Turismo regional, disputa por recursos no orçamento do Estado e críticas ao programa de privatizações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Essas são algumas das posições defendidas pelo candidato a deputado estadual Marcos Ferreira, do PSB, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, promovida pelo Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de defender o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026.
Durante a sabatina, Marcos Ferreira defendeu que Franca seja fortalecida como polo receptivo para o turismo da região e afirmou que pretende concentrar suas emendas parlamentares na saúde. O candidato também criticou o valor das emendas, que classificou como “migalha” diante do orçamento estadual, defendeu o aumento do efetivo e a valorização dos policiais e disse ser contra escolas cívico-militares. Marcos ainda criticou as privatizações realizadas no Estado, defendeu a manutenção das câmeras corporais dos policiais e afirmou que faltou “relevância política” aos atuais representantes de Franca na Assembleia Legislativa.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, Portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com Marcos Ferreira pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A transcrição da sabatina do candidato a deputado estadual Marcos Ferreira, do PSB, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Olá. Hoje, na série de sabatinas que a gente promove dentro do Franca Tem Voz com os candidatos a deputado estadual e federal que tenham base eleitoral na região de Franca, é dia de conversar com o Marcos Ferreira, ex-prefeito de Patrocínio Paulista, advogado, 54 anos, pai de duas meninas, divorciado, que tem uma longa trajetória política e agora quer ser deputado estadual. Marcos, é um prazer ter você aqui. Por que você quer ser deputado estadual nesse momento?
Marcos Ferreira - Obrigado, Júnior. Uma honra estar aqui com a Acif, o GCN e as demais empresas consorciadas nesse projeto. Parabéns pela iniciativa. Eu penso em estar deputado estadual porque acredito que, diante da caminhada que nós fizemos até aqui, nós temos condições de representar bem Franca e a região de Franca. Porque nós entendemos que, quando nós estivemos no Comam (Consórcio de Municípios da Alta Mogiana), quando nós estivemos no Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí-Mirim, nós tivemos conhecimento desse território que é composto pelas 23 cidades da região de Franca. E, portanto, eu acredito que nós podemos contribuir. Essa candidatura e esse mandato podem contribuir com o desenvolvimento econômico, social e a sustentabilidade de todo esse território.
Corrêa Jr. - Você, dentre as suas propostas, fala muito em turismo, né? E você fala em Franca ser a porta de entrada para a Serra da Canastra, desenvolvendo aí o turismo da região toda a partir desse eixo, vamos chamar assim. Como é que isso funcionaria na prática?
Marcos Ferreira - Na verdade, eu penso Franca como receptivo, porque, das cidades da região, Franca tem uma possibilidade hoteleira maior que as outras cidades, tem a possibilidade de alavancar a demanda por voos e aí poder facilitar com que haja efetivamente utilização do nosso aeroporto. Então, precisa criar essa demanda. Nós entendemos que não é só a entrada para a Canastra, (entendemos) que Franca pode desenvolver essa indústria do turismo, porque a indústria do turismo é uma das que mais vai crescer e que mais cresce no Brasil. E penso que Franca tem esse filão porque não é só a Canastra. Tem o Mar de Minas, que é a Rifaina e Delfinópolis, que, saindo para Ibiraci, logo está em Delfinópolis, que logo também tem a Serra da Canastra. Mas nós temos o Cândido Portinari, nós temos o Bassano Vaccarini, que é em Altinópolis, nós temos a própria Pedregulho, que tem o Bom Jesus, temos…
Corrêa Jr. - Parque Estadual, né?
Marcos Ferreira - Parque Estadual. Temos turismo de ecoturismo, temos turismo rural, quer dizer, essa região é muito rica no aspecto ambiental, no aspecto geológico, inclusive. Quando eu estive prefeito, a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo tinha um projeto muito interessante, que era a questão de turismo de pássaros, de fotografar pássaros, que é um filão do turismo que muitos estrangeiros vêm em busca de pássaros para fotografar. Então, nós temos esse bioma para isso. Quando eu digo nós, a região de Franca.
