O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), acusou o diretor-geral do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde), Rafael Bruxellas, de querer fazer “lacração” política. A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira, 23 de outubro, durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora.
A manifestação ocorreu após a troca de críticas entre os dois sobre os repasses federais para a saúde. Alexandre afirmou que a postura de Bruxellas pode prejudicar articulações que, segundo ele, seriam importantes para o município, a população e o próprio Governo Federal.
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Durante a entrevista, o prefeito também voltou a defender o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou apoio nas redes sociais na quarta-feira, 21. Alexandre argumentou que, caso seja eleito, o senador terá condições políticas para governar, mas afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentaria dificuldades para aprovar propostas no Congresso Nacional se conquistar um novo mandato.
“Hoje ele (Flávio) terá a mesma condição, terá a faca e o queijo na mão, que o Lula teve em 2002 e não aproveitou. E vou falar uma coisa muito sincera para você: se o Lula ganhar a eleição este ano, ele não governa, porque tem 60%, 70% contra no Congresso. Ninguém vai deixar passar absolutamente nada lá”, afirmou.
Ao justificar sua avaliação, Alexandre comparou o cenário político e econômico do início do primeiro mandato de Lula, em 2003, com a situação atual do país. O prefeito disse que o petista teria tido condições favoráveis para promover mudanças, mas não teria conseguido retirar o Brasil da miséria.
“Em 2002, o Lula tinha 60%, 70% do Congresso, ganhou a eleição, o país estava estável, organizado, estruturado, com um dinheiro forte, com um dólar baixo, com um pós-Fernando Henrique. Ele tinha a faca e o queijo na mão para evoluir o país de uma maneira espetacular. […] Ele preferiu aparelhar o Estado. Ele preferiu aparelhar e botar gente com o ideal dele, com a ideologia de esquerda dele, massificando universidades, Ministério Público, Defensoria Pública, magistrados, em tudo quanto é lugar”, disse.
Na sequência, o prefeito atribuiu aos governos petistas a intenção de ampliar a influência da esquerda na América Latina e criticou a permanência de problemas sociais no país.
“O projeto não era o país, o projeto era a esquerda dominar a América Latina em função do Fórum de São Paulo. E, por isso, ele não conseguiu fazer o país sair da miséria em que estava 20 anos atrás e continua até hoje. Até hoje ele está dizendo: ‘Eu vou fazer isso’. Cara, você está aí há 20 anos e não fez”, completou.
Ao abordar diretamente o embate com Bruxellas, Alexandre afirmou que o diretor-geral do Denasus estaria usando a discussão sobre os repasses federais para obter repercussão política às vésperas da eleição. O prefeito classificou a postura como “burrice” e “estupidez” e disse que a troca de críticas poderia dificultar o diálogo com o Governo Federal.
“Na medida em que vem dinheiro, eu dou publicidade de que o dinheiro veio, eu executo a obra, entrego para a população. Ganha a população, ganho eu, ganha o Governo (Federal) que mandou o dinheiro. Mas isso é burrice que ele (Bruxellas) está fazendo. Ele está fechando uma porta que estava aberta para fazer uma lacração por causa de uma eleição que vai acontecer agora, que vai ser decidida em função de quem gosta menos ou mais de um, e não em função de programas e projetos que alguém tenha […] Esse tipo de lacração que o Bruxellas foi querer fazer, isso é uma estupidez, isso é uma burrice”, afirmou.
Alexandre também mencionou a disputa eleitoral de 2020, quando Bruxellas concorreu à Prefeitura de Franca e recebeu 17.375 votos, terminando em quinto lugar. Na ocasião, Alexandre foi eleito no segundo turno, após disputar a votação com Flávia Lancha (PSD).
O prefeito voltou a criticar o que chamou de atuação de jovens ligados à internet e defendeu que a disputa política seja baseada em propostas e resultados apresentados à população.
“Em relação a essa lacração desses meninos aí de internet, eu achei que eles fossem mais inteligentes um pouquinho. Não é assim que ganha a eleição. Quer ganhar a eleição, faça como eu, Bruxellas e todos: propõe coisas, faça, entregue, devolva para a população. Ou venha aqui de peito aberto e diga o seguinte: ‘Fizemos isso, isso, isso, isso, não deu certo. Nós estamos mudando o rumo, caminhando de outro jeito para conseguir o objetivo que a gente quer’. É assim que ganha a eleição”, afirmou Alexandre.