Já ouviu dizer que a morte é uma sábia conselheira? Acredito muito nisso, pois, pensemos: se soubesse que morreria em duas semanas, o que escolheria fazer? Provavelmente, o que gostaríamos de fazer não caberia em tão pouco tempo, porém, já pensaram que não temos controle do dia de nossa partida? O que nos resta, então, é viver de forma sábia o tempo que temos agora.
Não pensemos em nossa morte, mas em como viver melhor o tempo que ainda temos. Importante valorizar o tempo vivido, a história que foi possível viver até agora, para termos, inclusive, condições de melhor escolher o que desejamos para o futuro. Para isso é necessário uma constante aprendizagem sobre a natureza humana, sobre quem somos e o que desejamos no mundo.
Certamente, se tivéssemos duas semanas de vida, não utilizaríamos para obter mais recursos financeiros e materiais, mas o aproveitaríamos para nos reconciliar com outros, para dizer de amor, de amizade, de alegria, de contentamento. Aproveitaríamos para vermos o espetáculo da natureza: os pores do sol, os pássaros, a natureza selvagem pulsando em vida; ou talvez, nos contentaríamos em ouvir a voz de alguém que amamos a nos dizer “bom dia”.
Ao avaliar nosso tempo vivido, perceberemos quantos momentos de superação já experimentamos, quanto já alcançamos em nossa história e se, porventura, estivermos diante de algo que nos amedronta, veremos que viver é superação e ninguém tem o controle sobre o que acontecerá amanhã. O tempo que passou, nossas experiências, nos levam a compreender onde já chegamos e para onde poderemos seguir.
José Antônio Pereira é psicólogo e membro da Academia Francana de Letras; Marília Gabriella R. Peres é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo