O corretor de imóveis Murilo Gomes Ferreira, de 40 anos, acusou o vereador Leandro Patriota (PL) de dar um soco em seu rosto durante uma discussão na praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Franca, na tarde desse domingo, 18. O parlamentar, no entanto, negou ter dado um soco ou tapa e afirmou que empurrou o corretor no peito após um desentendimento durante uma manifestação.
Murilo registrou um boletim de ocorrência na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca.
Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, Murilo contou que voltava para casa quando passou pela Praça da Matriz, onde ocorria uma manifestação a favor do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o vereador utilizava equipamentos de som para discursar. O corretor afirmou que questionou os participantes sobre a possibilidade de o Brasil ser “entregue” aos Estados Unidos.
“Eu perguntei: ‘vocês vão entregar o país de graça aos Estados Unidos?’”, relatou.
Murilo disse que também perguntou aos manifestantes se eles já estariam estudando inglês. Ainda conforme o corretor, ele esperou o discurso de Leandro terminar e questionou se o parlamentar não deveria estar cuidando de questões relacionadas à cidade.
Segundo Murilo, o vereador teria perguntado se ele havia votado nele. O corretor afirmou que teria respondido que não havia jogado o voto no lixo e que a discussão se intensificou com a participação de outras pessoas.
Ele relatou que um homem teria se aproximado, perguntado e o acusado de ser de esquerda. Murilo disse que teria tentado se afastar e que, depois de um gesto obsceno feito por outra pessoa, respondeu com um gesto semelhante.
O corretor afirmou que, nesse momento, parte dos manifestantes teria avançado em sua direção e Leandro teria se aproximado por trás da multidão.
“Ele veio por trás da multidão e deu um soco com a mão direita no lado esquerdo do meu rosto”, afirmou.
Murilo disse que não teria revidado e teria se afastado em direção à Catedral. Ainda conforme sua versão, outro homem, mais velho, teria lhe dado voz de prisão sob a alegação de que ele teria feito um gesto obsceno. O corretor afirmou que, em seguida, esse homem teria chutado sua panturrilha.
Ele disse que também não teria reagido a essa segunda agressão. Murilo afirmou que conhece Leandro desde 2017 e que os dois têm posicionamentos políticos diferentes.
Após o episódio, o corretor procurou a polícia para registrar a ocorrência. Ele afirmou que pretende acionar o Comitê de Ética da Câmara Municipal, solicitar imagens de câmeras de segurança da região e tomar as medidas cabíveis.
Leandro apresentou outra versão sobre o desentendimento para o GCN. Segundo o vereador, a manifestação ocorria de forma tranquila, e os participantes organizavam os equipamentos de som quando Murilo teria se aproximado e começado a ofendê-lo.
O parlamentar afirmou que o corretor o chamou de “vereador vagabundo” e disse que ele deveria estar trabalhando. Leandro relatou que respondeu que era domingo e que participava de uma manifestação em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Segundo o vereador, Murilo teria continuado a xingá-lo e a falar em tom alterado. Leandro afirmou que teria tentado afastá-lo dos demais participantes porque temia que alguém perdesse a paciência e o agredisse.
O parlamentar disse que teria conduzido Murilo até as proximidades de um semáforo e de uma loja de som e pedido que ele deixasse o local.
“Eu fui levando ele até ali perto do semáforo. (…) Falei para ele: ‘cara, vai embora, você vai arrumar confusão aqui’”, contou.
Leandro afirmou que, depois de se afastar e virar de costas, teria visto Murilo fazer gestos obscenos em direção aos manifestantes. Segundo o vereador, o corretor estaria apontando para as pessoas e colocando a mão na região genital. Ele disse que havia mulheres e crianças no local e que considerou a atitude desrespeitosa.
Por esse motivo, segundo Leandro, ele voltou até Murilo e o empurrou no peito.
“Só dei um empurrão no peito dele, porque ele estava fazendo um gesto obsceno com o órgão genital para as mulheres e as crianças que estavam lá”, afirmou.
O vereador negou ter dado um soco ou tapa. Ele disse que, depois do empurrão, teria voltado para a manifestação e não teria acompanhado o que aconteceu com Murilo.
“Eu virei as costas e fui lá ficar na manifestação. Depois, não vi o que aconteceu com ele”, declarou.
Leandro afirmou que não conhecia Murilo e que, inicialmente, pensou que ele participava da manifestação. O parlamentar também disse acreditar que o corretor foi ao local para provocar os participantes por causa de divergências políticas.
O vereador afirmou que pretende registrar um boletim de ocorrência e pedir que a polícia apure a alegação de gestos obscenos. Também disse que buscará outras gravações feitas por pessoas que estavam na praça para apresentá-las às autoridades.