30 de outubro de 2026
NOVO INQUÉRITO

Dona de cativeiro agiu no sequestro de Maria Isabel, conclui DIG

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Kelly Cristina Queiroz, apontada como dona da casa que serviu de cativeiro

A Polícia Civil de Franca concluiu um segundo inquérito policial e reuniu provas que apontam a participação direta de Kelly Cristina Queiroz, moradora e locatária da residência no Jardim Aeroporto III utilizada como cativeiro da família da Maria Isabel Oliveira Prado, sequestrada em julho deste ano. A informação foi diulgada nesta sexta-feira, 30.

A investigação, conduzida pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), identificou áudios, fotografias e vídeos que, segundo a polícia, demonstram que ela não apenas tinha conhecimento do crime, como também colaborou para a manutenção das vítimas em cárcere privado.

O caso envolve Andresa de Oliveira, viúva do caseiro Milton Prado - que teria sido morto a mando de Maria Isabel -, as duas filhas e uma recém-nascida, que foram mantidas em poder de criminosos.

O sequestro teve relação com o desaparecimento de Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, 22, posteriormente encontrados mortos em Sacramento (MG). Ele teriam matado Milton Prado a mando de Maria Isabel que, posteriormente, os matou.

As vítimas foram resgatadas pela Polícia Civil em 7 de julho, quando os investigadores localizaram o imóvel utilizado como cativeiro.

Na ocasião, Kelly Cristina apresentou uma versão de que estava afastada da residência por motivos de saúde e que desconhecia a utilização do local para o crime. Ela também concedeu entrevista à imprensa, afirmando que a casa poderia ter sido invadida.

Entretanto, de acordo com o delegado Gabriel Fernando Tomaz Silva, responsável pela investigação, a investigação revelou elementos que contradizem essa versão.

"Conseguimos acesso a diversos áudios e mídias enviados pela investigada, aquela que é a dona da residência que foi usada como cativeiro. Essas mídias e esses elementos acabam evidenciando de forma clara o envolvimento direto dela com o sequestro", afirmou o delegado.

Provas em áudios e vídeos

Entre os materiais analisados pela Polícia Civil, está um áudio em que Kelly demonstra indignação com a liberação temporária das vítimas e chega a oferecer a própria residência para que elas continuassem presas.

"Tinha que ter soltado elas, não, Aninha. Podia ter deixado elas até aqui na minha casa. Tá doida (sic)? Elas vai vazar (sic), mano", diz a mulher na gravação enviada a uma das envolvidas no crime, identificada como Ana Laura.

A investigação também identificou uma fotografia das chaves da residência e um vídeo em que Kelly mostra o funcionamento da fechadura do portão. Os arquivos foram registrados em 6 de julho e, segundo a polícia, serviram para orientar o acesso ao imóvel.

Outro ponto identificado nos áudios foi o acompanhamento dos interrogatórios aos quais Maria Isabel foi submetida no cativeiro. Conforme o delegado, Kelly cobrava informações sobre o paradeiro dos dois homens desaparecidos e acompanhava o que era revelado durante as sessões de agressões e o chamado "tribunal do crime".

"Ela fica acompanhando o tempo inteiro o interrogatório da Maria Isabel e o tribunal do crime, que é realizado, o julgamento ilegal ao qual a Maria Isabel foi submetida", explicou o delegado.

A Polícia Civil também identificou uma fotografia registrada dentro do GM Classic de Maria Isabel, durante a condução da vítima, que mostra detalhes da blusa que ela vestia naquele dia.

Versão apresentada à imprensa foi questionada

Segundo o delegado, a participação de Kelly já era uma hipótese considerada pelos investigadores desde o início, principalmente porque, quando a equipe chegou ao imóvel para resgatar as vítimas, a residência estava trancada. O arrombamento foi realizado pelos próprios policiais.

O segundo inquérito foi instaurado justamente para aprofundar a apuração sobre o possível envolvimento da moradora, por meio de uma análise minuciosa dos dados digitais.

O delegado também contestou a versão apresentada por Kelly à imprensa. Segundo ele, a mulher compareceu à DIG acompanhada de uma advogada somente um dia depois do encerramento formal do primeiro inquérito e não quis prestar depoimento durante a investigação inicial.

"A versão mentirosa que a Kelly deu para a imprensa chamou a atenção. Para começar, ela não quis ser ouvida no inquérito policial. Ela veio aqui acompanhada da advogada já depois do encerramento do inquérito e ainda disse que a Polícia Civil se recusou a ouvir ela. Isso não é verdade", declarou.

Ainda conforme o delegado, os novos elementos permitiram estabelecer que Kelly teve atuação direta na restrição da liberdade das vítimas, inclusive oferecendo o imóvel e orientando como o portão deveria ser trancado e destrancado.

Kelly Cristina já havia sido indiciada no primeiro inquérito pelos crimes de associação criminosa e sequestro. Com a conclusão da nova investigação, a identificação criminal dela permanece a mesma, e o segundo inquérito será encaminhado para tramitar em conjunto com o primeiro.

Outro envolvido foi identificado

Durante a segunda etapa das investigações, a DIG também identificou uma nova pessoa que teria participado ativamente do sequestro e da manutenção das vítimas em cárcere privado.

De acordo com o delegado, esse homem recebeu instruções sobre como trancar e destrancar o portão da residência e também levou alimentos às vítimas. Ele deverá ser indiciado pelos mesmos crimes de Kelly Cristina.

Ao comentar a conclusão do trabalho, o delegado destacou a complexidade do caso e os desdobramentos das investigações. "A DIG reafirma o compromisso com a apuração isenta e a objetividade técnica dos fatos criminosos", concluiu.