Corrêa Jr. - Mas aí, quando você fala, o que o deputado poderia fazer por isso?
Marcos Ferreira - O deputado pode fazer a questão de desenvolver, a partir do Desenvolve SP, financiamento, recursos através de fomento para facilitar as empresas a buscar esse filão e desenvolver efetivamente esse filão e buscar a parceria com os prefeitos da região para que os municípios adotem também essa indústria.
O Ademir da Nena... E eu fico feliz porque eu pude contribuir com o fato de que Franca integrasse o roteiro do Caminho da Fé. Então, começa na Capelinha. Todos nós aqui de Franca conhecemos a Capelinha, que, inclusive, está muito bonita. Foi feita uma restauração, e eu sugiro que as pessoas visitem a Capelinha, porque está um local bonito e agradável de se ver. Inclusive, tem essa rota de turismo. Eu penso que tinha que avançar nessa questão do turismo aqui em Franca e na região de Franca, e Franca ser o receptivo disso.
Corrêa Jr. - Como deputado estadual, caso seja eleito, você vai ter R$ 10 milhões em emendas impositivas por ano. Metade tem que ir para a saúde, outra metade pode ir para outras áreas. Para onde vai esse dinheiro? A área de saúde para onde você mandaria, em linhas gerais, e o que não é saúde iria para que tipo de iniciativa ou projeto?
Marcos Ferreira - Júnior, eu penso que um deputado estadual não pode viver só da questão das emendas, mas, já que você perguntou das emendas especificamente, os R$ 5 milhões eu ia trabalhar para melhorar a questão de leitos na nossa região.
Corrêa Jr. - Você acha que o hospital não vai resolver? O Hospital Estadual?
Marcos Ferreira - O hospital? Então, por isso que eu digo que a emenda é só um detalhe, porque eu penso que, na verdade, o que tem que se fazer como deputado estadual é a disputa do orçamento. Essa, para mim, é a grande função no que se refere à questão de recursos. Porque emenda para deputado, eu continuo entendendo que é migalha. R$ 10 milhões por ano é migalha para uma região de 23 cidades. Então, o que um deputado que representa uma região precisa estar focado? Disputa do PPA, disputa da lei orçamentária. Tem que fazer isso. E como que se faz isso? Sendo atuante dentro da Assembleia Legislativa, mobilizando a sociedade civil dessas 23 cidades da região e tendo, além da mobilização, buscar com que as pessoas entendam a importância de elas participarem do processo de decisão.
Corrêa Jr. - Mas a migalha precisa ser distribuída. Ela vai para onde?
Marcos Ferreira - É, migalha… R$ 10 milhões na migalha, mas migalha é no modo de dizer.
Corrêa Jr. - Migalha é diante da necessidade…
Marcos Ferreira - E do tamanho do orçamento. R$ 5 milhões para a saúde e para a questão de leitos da nossa região e, possivelmente, os outros R$ 5 milhões eu ia destinar também para essa questão da saúde. Então, os R$ 40 milhões que eu teria nos quatro anos seriam para a saúde.
Corrêa Jr. - O calçado ficou com uma taxação de 37,5% por conta do tarifaço do Trump. Café e carne ficaram de fora. Todo mundo busca uma tentativa de mitigar esse impacto aqui para o setor calçadista. E no governo do Estado, o que fez até agora foi benefício com relação ao ICMS, uma linha de crédito do Desenvolve SP, mas que não surtiu todo o efeito que se esperava. Como deputado estadual, como é que você pretende lidar com as consequências do tarifaço no setor calçadista?
