A Escola Estadual "Professor Michel Haber", em Franca, iniciou uma campanha de conscientização e prevenção ao neurobullying, conceito desenvolvido pelo pesquisador francano Adriel Cunha durante sua pesquisa de doutorado sobre neurodiversidade, educação, promoção da saúde e direitos acessíveis.
A ação foi lançada na quinta-feira, 1º de outubro, com uma palestra conduzida pelo pesquisador para estudantes, professores e equipe gestora da unidade. Durante o evento, também foi realizada a entrega do exemplar número 1 do livro Manual TEA+: Identificando Sinais, Direitos e Neurobullying, além da apresentação de materiais educativos voltados à conscientização e ao enfrentamento desse tipo de violência.
Segundo os organizadores, a proposta é aproximar a pesquisa acadêmica da realidade escolar e ampliar o debate sobre inclusão, respeito às diferenças e prevenção de situações de exclusão envolvendo pessoas neurodivergentes.
O conceito de neurobullying integra a tese de doutorado de Adriel Cunha, intitulada Construção de um Projeto de Estado Inclusivo para Pessoas Autistas e Demais Pessoas Neurodivergentes: Educação, Promoção da Saúde e Direitos Acessíveis. O estudo reúne discussões sobre inclusão, direitos, educação e políticas públicas voltadas à neurodiversidade.
De acordo com o pesquisador, que também é autor da Agenda TEA+2040, a sistematização de uma nomenclatura específica pode ajudar a dar visibilidade a situações que muitas vezes passam despercebidas.
“Se uma palavra ajuda uma pessoa a reconhecer algo que antes ela não conseguia nomear, ela também pode abrir espaço para uma conversa que antes não acontecia. O primeiro passo para prevenir o bullying é a conscientização, o respeito e a capacidade de perceber aquilo que está acontecendo”, afirmou.
Além de apresentar informações sobre diferentes neurodivergências e direitos relacionados ao tema, o manual traz orientações para identificação de sinais, encaminhamento para avaliação especializada e propostas de prevenção e enfrentamento do neurobullying.
A publicação também reúne sugestões de projetos de lei e diretrizes que, segundo o autor, podem servir de base para discussões em diferentes municípios, estados e países.
A diretora da Escola "Michel Haber", Katieli Fonseca, destacou a importância de aproximar o debate sobre inclusão da rotina escolar.
“A escola é um dos espaços em que as políticas públicas deixam de ser apenas documentos e passam a acontecer na vida das pessoas. Discutir políticas de prevenção e combate ao neurobullying amplia essa conversa e nos ajuda a perceber situações que podem passar despercebidas no cotidiano escolar”, afirmou.
Segundo os organizadores, a iniciativa pretende colocar os estudantes no centro das discussões sobre neurodiversidade, valorizando experiências e promovendo reflexões sobre respeito, convivência e inclusão.
A expectativa de Adriel Cunha é ampliar o alcance do material. A meta é que o Manual TEA+ seja traduzido e encaminhado a órgãos governamentais e instituições educacionais de mais de 100 países ainda em 2026.
“Tenho a esperança de que esse trabalho possa ultrapassar as fronteiras de Franca e do Brasil e chegar a outras pessoas e culturas. Se esse conhecimento puder contribuir para que uma pessoa ou uma família compreenda melhor o neurobullying e encontre caminhos para buscar ajuda, já terá valido a pena”, afirmou.