02 de outubro de 2026
PAI INDICIADO

Filha mais velha de Tatiane fica com a guarda dos irmãos

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
WhatsApp/GCN
Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, cuja morte, em 20 de abril de 2025, é investigada

A Justiça concedeu a guarda definitiva dos filhos de Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, professora e orientadora educacional de 42 anos que morreu em Franca, à irmã mais velha das crianças, também filha de Tatiane. A informação foi confirmada ao GCN por Fabiana Cintra, irmã da vítima.

Segundo Fabiana, com a decisão, o pai das crianças, William Ferreira Cardozo, de 40 anos, poderá manter contato com os filhos apenas por chamadas de vídeo, às quartas-feiras e aos sábados, durante 30 minutos em cada dia. Não foram autorizadas visitas presenciais.

A definição da guarda é mais um desdobramento envolvendo a família de Tatiane, que morreu em 20 de abril de 2025. A Polícia Civil concluiu a investigação da morte com o indiciamento de William por feminicídio. O caso foi encaminhado à Justiça e ele responde em liberdade.

“Não teve direito, não. A única coisa que o pai teve é continuar com a visita virtual, né? É dia de quarta e dia de sábado, meia hora cada chamada de vídeo. Meia hora na quarta e meia hora no sábado. Pessoalmente ele não tem direito nenhum”, afirmou Fabiana.

Guarda dos filhos já era discutida pela família

A situação das crianças já havia sido relatada pela família em entrevista ao GCN. Segundo os parentes, inicialmente elas permaneciam uma semana com o pai e outra com familiares maternos.

Fabiana afirmou que a situação mudou depois que a criança mais nova passou a demonstrar resistência em retornar para a casa do pai e, posteriormente, teria aparecido com ferimentos.

“Principalmente a criança menor, quando tinha o dia que a gente tinha que devolver pro pai, a criança não queria ir. Depois, ela começou a aparecer pra nós machucada”, relatou anteriormente.

Ainda segundo a família, em uma das situações foi registrado boletim de ocorrência e realizado exame de corpo de delito. A criança teria relatado às autoridades que sofria agressões praticadas pela companheira do pai.

Os familiares haviam informado que a guarda passou temporariamente para uma integrante da família. Agora, segundo Fabiana, a Justiça definiu que os filhos de Tatiane ficarão definitivamente sob os cuidados da irmã mais velha.

Morte de Tatiane terminou com marido indiciado

Tatiane foi encontrada morta em casa em 20 de abril de 2025, depois de participar de um churrasco em família. Inicialmente, a causa da morte foi apontada como broncoaspiração.

Diante das suspeitas apresentadas pelos familiares, a Justiça autorizou a exumação do corpo para a realização de novos exames. Segundo informações da investigação, as análises não identificaram substâncias que indicassem envenenamento.

A família, porém, passou a questionar o que teria provocado a broncoaspiração. Em entrevista ao GCN, Fabiana afirmou que Tatiane não apresentava, segundo os parentes, problemas de saúde antes da morte.

“Minha irmã era saudável, totalmente saudável”, disse.

Durante a investigação, familiares apresentaram à reportagem áudios e imagens que, segundo eles, teriam sido enviados por Tatiane a uma amiga antes da morte. Em um dos áudios, a professora teria relatado uma agressão atribuída ao marido e descrito uma pressão no pescoço durante uma discussão.

A família também apresentou documentos produzidos durante a investigação que registram pesquisas feitas no celular atribuído a William. Segundo documento assinado pelo delegado Davi Abmael Davi, o aparelho registrou, em 19 de abril de 2025, buscas por termos relacionados a produtos perigosos e à compra de veneno.

O material também aponta pesquisas realizadas em 8 de abril relacionadas à combinação de medicamentos, álcool e à planta conhecida como “comigo-ninguém-pode”.

Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou William por feminicídio e encaminhou o caso à Justiça. Segundo o delegado responsável pela investigação, foram reunidos indícios de que ele seria responsável pela morte, mas não havia, naquele momento, elementos considerados suficientes para um pedido de prisão.

Defesa nega envolvimento na morte

William prestou depoimento na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca em 10 de setembro.

A defesa, representada pela advogada Letycia Antinori, afirmou na ocasião que ele compareceu para apresentar sua versão dos fatos e sustentar sua inocência.

“William veio trazer os fatos, a sua versão de tudo que aconteceu e demonstrar a sua inocência”, afirmou a advogada.

Segundo a defesa, a causa da morte apontada pelo Serviço de Verificação de Óbito foi broncoaspiração. A advogada também informou que o relatório da investigação está sob sigilo judicial e, por isso, não poderia comentar detalhes do procedimento.

Família comemora decisão

Fabiana classificou a concessão da guarda definitiva como uma vitória da família. Ela afirmou não saber se William recorrerá da decisão.

“Se ele vai recorrer eu não sei, né? Para agora, para recorrer essa segunda instância”, disse.

Ao comentar a permanência definitiva das crianças com a irmã mais velha, Fabiana comemorou: “Ele perdeu, foi definitivo que veio. Graças a Deus, vitória”.