Marcos Ferreira - Olha, eu penso que a indústria de calçado passa por um momento, e eu não sou a pessoa mais indicada para falar sobre isso, porque não é minha área, mas ela passa por um momento delicado, inclusive pela questão da concorrência com outros países na fabricação. Então, não é só a questão do tarifaço que prejudicou isso. Tanto que Franca já vive um processo de desmobilização do setor calçadista há algum tempo. Por isso que eu entendo que tem que ter alguns outros…
Corrêa Jr. - O que você faria?
Marcos Ferreira - Alguns outros vetores da economia. Por isso que eu falo da indústria do turismo e algumas outras coisas para implementar isso. Mas, como deputado, eu trabalharia para que o governo do Estado implementasse a inovação do parque tecnológico do calçado, fizesse com que o recurso chegasse para que houvesse a inovação desse parque tecnológico. Eu penso que isso seria o que eu trabalharia.
Corrêa Jr. - Mas especificamente para o tarifaço você não vê nenhuma ação possível?
Marcos Ferreira - Como deputado, eu não consigo visualizar nada, Júnior. Eu confesso para você que eu não consigo visualizar. Possivelmente tenha, mas eu não consigo visualizar.
Corrêa Jr. - Franca tem índices de violência gerais baixos em relação a outras cidades, mas tem um índice de homicídio por 100 mil habitantes alto. E a segurança pública é uma grande preocupação da população hoje. O que eventualmente você faria nessa área como deputado estadual e de que forma orientaria o seu mandato?
Marcos Ferreira - Eu penso que a questão da sensação de insegurança, porque, na verdade, é uma sensação de insegurança que nós vivemos, porque os índices são relativamente baixos em relação à média paulista e à média nacional. Então, há uma sensação, uma percepção de insegurança. Para mim, isso é causado pela grande desigualdade que há na nossa região. Eu entendo que é uma desigualdade social grande na nossa região. Isso tem, inclusive, dados. O próprio GCN fez um trabalho nesse sentido, falando sobre isso, da desigualdade que há do índice social.
Corrêa Jr. - Mas como a desigualdade impacta a percepção de segurança?
Marcos Ferreira - A percepção de segurança, porque a gente começa, quando a gente vê o número de pessoas na rua, as pessoas numa condição social menos privilegiada, a gente começa a falar: “bom, eu tenho que tomar cuidado, eu tenho que ficar…” Então, eu penso que essa percepção de insegurança é decorrente desse fato.
E não é só em Franca. Todas as cidades da nossa região têm isso. Algumas menos, outras mais. E Franca tem muito disso. Inclusive, o número de pessoas em situação de rua causa essa percepção de insegurança. Nós saímos na rua e, quando paramos no semáforo ou paramos na rua, a gente fica sempre preocupado com o que está do nosso lado por essa percepção de insegurança.
Corrêa Jr. - E o que você faria?
Marcos Ferreira - Olha, eu tenho para mim que tem que trabalhar e resolver essa questão da desigualdade social, investindo em políticas públicas que vão dar condição de melhor oportunidade para que as pessoas possam deixar essa situação.
Corrêa Jr. - Então você não acha importante investir mais em segurança, policiamento, necessariamente?
Marcos Ferreira - Não. Eu não estou dizendo isso. Eu estou dizendo que essa percepção de segurança está nisso. Investimento em segurança, aí a gente parte para uma outra questão, que eu acho que aí é política pública de combate à corrupção que tem dentro do sistema de segurança do Estado de São Paulo. O crime organizado, ele acessou e está infiltrado dentro da instituição Polícia Civil e Polícia Militar, tanto que eu digo isso a partir dos fatos concretos demonstrados. Inclusive, saiu a prisão hoje, recentemente, ontem, não sei, de um comandante da Polícia Militar do governo do Estado. Por quê? Porque ele fazia segurança de empresas do PCC. Então, você vê o nível de comprometimento que tem na segurança pública. Eu falei da percepção de insegurança, falando especificamente daqui. Agora, pensando o Estado todo, aí o problema é muito maior e muito mais delicado. E aí precisa investir de modo efetivo.
