25 de setembro de 2026
SOLIDARIEDADE

Franca registra 68 autorizações para doação de órgãos

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Divulgação/Ministério da Saúde
Profissionais de saúde em um ambiente hospitalar transportando uma caixa térmica destinada ao envio de tecidos ou órgãos biológicos

Mais de 60 pessoas em Franca já utilizaram a Aedo (Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos) para manifestar formalmente a intenção de serem doadoras. São 68 solicitações registradas no município desde a criação do serviço, em 2024. O número ganha destaque às vésperas do Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro.

Em todo o Estado de São Paulo, 9.399 solicitações de Aedo já foram realizadas. O estado concentra o maior número de manifestações no país, seguido por Paraná, com 3.818; Rio de Janeiro, com 2.930; Minas Gerais, com 2.172; e Rio Grande do Sul, com 2.012.

A autorização já registra solicitações em todas as unidades da Federação. A ferramenta permite que o cidadão deixe registrada formalmente sua vontade de doar órgãos, tecidos ou partes do corpo.

Mais de 49 mil pessoas aguardam transplante

A mobilização ocorre em um cenário de alta demanda por transplantes no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados neste mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Desse total, cerca de 45 mil esperam por um rim.

A fila por uma córnea também reúne milhares de pacientes. Segundo levantamento do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), são 37.719 pessoas à espera do transplante, número 15% superior ao registrado em dezembro de 2025.

Um dos principais desafios para ampliar as doações é a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância dos familiares, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

A taxa média de recusa familiar está próxima de 45%. Entre os motivos apontados estão o desconhecimento da vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

Registro pode ser feito pela internet

Criada pelo CNB/CF (Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a Aedo é gratuita e totalmente digital.

A ferramenta permite indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo a pessoa deseja doar. A autorização também pode ser revogada a qualquer momento.

“São Paulo concentra a maior quantidade de manifestações do país. O dado mostra a capacidade de alcance da Aedo, mas também reforça que ainda há muito espaço para informar a população e estimular conversas familiares capazes de transformar intenção em doação efetiva”, afirma Ana Paula Frontini, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seccional São Paulo (CNB/SP).

Como fazer a autorização

O procedimento é realizado pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche os dados e escolhe um Cartório de Notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmação da identidade e da vontade de doar. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, onde pode ser consultado por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

Todo o processo pode ser realizado de casa, sem necessidade de comparecimento presencial ao Cartório.