Um adolescente de 16 anos foi internado provisoriamente após ser investigado por ameaças contra autoridades, crianças de uma creche e por extorsão, em São Joaquim da Barra, a 60 km de Franca. A informação foi divulgada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) nesta segunda-feira, 28.
Segundo o MPSP, o adolescente teria enviado mensagens eletrônicas entre junho e setembro deste ano. Entre os alvos estavam o prefeito Wagner José Schmidt (MDB), um vereador, um delegado de polícia aposentado e uma creche mantida por uma organização da sociedade civil.
Em junho, de acordo com a Promotoria, o adolescente teria enviado mensagens com ameaças de morte, tortura e violência sexual contra o prefeito e familiares dele. Também teria mencionado a possibilidade de utilizar explosivos e realizar ataques a tiros.
Em outra mensagem, enviada a um vereador, o adolescente teria feito ameaças contra o agente público e familiares. Na mesma comunicação, segundo o Ministério Público, houve ofensas de cunho racial contra a mãe do vereador.
Ainda conforme a investigação, o adolescente teria exigido R$ 20 mil de um delegado de polícia aposentado para não cometer violência contra a filha dele. A mensagem teria estabelecido prazo para o pagamento e informado uma chave Pix.
Para pressionar pelo pagamento, ele teria feito ameaças contra o homem e seus familiares.
Em setembro, o adolescente teria enviado uma mensagem com ameaça de ataque armado contra crianças de uma creche. Segundo o MP, ele afirmou que entraria no local e atiraria contra as pessoas.
A mensagem teria sido intitulada “banho de sangue” e acompanhada por imagens de uma arma de fogo e do adolescente usando uma máscara de caveira, além de uma bandeira nazista ao fundo.
A investigação apontou características semelhantes entre as mensagens, como expressões específicas e um mesmo padrão de linguagem. Segundo o Ministério Público, esses elementos ajudaram a vincular as comunicações ao adolescente.
O MPSP apresentou à Justiça uma representação por atos infracionais análogos aos crimes de ameaça e extorsão, além de condutas previstas na Lei do Racismo.
O processo tramita em segredo de Justiça. Conforme informado pelo Ministério Público, a Justiça determinou a internação provisória do adolescente, que está na Fundação Casa.
O caso seguirá para audiência de instrução e julgamento, que deverá ocorrer em até 45 dias. Nessa etapa, será analisado o mérito da representação.
Até o momento, o Ministério Público não divulgou imagens relacionadas diretamente ao caso.