Corrêa Jr. - Deixa eu só entender direito, Marcos. Para mim não deduzir nada errado.
Marcos Ferreira - Claro.
Corrêa Jr. - Então, você acha que aqui na região não há uma necessidade de um foco grande em segurança pública?
Marcos Ferreira - Precisa ter melhoria dos equipamentos da segurança pública, precisa ter aumento de efetivo, porque é uma redução. Há o fechamento de delegacias de polícia nas cidades menores da nossa região. Isso é um fato. Isso é um fato. Então, isso precisa ter, óbvio. Isso precisa ter. Precisa ter a valorização dos policiais, no que se refere ao vencimento deles também, inclusive os policiais civis, delegados de Polícia Civil, que é um dos piores salários o do Estado de São Paulo, um dos piores salários do Brasil. E há algum tempo, já vem de algum tempo. Então, isso tem na região, inclusive. Mas o problema da segurança não é só esse. Eu penso que o problema da segurança é mais profundo que isso.
Corrêa Jr. - O Hospital Estadual de Franca abriu, agora há poucos meses, tem uma promessa de estar operando a plena carga até o final do ano, início do ano que vem, 220 leitos. E você disse que pretende canalizar toda a sua verba impositiva para a área de saúde. E aí eu quero… Você acha que vai resolver o problema da falta de vagas com o Hospital Estadual somado à Santa Casa ou não? E como é que você pretende fiscalizar essa abertura e operação, a abertura de leitos e a operação do hospital?
Marcos Ferreira - Olha, Júnior, uma das atuações do deputado que é importante é essa questão da fiscalização dos atos do Poder Executivo. Nós temos aqui na região de Franca a Diretoria Regional de Saúde, que, inclusive, parece que hoje é administrada pelo Ricardo Bessa, parece. Então, essa atuação do deputado é importante. Tenho para mim que vai avançar essa questão de cirurgias eletivas e cirurgias de prótese que precisa colocar, porque o hospital vai ajudar nisso, eu acredito. Mas não vai resolver 100%. E aí nós temos na região de Franca inúmeros hospitais: Santa Casa, Santa Casa de Patrocínio, Santa Casa de Franca, Santa Casa de Batatais, Santa Casa de Ituverava, Santa Casa de Pedregulho. Eu estive fazendo levantamento. Nós temos oito Santas Casas na região de Franca. Então, o deputado estadual tinha que ter uma atuação de modo efetiva. Eu volto a falar porque, para mim, é isso que falta: brigar pelo orçamento e colocar recursos dentro do orçamento para a nossa região.
Corrêa Jr. - Você acha que os deputados Graciela Ambrósio e Guilherme Cortez, um de direita e um de esquerda, não fizeram esse trabalho?
Marcos Ferreira - Parece-me que não, porque, se tivesse feito, teria tido recurso para alcançar melhores índices do que os que nós temos. Eu não vejo essa disputa de… Quando eu falo de disputa de orçamento, para que as pessoas possam entender, é que todo ano vai uma lei orçamentária para dentro da Assembleia Legislativa para falar onde o dinheiro vai ser gasto. A cada quatro anos tem o PPA, que é o Plano Plurianual, para falar no que o governo do Estado, durante quatro anos, vai gastar, o que ele vai fazer, quais são os projetos que ele vai priorizar. E um deputado, uma deputada que tenha relevância dentro da Assembleia Legislativa faz a disputa disso para melhorar os recursos, porque a emenda, eu volto a falar, os R$ 10 milhões de emendas que eu vou destinar cada ano para a saúde são 23 municípios.
Corrêa Jr. - Mas eu preciso que você faça uma declaração. Você é um político que já ocupou o cargo eletivo, participa disso há muito tempo. Você diria que a Graciela e o Cortez não tiveram essa força dentro da Assembleia?
Marcos Ferreira - Não. Não tiveram porque, se tivesse tido…
Corrêa Jr. - São fracos?
