COMUNICAÇÃO

A voz em tempos de Inteligência Artificial

Por Yasmim Dorti |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Thiago Secco explica que, com o Voice Box, é possível reproduzir uma voz humana em até seis idiomas
Thiago Secco explica que, com o Voice Box, é possível reproduzir uma voz humana em até seis idiomas

Desde os palcos até os estúdios de rádio, vozes transmitem emoção e compartilham notícias do dia a dia. De locutores a cantores, dubladores a instrutores, esses profissionais também encaram os desafios da área e o futuro com o avanço da inteligência artificial.

A discussão - assim como ocorre às profissões de ator e roteirista, entre outras - envolve a possibilidade da perda de empregos, afetados por esse recurso. Isso porque a inteligência é capaz de copiar e reproduzir a voz de seres humanos.

Em entrevista ao programa "Difusora 360", da Rádio Difusora, o jornalista, locutor e roteirista Thiago Secco explica sobre essa dinâmica. "Se vai impactar? Já está impactando. A empresa Meta lançou uma ferramenta, há alguns dias, chamada Voice Box, que precisa de dois segundos para pegar a minha voz, sintetizar, copiar e ainda fazer essa voz em seis idiomas. O grau de realismo é assustador", explicou o jornalista.

Além disso, Thiago conta como podemos ser melhores do que a inteligência artificial. "O que eu tenho que fazer é continuar lendo, estudar, continuar aprimorando o meu texto para que ele seja melhor que o texto da inteligência artificial e continuar praticando e treinando cada vez mais a minha locução para que ela seja melhor do que a voz mecanizada. Porque até agora eu disputava mercado com outros profissionais humanos e agora estou disputando o mercado com seres humanos e com a máquina", complementou Thiago.

CUIDADOS

A cantora e radialista Shirley Espíndola, 61 anos, compartilha seus cuidados com a voz. "Para uma boa voz, é necessário, primeiramente, o cuidado com a saúde do nosso organismo como um todo, pois a voz é um instrumento que faz parte da nossa fisiologia, como uma boa alimentação e tempo adequado de sono. Além disso, a prática de exercícios de respiração, aquecimento e desaquecimento antes das atividades é primordial", explica a cantora.

"Uma boa oratória é importante por trazer clareza na comunicação, engajamento do público, credibilidade, persuasão, conexão emocional, melhoria nas oportunidades profissionais, respeito e liderança. Em resumo, a oratória é uma ferramenta poderosa para influenciar, informar e inspirar os outros. Dominar essa habilidade pode fazer uma diferença significativa em sua vida pessoal, profissional e nas interações sociais", ressaltou Shirley.

Jornalista e radialista há 40 anos, Adilson Freddo, 63 anos, precisa ter alguns cuidados. "Eu tomo água na temperatura ambiente, evito ventos gelados, principalmente no peito e na cabeça, e procuro não gritar. O grito pode esgarçar as suas pregas vocais e você pode ficar momentaneamente sem voz", contou Adilson. "Eu acredito que a oratória é um dom, que depois a pessoa vai aperfeiçoando. Além disso, é preciso contar com uma boa dose de desinibição e, se for inibido, procurar fazer, por exemplo, um curso de teatro. Isso principalmente para quem fala em público", explicou o radialista.

Itamar Gonçalves, 59 anos, jornalista e radialista, está promovendo um curso para pessoas que queiram explorar o mundo da comunicação e melhorar sua oratória. "Uma boa oratória entrega uma boa comunicação, clara, eficiente e atinge os objetivos, faz toda diferença para falar em público ou até mesmo no rádio. No curso de Prática de Locução para Rádio, os alunos terão a oportunidade de aprender a ter uma boa interpretação de textos comerciais, jornalísticos, gravar comerciais e adquirir uma boa dicção. Serão aulas práticas, um curso bastante envolvente. Tais aptidões podem ser usadas também em outras profissões, como vendedores e palestrantes. Quem se comunica bem vende sua mensagem. Uma boa comunicação abre portas", conta o jornalista.

Interessados em realizar o curso, que tem vagas limitadas, podem entrar em contato: (11) 99954 5511 ou itamarsaudegon@gmail.com.

DIFICULDADES

Para Shirley, uma das dificuldades da área é a má utilização de sua voz, que pode acarretar em lesões até mesmo permanentes. "A dificuldade que eu vejo nesse ramo é a falta de informação sobre a necessidade desses cuidados levando os profissionais da voz falada e cantada ao mau uso do instrumento, resultando em problemas como lesões e danos muitas vezes irreversíveis", explicou a radialista.

Em contraponto, Adilson explica que, atualmente, a internet abriu diversas possibilidades de atuação na área. "A internet te dá a possibilidade de você montar sua própria rádio web. Mas em anos anteriores, quando comecei, até pouco tempo atrás, haviam poucos espaços, como há ainda tanto em rádio AM quanto em FM, e ali o processo de decantação, de filtragem de encontrar as pessoas para ocupar os microfones era rígido, então não era qualquer um que falava em rádio. Você tinha que ser bom, pronto para falar. Mas hoje em dia não está tão difícil, você pode montar o seu próprio canal, fazer podcast, entre outras possibilidades", explicou o jornalista.

"Como em qualquer outra profissão, é  necessário realizar sempre um trabalho de qualidade para não perder espaço", explicou Itamar.

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