O desaparecimento de Maria Isabel Oliveira do Prado, de 21 anos, chega a 108 dias nesta quinta-feira, 22. Apontada como suspeita de planejar a morte do próprio pai, Milton de Souza do Prado, de 44 anos, e investigada por possível participação nos assassinatos de outros dois jovens, ela não é vista desde 6 de julho.
O caso mobiliza a Polícia Civil de Franca e reúne três mortes, o desaparecimento da jovem, o sequestro de familiares e a localização de um veículo incendiado ligado a ela. Apesar das investigações e das prisões realizadas, as circunstâncias do desaparecimento ainda não foram esclarecidas.
Milton de Souza do Prado foi assassinado em junho, em uma propriedade rural na região de Franca, onde trabalhava como caseiro. Durante as investigações, Maria Isabel compareceu à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e, segundo a Polícia Civil, confessou ter contratado Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, para agredir o pai. Ela teria alegado que não pretendia que ele fosse morto.
Posteriormente, Rafael e Guilherme desapareceram. Os corpos dos dois jovens foram encontrados em Sacramento (MG), e a Polícia Civil passou a investigar a possível participação de Maria Isabel também nesses homicídios.
A apuração, inicialmente concentrada na morte de Milton, passou a abranger três vítimas e a participação de outras pessoas nos crimes.
Em meio às investigações, um carro utilizado por Maria Isabel foi encontrado incendiado em uma área rural entre Franca e Ibiraci (MG). A localização do veículo passou a integrar as diligências para reconstruir os deslocamentos relacionados ao caso.
O episódio acrescentou um novo elemento à apuração, mas não esclareceu o que aconteceu com a jovem após os últimos registros conhecidos.
A investigação ganhou novos contornos após o sequestro da mãe de Maria Isabel, Andresa de Oliveira, da irmã adolescente e de uma bebê recém-nascida. As três vítimas foram mantidas em cativeiro e, conforme relatos apresentados à polícia, sofreram ameaças durante o período em que permaneceram sob o poder dos sequestradores.
Segundo as informações da investigação, o grupo buscava obter informações relacionadas ao paradeiro dos dois jovens mortos. Maria Isabel foi separada dos familiares e não estava no imóvel quando a Polícia Civil localizou o cativeiro, em 7 de julho, e resgatou as três vítimas.
A partir de então, esclarecer os últimos movimentos da jovem e as circunstâncias de seu desaparecimento tornou-se um dos pontos centrais da apuração.
A investigação sobre o sequestro resultou em prisões e em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público. Entre as investigadas estava Noemi Vitória de Sousa Rosa, apontada pela Polícia Civil como uma das pessoas que teriam articulado o crime.
Em agosto, a Justiça revogou a prisão preventiva de Noemi e autorizou que ela respondesse ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. A decisão não representa absolvição, e a responsabilidade dos investigados deverá ser definida no decorrer da ação judicial.
As medidas relacionadas ao sequestro, porém, não trouxeram esclarecimentos definitivos sobre o paradeiro de Maria Isabel.
Mais de três meses após os últimos registros conhecidos, a localização de Maria Isabel permanece sem confirmação pública. A investigação busca esclarecer seus últimos passos e as circunstâncias em que desapareceu.
A sequência de acontecimentos — a morte do pai, os assassinatos dos dois jovens, o incêndio do veículo e o sequestro de familiares — mantém o caso sem respostas definitivas para a Polícia Civil de Franca e região.