Marcos Ferreira - Se tivessem tido, teria mais recursos para essas áreas e nós não viveríamos a situação que nós vivemos…
Corrêa Jr. - Você acha que vai conseguir gritar melhor lá?
Marcos Ferreira - Não sei se vou conseguir gritar melhor. Talvez eu vá conseguir fazer articulação melhor do que foi feito.
Corrêa Jr. - Você vai conseguir resultados melhores?
Marcos Ferreira - Eu não diria gritar, porque…
Corrêa Jr. - Gritar é um modo de dizer.
Marcos Ferreira - Eu entendi. Mas, para que as pessoas entendam, eu penso que faltou uma articulação maior para que pudesse reverter para a nossa região mais recursos para essas áreas.
Corrêa Jr. - A Assembleia Legislativa aprovou, em primeiro turno, a redução do mínimo da educação de 30% para 25%. Era 30%, agora caiu para 25%. Se liberou aí R$ 10 bilhões de reais de investimento para o governo do Estado. Muita gente questiona, outros acham que é adequado. O Tarcísio disse que não precisa desse dinheiro. Esse dinheiro pode ser destinado para outras áreas. O senhor votaria sim ou não para redução de investimento na educação?
Marcos Ferreira - Votaria não e vou dizer por quê. Você que leva seu filho para a escola pública estadual, você acha que está uma qualidade de ensino adequada? Eu acho que não está. Se não está, é porque foi retirado o recurso. Se foi retirado o recurso, não está sendo bem gestado, bem administrado isso. Então, eu votaria não, e votaria não dizendo: olha, foi votado sim, e olha as consequências que aconteceram, que estão sendo vivenciadas no dia a dia pelas pessoas que vivem da escola pública estadual.
Corrêa Jr. - Também se discute muito a ampliação do programa das escolas cívico-militares. O senhor é a favor ou contra e por quê?
Marcos Ferreira - O que é escola cívico-militar? O que é isso? As pessoas falam, mas qual é o conceito disso? O civil não tem civismo? O que não é militar, só militar tem civismo? Eu acho estranho isso, Júnior, eu acho muito estranho. Escola cívico-militar é para colocar policial aposentado dentro das escolas? Qual que é o objetivo do negócio?
Corrêa Jr. - O senhor não acha que muitos pais podem imaginar que há uma certa ordem numa escola cívico-militar que eles não veem numa escola não cívico-militar, numa escola regular?
Marcos Ferreira - Ordem só é feita por militar? Eu acho…
Corrêa Jr. - A ordem não é só feita. Eu digo, olha, ele olha para a escola onde o filho dele está e não gosta do que ele vê. E aí ele olha para uma escola cívico-militar e ele gosta do que ele vê.
Marcos Ferreira - Então, essa é outra questão que está fora do contexto. Porque olhar para uma coisa e entender que ela é melhor só por uma questão de aparência, eu não vejo essência nisso. Eu não entendo, eu não vejo escola civil-militar com policial lá dentro. O que está resolvendo?
Corrêa Jr. - O senhor é contra?
Marcos Ferreira - Eu não vejo efetivamente… Porque é o seguinte: o que uma escola faz? Ensinar ou punir? Para que é a escola? Para que é educação? Educação é para ensinar ou para punir? Eu não acho que seja para punir. Agora, a estruturação escolar…
Corrêa Jr. - Mas, por exemplo, hoje em dia, quando é numa escola particular, pública, de qualquer natureza, você tem alunos que são capazes de desafiar um professor, xingar, e muito pouco pode ser feito com este aluno. Não dificulta o processo de tornar um ambiente não militar mais organizado?
Marcos Ferreira - O policial vai bater no aluno que desafiou o professor?
Corrêa Jr. - Talvez haja maior respeito pela farda ou pelo título.
Marcos Ferreira - Então, eu acho que isso é resquício da ditadura.
