Você já observou uma semente? Quase sempre pequenina e aparentemente inerte e desprovida de encantos aos olhos que se detêm na superfície. Porém, ao ser depositada no útero da terra, o milagre da vida acontece e todo potencial, antes retido, agora floresce em bênçãos incontáveis!
É verdade que até o multiplicar das dádivas, longos períodos de tempo transcorrem, até que esteja pronta, pois ser si mesma é uma aprendizagem trabalhosa. Primeiramente, é necessário compreender as dores do nascimento, as travessias solitárias que tantas vezes precisamos empreender e, nelas, enfrentar nossos medos e descobrir nossa força.
Vencida a casca dura, com a qual nosso ser se defende e se protege, e superados os imperativos do solo, que simbolicamente nos serve de esconderijo, teoricamente estamos aptos a crescer em direção ao sol do conhecimento, que gradativamente nos liberta da influência das ervas daninhas, que podem minar nosso bom ânimo. E, de consciência desperta, vamos tendo mais coragem para aceitar e assumir quem somos e, assim, espalhar novas sementes. E sabendo que de uma semente, infinitos frutos se desprendem, cabe então questionar, com olhos para o porvir: Que tipo de sementes temos dispersado?
José Antônio Pereira é psicólogo e membro da Academia Francana de Letras; Marília Gabriella R. Peres é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo