05 de outubro de 2026
FEDERAL

Após 20 anos, Franca volta à Câmara e Cortez promete voz regional

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Guilherme Cortez (Psol), eleito deputado federal, durante entrevista à Rádio Difusora nesta segunda-feira

Depois de duas décadas sem representante próprio na Câmara dos Deputados, Franca volta a ter voz em Brasília (DF). E o novo deputado chega com um diagnóstico duro sobre a cidade. “Eu acho que Franca hoje vive uma crise de perspectiva de futuro”, disse Guilherme Cortez (Psol), eleito deputado federal com 275.450 votos.

A declaração foi dada nesta segunda-feira, 5, em entrevista exclusiva ao programa “A Hora É Essa!”, da Rádio Difusora, apresentado por Corrêa Neves Jr. Durante a conversa, o parlamentar eleito disse que vai representar toda a região no Congresso Nacional, inclusive os eleitores que não votaram nele. Também tratou do cenário nacional diante de uma reeleição de Lula (PT) ou de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), além dos rumos da esquerda.

O último deputado federal eleito por Franca havia sido Dr. Ubiali, em 2006, com mandato de 2007 a 2010. Mais tarde, como suplente, ele voltou temporariamente à Câmara. Cortez diz ter consciência do peso que herda. “Eu entendo que a minha responsabilidade se amplia agora para ser o único representante da nossa região no Congresso Nacional”, afirmou. 

Para ele, a cadeira em Brasília é o primeiro passo para reabrir canais com o governo federal e os ministérios. “Retomar uma voz em Brasília, por onde passam todos esses temas, é um primeiro passo importante.”

Agenda para a região

Passado o segundo turno, Cortez pretende se reunir com os prefeitos da região para levantar os convênios prioritários de cada município. Para Franca, ele já definiu três frentes de trabalho: garantir a liberação dos recursos para as obras antienchente, ampliar o financiamento da saúde e buscar formas de reduzir os efeitos do tarifaço sobre a indústria calçadista.

O deputado eleito afirma que a crise do calçado se transformou numa crise de identidade da cidade, que precisa “reencontrar a nossa vocação”. A saída que ele defende é a reindustrialização, com atenção às questões ambientais e ao potencial brasileiro em terras raras. 

“Eu acredito muito na industrialização, porque eu acho que, para o Brasil ser um país desenvolvido, a gente tem que quebrar a lógica de 500 anos, desde a nossa colônia, de que o papel do Brasil e dos países do Sul Global é exportar commodities e matéria-prima barata para fora”, afirmou. 

A “chaga” do tarifaço 

Entre as prioridades, o tarifaço é o mais urgente. Cortez o define como “a principal chaga que aflige a nossa indústria”. Ele contou ter visitado fábricas durante a campanha e encontrado empresas que precisaram demitir metade dos funcionários por causa da medida.

Base do governo, não oposição

Sobre o papel que pretende ter no Congresso, Cortez foi direto. Ele torce pela reeleição de Lula e quer integrar a base do governo petista, onde acredita que poderá “trazer e fazer muito mais” pela região. “Eu não quero ser deputado de oposição do governo Flávio Bolsonaro. Quero ser um deputado da base do governo Lula”, disse. 

Para o deputado eleito, o resultado do primeiro turno obriga a esquerda a mudar de estratégia. Ele acha que já não basta mostrar as realizações do governo e que o campo progressista precisa falar com o eleitorado mais jovem. “A esquerda precisa dialogar com essa geração.”

Cortez comentou também o desempenho de candidatos da direita no Estado de São Paulo, e em especial em Franca. Citou Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal com 3.038.438 votos, e Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual com 1.956.238 votos. Ele questionou a escolha por candidaturas que, segundo ele, não apresentam propostas para os problemas concretos da cidade. Ressalvou, porém, que respeita o voto de cada eleitor e defendeu que a esquerda procure entender por que parte dos jovens se identifica com esses discursos. 

Vínculo profundo com Franca

Morador de Franca há dez anos, Cortez disse que continuará vivendo na cidade durante o mandato. “Eu sou um deputado de Franca que vai atuar representando a nossa região no Congresso Nacional, representando todas as pautas que eu sempre defendi, uma responsabilidade nacional, mas sempre do ponto de vista da cidade onde eu escolhi morar.” 

O mandato de deputado estadual, cargo que ele ocupa hoje, termina em 31 de janeiro. A posse na Câmara dos Deputados será em 1º de fevereiro.