Corrêa Jr. - Na sua opinião, então…
Marcos Ferreira - Eu acho que isso é resquício da ditadura, nós acharmos que o respeito está na violência. Respeito não está na violência. Não é na violência que se respeita. Eu penso que nós temos que construir respeito a partir do entendimento de que você é um ser humano e eu sou um ser humano, cada um cumprindo as suas atribuições, e eu preciso respeitá-lo. Você precisa me respeitar. Não é porque eu sou mais violento que você ou que eu possa ser mais violento que você que você vai me respeitar.
Corrêa Jr. - Mas o senhor entende que é assim que a população enxerga. Aí o senhor acha que isso não resolve?
Marcos Ferreira - Eu não estou dizendo que é assim que a população enxerga. Eu até acho que não é assim que a população enxerga.
Corrêa Jr. - Não, eu estou dizendo: é assim que a população enxerga. É assim. Não estou dizendo se é certo. A população identifica uma população sofrida, que tem dificuldade com seus próprios filhos na escola, muitas vezes de famílias desestruturadas, sem as condições ideais…
Marcos Ferreira - Está vendo que o problema está muito distante?
Corrêa Jr. - Mas aí não podemos voltar no Jardim do Éden de novo, né?
Marcos Ferreira - Sim. Eu sei, eu sei.
Corrêa Jr. - Então, se a população sofrida manda o filho para a escola e muitas vezes esse menino sofre um bullying, sofre uma agressão, ou é o agressor, briga na saída da escola, o professor vai dar aula com medo, né? O professor sente que, se ele levantar a voz com o aluno, isso vai ser visto como um abuso.
Marcos Ferreira - É muito engraçado…
Corrêa Jr. - E aí eu digo o seguinte: diante deste cenário, a população olha para uma coisa e fala que está bagunçado. Olha para outra e fala “Aqui está em ordem”. É por isso que elas aprovam a ideia da escola cívico-militar.
Marcos Ferreira - Mas a escola cívico-militar não vai acabar com o problema…
Corrêa Jr. - Está certo. Então, a sua opinião é de que não é o caminho.
Marcos Ferreira - E é tão engraçado que você trouxe uma questão que eu acho que é mais importante do que essa outra discussão. Que é o seguinte: há dentro… Deveria haver dentro das escolas, porque isso está inclusive legislado, a questão para-pedagógica, que é o assistente social dentro da escola, que é o psicólogo, psicopedagogo dentro da escola. Vamos levantar, vamos sair juntos, eu e você, vamos ver nas escolas estaduais, nas municipais da nossa região, como é que está isso.
Corrêa Jr. - Então, o senhor acha que esse é o problema?
Marcos Ferreira - Claro que é. Claro que é. Não é chegar lá, dentro da escola, e colocar um militar para amordaçar o moleque que chegou lá, que está com um problema de ordem psicológica, de ordem afetiva e que vai descontar no professor, no colega dentro da escola. É violência. Para mim, é violência.
Corrêa Jr. - Então o senhor é contra as escolas cívico-militares?
Marcos Ferreira - Porque não resolve o problema.
Corrêa Jr. - Sim, mas o senhor é contra, é só para entender. Legítimo ter opiniões de todo jeito.
Marcos Ferreira - Resolve o problema? Não resolve o problema.
Corrêa Jr. - Houve também uma ação controversa do governador Tarcísio de Freitas no programa de privatizações. Tem quem defenda e adore, tem quem critique. Ele privatizou a Sabesp, EMAE, trens da CPTM. O senhor votaria contra ou a favor dessas privatizações já feitas? E o senhor votaria contra ou a favor de novas privatizações?
Marcos Ferreira - Vocês sabem o que é privatização? Eu tenho uma casa, resolvo alugar a casa. Eu tenho uma casa e vendo a casa e torro o dinheiro. Eu tenho uma casa, alugo a casa, fico com a casa e estou alugando a casa e recebendo da casa todo mês. Eu pego a casa, vendo a casa e torro o dinheiro. E vendo mal a casa. Vendo mal a casa. A casa valia 100, eu vendo por 30. Eu vendo por 40. Eu fiz bom negócio para você? Se eu fosse seu corretor de imóveis, você acha que eu fiz um bom negócio para você? É isso que o Tarcísio fez com todos os paulistas. Foi isso que o Tarcísio fez com todos os paulistas.
