13 de outubro de 2026
POLÍTICA

Flávio participa de missa e diz que vai visitar Bolsonaro terça

Por Carolina Linhares | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Joédson Alves/Agência Brasil

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi a uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida na Catedral de Brasília e afirmou, nesta segunda-feira (12), que vai visitar seu pai, Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (13).

Será o primeiro encontro desde julho, quando as visitas de Flávio a Jair foram suspensas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes -o magistrado voltou a liberá-las nesta segunda. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

"Estou muito feliz que o Dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça", disse Flávio à imprensa.

O candidato se recusou, porém, a responder se irá participar, no Senado, da votação do fim da escala 6x1, prevista para quarta (14). Flávio tem evitado se posicionar a favor da medida, defendida pelo governo Lula (PT) e que tem apelo popular a duas semanas do segundo turno da eleição.

Como as visitas a Bolsonaro estão restritas às quartas e sábados aos familiares e a dias úteis aos advogados, Flávio afirmou que não poderia visitar Bolsonaro nesta segunda, que é feriado nacional, e portanto iria nesta terça pela manhã. Flávio também está cadastrado como advogado do pai.

Questionado a respeito de falar com Bolsonaro sobre a campanha e pedir conselhos a ele, Flávio afirmou que tem que tomar cuidado com essa resposta "porque qualquer coisa é usada contra ele [Bolsonaro]". "Vou conversar na qualidade de filho", disse apenas.

Flávio disse estar ansioso pelo reencontro e afirmou que a proibição de Moraes não teve "humanidade" e "amparo legal". O senador declarou que o ministro teve "apenas o intuito de separar um líder político de quem está concorrendo à Presidência da República e separar um pai de um filho, que eu acho mais grave".

O filho mais velho do ex-presidente disse ainda esperar que o pai esteja feliz e quer ver "como está o ânimo dele com tudo que aconteceu".

Apesar de ser evangélico, Flávio decidiu comparecer à missa em homenagem à padroeira do Brasil como um aceno aos católicos após a polêmica com a santa que marcou a reta final do primeiro turno. A comunidade católica demonstrou preocupação com a promessa do candidato de decretar que o país é de Jesus Cristo se eleito, e passaram a circular afirmações falsas de que Flávio removeria Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira.

Flávio chegou a acusar a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de ajudar o PT a disseminar a fake news, mas depois voltou atrás.

Ao sair da missa, uma das atividades das Festividades da Padroeira na capital federal, Flávio disse que o ambiente foi acolhedor e que respeita a fé de milhões de brasileiros. "Somos todos cristãos. [...] Está nas mãos de Deus o futuro da nossa nação", afirmou.

Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda, do vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), da conselheira econômica Daniella Marques (PL) e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), que entrou com a imagem de Nossa Senhora no local.

Todos eles foram saudados nominalmente pelo padre Agenor Vieira durante a homilia, quando Flávio foi chamado pelo celebrante de querido. Flávio não foi vaiado, tampouco aplaudido pelos presentes. O padre disse que Flávio, a quem qualificou como senador e candidato à Presidência da República, era bem-vindo na igreja.

Flávio rezou o Pai-Nosso, mas não o Credo. Ele também apontou o celular para o QR Code no momento da oferenda para fazer um pagamento.

Ao chegar à catedral cercado dos aliados e de seguranças, Flávio causou alvoroço e espanto entre os fiéis. Parte do público se levantou para tirar fotos com o senador. Membros de uma família comentaram que deveriam ter ido ao local de vermelho em apoio a Lula e reclamaram do que chamaram de hipocrisia de Flávio. Outros o chamaram de futuro presidente.

Na entrada da imagem de Nossa Senhora, Simone Marquetto, aliada de Flávio, parou um instante e exibiu a santa ao candidato, sentado na primeira fileira. Flávio e a esposa sorriram levemente, enquanto Daniella chorava e cantava.

Já na homilia, o padre Agenor Vieira voltou a mencionar a presença de Flávio e afirmou que Maria é a mãe de todos e que as diferenças entre as pessoas são "uma maravilha".

"Flávio [...] e sua equipe e todos os outros que se fazem presentes nos mostram que Maria quer todos irmãos. Deus, quando lá de cima nos olha, vê todos como filhos, todos somos filhos. As diferenças existentes entre nós não são para nos dividir, mas é para nos somar", disse.

O padre também rezou especificamente "pelos governantes que vão tomar posse em janeiro aqui no Distrito Federal e também no cenário nacional", pedindo que eles "possam, a exemplo de Maria, ser instrumento de paz, instrumento de harmonia, instrumento de Deus para toda a humanidade, de modo especial nosso país".

Desde a entrada na catedral, o público na missa foi orientado a não fazer vídeos e fotos da celebração.