 2021, já com o limite de idade menor, foram 60 cadastros. De lá para cá, o máximo que conseguimos foi 200 cadastros em um dia.”

Para ela, além da restrição de idade, ainda há muita desinformação sobre a doação e o Medula Jundiaí tenta desmistificá-los. “Temos ido a faculdades, dado palestras, mas essa dificuldade não é só de Jundiaí. Conversando com o pessoal da Unicamp, onde tem o Hemocentro, e também está assim, com menos cadastros. Em Jundiaí, a gente fez uma ação no começo de maio, no Grendacc. A próxima será no dia 21 de setembro, que é o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, só não sabemos ainda o local.”

Vidas que dependem

Alessandra Regina Trevisan Lambert, de 53 anos, precisou de uma doação de medula em 2022, quando descobriu que tinha um câncer no sangue. “No ano de 2010, fui diagnosticada com uma doença chamada Trombocitemia Essencial. Trata-se de uma doença mieloproliferativa, em que a medula óssea passa a produzir uma quantidade excessiva de plaquetas. Tratei a doença de modo conservador até que, em julho de 2021, ela evoluiu para uma mielofibrose secundária, um tipo de câncer sanguíneo, cuja única possibilidade de cura é o transplante de medula óssea alogênico, no qual a medula vem de um doador e não do próprio paciente.”

“Ainda tentamos, durante um ano, um tratamento conservador, mas, como meu organismo não respondeu bem, em julho de 2022, decidimos pela realização imediata do transplante. Após a realização de testes de compatibilidade com meu único irmão, os resultados mostraram que ele era apenas 50% compatível comigo, então fui cadastrada no Redome”, lembra.

Alessandra conseguiu uma doação internacional, pois o cadastro de medula é mundial. “Após um mês e poucos dias, meu médico avisou que haviam encontrado um doador 100% compatível comigo. Era um rapaz de 20 anos, de nacionalidade alemã, que havia se cadastrado no banco de doadores em maio daquele ano. Fiquei extremamente emocionada, feliz e muito grata por esse rapaz ter tido a consciência da importância de se cadastrar como doador de medula óssea e também por ter concordado em realizar a doação depois de ser contatado pelo banco.”

Por conta disso, Alessandra pede conscientização dos jovens. “É muito importante que cada vez mais sejam difundidas informações sobre a importância do cadastro dos jovens como doadores de medula óssea. No meu caso, o rapaz salvou a minha vida com duas doações de sangue, a primeira para se cadastrar e a segunda para efetivamente doar as células-tronco necessárias para o transplante, sem qualquer risco ou prejuízo para o doador.”

Sem riscos

O empresário jundiaiense Ricardo Benassi, de 47 anos, fez uma doação de medula óssea recentemente a um irmão. “Como meu irmão estava precisando, eu e meus outros irmãos fomos tirar sangue para fazer o teste. Somos em seis, mas só eu e mais três irmãos tinham menos de 60 anos, que é a idade máxima para doação. Dos quatro que fizeram o exame, só o meu deu 100% de compatibilidade. Dentro da família é mais fácil achar um doador compatível, mas às vezes não acha”, conta.

Ricardo diz que a doação é muito simples e não gera riscos a quem a faz. “Hoje existem dois métodos para a doação. Em um deles, você tira a medula do osso do quadril. Precisa fazer algumas extrações e é mais dolorido, mas tem anestesia. No outro método, que eu fiz, você toma uma medicação que estimula a medula a produzir mais células-tronco, então seu corpo passa a descartar essas células na corrente sanguínea. Quando isso acontece, usam um equipamento em que o seu sangue circula e separa as células-tronco em uma bolsa, como se fosse doação de plaquetas. Essa bolsa foi injetada na corrente sanguínea do meu irmão. Esse método não tem dor em nada, você só fica algumas horas conectado à máquina para a doação”, esclarece ele.

Segundo da esquerda para a direita, Ricardo Benassi fez uma doação de medula ao irmão (ao lado dele na foto) / Arquivo pessoal
Segundo da esquerda para a direita, Ricardo Benassi fez uma doação de medula ao irmão (ao lado dele na foto) / Arquivo pessoal

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