PREVENÇÃO

Sexo na terceira idade atualmente é menos tabu e mais precaução

Por Nathália Sousa |
| Tempo de leitura: 3 min
Nappy Studio / Unsplash
O afeto e o sexo continuam na terceira idade e a prevenção é um passo importante para evitar ISTs
O afeto e o sexo continuam na terceira idade e a prevenção é um passo importante para evitar ISTs

Pessoas na terceira idade estão cada vez mais ativas em diversos aspectos, e não é diferente com o sexo. No entanto, a quantidade de idosos que contraem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) vem aumentando. De acordo com o Ministério da Saúde, em um período de dez anos, houve aumento de 129% na quantidade de diagnósticos de HIV entre pessoas mais velhas. Entre 2007 e 2009, foram notificados 2.383 casos de HIV em pessoas a partir de 50 anos. Já em 2019, foram registrados 5.469 novos casos.

Geriatra, Nuria Margalef diz que há uma mudança no perfil do idoso hoje. “As pessoas estão vivendo mais, os novos 50, 60 anos são os antigos 30, 40 anos. As pessoas cuidam mais da saúde, fazem atividade física, alimentação, querem viver mais, querem manter mais a sua autonomia e junto com isso vem a vida sexual ativa. Hoje os idosos acima dos 60 anos cuidam muito mais da saúde e acabam procurando também alternativas para ter uma vida sexual ativa”, explica ela, lembrando que o uso de medicamentos para reposição hormonal e disfunção erétil ajudaram na longevidade também da vida sexual.

Para Nuria, a conscientização e informação sobre prevenção a ISTs é mais deficitária para idosos. “As instituições médicas, assim como o Ministério da Saúde, fazem muito mais apologia à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis para os jovens e esquecem de fazer uma propaganda ou falar sobre o assunto para os idosos, acreditando que os idosos não têm uma vida sexual ativa. Com isso, o idoso culturalmente também acredita que ele não está suscetível a pegar uma doença. Ele acaba tendo relações sexuais desprotegido, não usa a camisinha.”

A médica lembra que homens costumam ter mais exposição, pois as mulheres idosas tendem a ter relações sexuais apenas no matrimônio e, se ficam viúvas, não têm muitas trocas de parceiros, mas há ainda tabu sobre o sexo na terceira idade. “Muitos idosos têm vergonha de relatar problemas quanto a alterações nos seus órgãos sexuais, que podem ser indícios de doenças sexualmente transmitidas. Importante também apontar que os colegas médicos têm restrições em perguntar aos seus pacientes idosos sobre vida sexual, uso de preservativos e presença de alterações clínicas que possam estar associadas às ISTs. A informação e a prevenção são o melhor tratamento para as ISTs.”

E apesar da grande carga de medicamentos no tratamento de ISTs, os idosos têm boa resposta. “Assim como no tratamento oncológico, os idosos respondem muito bem ao tratamento e às vezes a única coisa que você precisa tomar um pouco de cuidado é reajustar a dose de acordo com a funcionalidade ou de acordo com a função renal, a função hepática, de acordo com as multimorbidades que alguns idosos podem ter.”

ACOMPANHAMENTO

Enfermeiro geriatra, Edvaldo de Toledo alerta sobre o uso indiscriminado de medicamentos, como os de disfunção erétil, mas lembra que há outros aliados para a vida sexual na terceira idade. “O homem sempre teve sua liberdade sexual ‘autorizada’ na sociedade, enquanto a mulher apenas de pouco tempo para cá está se permitindo a ter e buscar prazer após os 50 anos. Com a chegada da informação pela Internet, acesso a profissionais da saúde que também colocam em pauta a vida sexual, o público vem se permitindo frequentar sexy shop, sabe que o uso do lubrificante é um aliado no prazer e também sabe o que quer hoje.”

Edvaldo diz que, além do tabu sobre a proteção entre idosos, há insegurança. “O uso do preservativo é um tabu, mas também é uma insegurança masculina. Devemos orientar que o uso é necessário, este público é sujeito a infecções como qualquer outro. Vale ressaltar que, por falta de educação sexual no ensino médio, antigo ‘ginásio’ deste público, não sabem que todo toque é sexo, classificam como sexo apenas quando há penetração, mas sexo oral também é sexo, masturbação, também, havendo risco menor, mas ainda existente de contrair ISTs”, alerta.

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