05 de novembro de 2026
CASO MARIA ISABEL

Laudo reforça suspeita de que Maria Isabel dopou jovens mortos


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Reprodução
Maria Isabel, o pai Milton Prado e os seus executores Rafael Rosa e Guilherme Cruz, mortos dias depois

Um novo laudo toxicológico trouxe informações importantes para a investigação das mortes de Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22, apontados como executores do assassinato de Milton de Souza do Prado, pai de Maria Isabel Oliveira do Prado, em Franca. O exame identificou a presença de duas substâncias antidepressivas no fígado de Guilherme, que, em determinadas quantidades, podem provocar forte efeito sedativo.

A informação foi confirmada pelo delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, nesta quinta-feira, 5. Segundo ele, o resultado reforça a linha investigativa de que os dois jovens teriam sido atraídos e dopados antes de serem assassinados. A suspeita é de que Maria Isabel tenha contado com a ajuda da irmã mais nova, de 14 anos, para matar os dois jovens.

De acordo com o delegado, as substâncias encontradas podem potencializar o efeito sedativo quando misturadas com bebidas alcoólicas. O resultado também é compatível com o depoimento do tio de Maria Isabel, Cláudio do Prado, que admitiu ter ajudado a descartar os corpos em Sacramento (MG).

Em depoimento à Polícia Civil, Cláudio relatou que a sobrinha teria dito que atrairia os dois rapazes, os doparia e depois os mataria. Ainda segundo a investigação, Maria Isabel teria pedido ajuda ao tio para se livrar dos cadáveres. Os exames necroscópicos apontaram que Rafael e Guilherme foram mortos com golpes de faca, provocando hemorragia intensa.

A Polícia Civil agora aguarda o resultado do exame toxicológico de Rafael. O laudo ainda não foi concluído porque depende de um exame de DNA. A expectativa é de que o resultado também ajude a confirmar se ele recebeu as mesmas substâncias antes de morrer.

O delegado afirmou que, caso seja comprovada a participação da irmã adolescente de Maria Isabel nos homicídios, ela será encaminhada à Vara da Infância e Juventude, onde poderá responder por meio das medidas socioeducativas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

As investigações sobre as mortes dos dois jovens avançam com a análise dos laudos. Paralelamente, a DIG mantém outro inquérito para esclarecer o desaparecimento de Maria Isabel, que segue sem paradeiro conhecido.

O caso

A sequência de crimes começou com o assassinato de Milton de Souza do Prado, de 44 anos, em junho deste ano, em Franca. Segundo a Polícia Civil, Maria Isabel teria contratado Rafael e Guilherme para dar um corretivo no próprio pai, mas os dois acabaram matando o homem.

Posteriormente, os jovens também foram assassinados. Os corpos foram encontrados em 9 de julho, em uma área rural de Sacramento, em Minas Gerais. A investigação aponta que Maria Isabel teria transportado os cadáveres em seu carro e contado com a ajuda do tio para ocultá-los.

O veículo utilizado no transporte foi encontrado completamente queimado às margens da rodovia João Traficante, entre Franca e Ibiraci (MG). Desde julho, Maria Isabel está desaparecida. A Polícia Civil também investiga o sequestro de familiares da jovem. Mãe, irmã e sobrinha recém-nascida da desaparecida foram mantidos em cativeiro e resgatados durante as investigações.

Na semana passada, a Polícia Civil divulgou que Maria Isabel foi submetida a uma espécie de tribunal do crime.