A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou um esquema de furtos e lavagem de dinheiro envolvendo uma ex-gerente de banco e o companheiro dela, em Miguelópolis. Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o dentista Adilson Coelho de Paula foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de furto qualificado e lavagem de dinheiro. Os dois estão presos preventivamente desde setembro deste ano.
Inicialmente, a suspeita era de que o esquema tivesse provocado um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões aos correntistas. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou que as movimentações financeiras irregulares ultrapassaram esse valor, mas estimou em cerca de R$ 900 mil o prejuízo efetivo causado às vítimas.
Segundo a investigação, Vanessa trabalhava havia mais de 12 anos na agência bancária e se aproveitava da confiança dos clientes, principalmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, para realizar operações financeiras sem autorização.
O esquema foi descoberto depois que correntistas procuraram a delegacia para registrar boletins de ocorrência e relatar movimentações que não reconheciam em suas contas.
De acordo com a Polícia Civil, a ex-gerente realizava empréstimos, transferências, saques e depósitos indevidos. Pelo menos sete clientes foram diretamente prejudicados entre 2024 e julho de 2026.
Ainda conforme as investigações, o dinheiro desviado era utilizado em plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, com a ajuda do companheiro da investigada. Segundo a polícia, a prática tinha como objetivo ocultar a origem dos valores e reinseri-los na economia.
Adilson também teria auxiliado na ocultação de instrumentos do crime. Conforme a investigação, ele foi visto retirando da agência sacolas com documentos e informações de clientes, a pedido de Vanessa.
Em depoimento, a ex-gerente confessou os crimes, mas alegou que agiu em razão da sobrecarga de trabalho e da pressão pelo cumprimento de metas impostas pelo banco.
Ela também negou a versão apresentada anteriormente por seu antigo advogado, de que teria problemas relacionados ao vício em jogos de azar.
Já Adilson negou participação no esquema. Ele afirmou que não sabia o conteúdo dos objetos retirados da agência e que não desconfiava de que a companheira estivesse realizando os desvios.
A instituição financeira colaborou com as investigações e informou à Polícia Civil que os clientes prejudicados serão ressarcidos pelos valores desviados. A ex-funcionária foi demitida por justa causa.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado à Justiça. O Ministério Público denunciou os dois investigados por furto qualificado e lavagem de dinheiro.
Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão em regime fechado.