27 de outubro de 2026
FALTA DE DECORO

Denúncia pede cassação do vereador Leandro Patriota em Franca

Por Leonardo de Oliveira e Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
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Desentendimento entre Murilo Gomes e Leandro Patriota, no centro de Franca

O vereador Leandro O Patriota (PL) é alvo de duas denúncias apresentadas à Câmara Municipal de Franca. Uma delas pede a cassação do mandato por suposta agressão física contra o corretor de imóveis Murilo Gomes Ferreira durante uma manifestação política na Praça da Matriz, no domingo, 18. A outra, encaminhada à Ouvidoria da Casa, aponta suposta exposição e constrangimento de uma moradora em publicações nas redes sociais.

O pedido de cassação foi protocolado na semana passada e lido na sessão desta terça-feira, 27. Leandro nega ter dado um soco no corretor, mas admite que o empurrou no peito. Sobre a denúncia envolvendo as redes sociais, afirma que não se lembra de ter feito comentários desrespeitosos e considera as acusações equivocadas.

Corretor relata empurrão e soco no rosto

Na representação que solicita a cassação, Murilo afirma que foi empurrado e atingido por um soco no rosto após questionar o vereador durante um ato político em apoio ao ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a denúncia, o corretor passava pela Praça da Matriz por volta das 16h, quando questionou os participantes da manifestação sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. Ele afirma que estava sozinho, sem símbolos partidários, e que não ameaçou os manifestantes.

Após o questionamento, teria sido hostilizado e orientado a deixar o local. Ao término do discurso de Leandro, Murilo relata que voltou a questioná-lo, desta vez sobre problemas da cidade que considerava mais importantes.

Conforme a representação, o vereador teria se aproximado fisicamente, perguntado se o corretor havia votado nele e, diante da resposta negativa, chamado o homem de “feio”.

Na sequência, Murilo afirma que foi empurrado por participantes da manifestação e que o próprio vereador teria atingido seu peito com um empurrão, seguido de um soco com a mão direita fechada no lado esquerdo do rosto.

O denunciante também relata que outro homem teria anunciado sua prisão, sob a acusação de fazer gestos obscenos contra os manifestantes, e chutado sua perna esquerda. Um boletim de ocorrência foi registrado no Plantão Policial da Delegacia Seccional de Franca no mesmo dia.

O pedido solicita que a representação seja submetida à apreciação dos vereadores e, caso seja recebida, resulte na formação de uma Comissão Processante para investigar a conduta do parlamentar.

Vereador admite empurrão e nega soco

Leandro afirmou que Murilo teria provocado os participantes da manifestação e feito gestos obscenos. Segundo o vereador, o corretor foi retirado do local duas vezes, mas retornou.

“Eu acho que ele foi muito provocativo, acho que ele deve repensar as suas atitudes. Eu jamais teria essa atitude de ir na manifestação de alguém de esquerda, peitar algum vereador, apontar o dedo, xingar e depois fazer gesto obsceno”, declarou.

O parlamentar disse que conteve o homem após um terceiro gesto obsceno e justificou a atitude pela presença de crianças e mulheres no ato.

“Eu só precisava conter ele para que ele pudesse parar de fazer gesto obsceno, porque tinha crianças e mulheres lá”, afirmou.

Leandro negou ter dado um soco e disse que poderia ter agredido o corretor no momento em que o conteve, mas optou por não fazê-lo. “Eu tenho as provas que a acusação dele é uma acusação equivocada, porque talvez ali naquele tumulto ele achou que foi eu que deu algum soco, algum tapa nele”, declarou.

O vereador afirmou que aguarda os próximos passos da tramitação para apresentar sua defesa. Murilo, por sua vez, pede a preservação das imagens das câmeras de monitoramento da Praça da Matriz e das proximidades, incluindo gravações entre 15h e 17h de 18 de outubro.

A representação também solicita que Leandro apresente os vídeos completos que afirma possuir, além da obtenção do procedimento policial e da coleta de depoimentos.

Caso o pedido de cassação não seja acolhido, o denunciante pede, alternativamente, o encaminhamento do caso ao órgão de ética da Câmara. Murilo também menciona representações anteriores contra o parlamentar, incluindo um procedimento relacionado a um episódio ocorrido em abril no Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”, arquivado por dois votos a um.

Moradora denuncia exposição nas redes sociais

A segunda representação foi apresentada pela moradora Júlia Molina Guiraldelli à Ouvidoria da Câmara. Ela afirma que foi exposta de maneira depreciativa em vídeos publicados pelo vereador nas redes sociais em 10 de outubro.

Segundo a denunciante, as gravações continham comentários ofensivos sobre suas opiniões e aparência física, provocando constrangimento público e reações de seguidores do parlamentar. Júlia cita a expressão “Mesma coisa que conversar com uma porta”, atribuída a Leandro, e afirma que menores de idade aparecem nas gravações.

A moradora relata que os vídeos foram posteriormente excluídos, mas afirma possuir cópias do material. Ela pede a investigação das publicações e a adoção de eventuais medidas disciplinares.

Questionado sobre a denúncia, Leandro disse que não sabe a quais comentários a moradora se refere e negou ter sido desrespeitoso com alguém. Ele afirmou que pode fazer comentários irônicos, mas que não tem a intenção de ofender.

“Eu nunca fui desrespeitoso com ninguém. Talvez, não sei se ela entendeu mal, pode ser que em alguns casos eu comento com ironia, eu brinco, mas é com ironia, não é desrespeitando ninguém”, declarou.

O vereador também disse que ainda não recebeu informações detalhadas sobre a acusação e que não se lembra de ter feito comentários sobre a moradora. Ele classificou a denúncia como uma tentativa de construir uma narrativa contra ele.

A representação foi encaminhada pela Ouvidoria ao órgão responsável pela análise de questões de ética e decoro parlamentar. As duas denúncias envolvem acusações distintas e deverão seguir os trâmites internos da Câmara.