Corrêa Jr. - Então você é um crítico a todo o programa de privatizações?
Marcos Ferreira - Do Tarcísio?
Corrêa Jr. - É.
Marcos Ferreira - Do jeito que ele fez? Claro. Agora, é diferente o seguinte: o Estado continua dono e faz a concessão, porque existe uma porção de modos de fazer privatização. O Estado de São Paulo, na Sabesp, deixou de ser sócio majoritário. Ele era sócio majoritário. Ele deixou de ser sócio majoritário. Não vendeu toda a Sabesp. Para nós entendermos, o Estado de São Paulo continuou dono de uma parte da Sabesp.
Corrêa Jr. - Sim, ele vendeu o controle.
Marcos Ferreira - Ele continua dono. Só que o seguinte: ele não manda mais. Aí você pegaria a sua casa, passaria 60% da sua casa e não ia mandar mais na sua casa.
Corrêa Jr. - Mas o argumento do Tarcísio, quase um argumento socialista, o que ele diz? A Sabesp, em algumas praças, funciona muito bem e dá muito lucro. Mas não tem capacidade de investir onde não tem saneamento de primeira, ou um saneamento razoável, pelo menos. Ele cita especificamente a situação do litoral norte de São Paulo, por exemplo. Ele falou: “nós não temos capacidade de investir lá. A Sabesp não tem essa capacidade”. O que ele disse? Ao vender o controle acionário, a empresa que vai entrar vai colocar dinheiro no caixa do Estado, o que é bom, libera para mais investimentos.
Marcos Ferreira - Caixa que ele conseguiu despencar lá embaixo.
Corrêa Jr. - E aí, além disso…
Marcos Ferreira - Torraram nosso dinheiro.
Corrêa Jr. - Por concessão, ela vai ter, por obrigação contratual, ela tem que investir nesses municípios. O senhor acha que nem esse argumento é válido?
Marcos Ferreira - Do Tarcísio, do jeito que ele fez? Não, não é válido.
Corrêa Jr. - Então o senhor votaria contra novas privatizações?
Marcos Ferreira - Do jeito que ele fez? Claro.
Corrêa Jr. - E o senhor acha que a questão da Sabesp foi um erro terrível?
Marcos Ferreira - Claro.
Corrêa Jr. - Vamos falar aqui de segurança pública de novo. Como é que o senhor avalia a questão das câmeras corporais dos PMs? O senhor acha que é uma medida boa, ruim? O senhor defende que elas sejam mantidas ou que sejam revertidas?
Marcos Ferreira - É boa para a sociedade e é boa para o bom policial. E péssima, péssima, horrorosa para o mau policial. As câmeras são boas para a sociedade civil porque colocam o policial corrupto, mau policial… Porque nós somos seres humanos. Você é ser humano, eu sou ser humano. Nós temos qualidades e nós temos defeitos. Todo mundo. Ninguém é santo, ninguém é perfeito. Então, a câmera é uma proteção para a sociedade civil, para cada um dos cidadãos, e é uma proteção para o bom policial e horrorosa, horrível para um mau policial. E para aqueles que acobertam os maus policiais, ela também é horrorosa. E aí, portanto, aqueles que defendem que não tem que ter câmera corporal, para mim, estão defendendo aqueles que cometem atrocidades contra o cidadão.
Corrêa Jr. - Então, o senhor, tranquilamente, para a câmera e todo mundo?
Marcos Ferreira - Claro.
Corrêa Jr. - Na Assembleia Legislativa, uma das coisas difíceis de acompanhar o trabalho da Assembleia é que muitas votações são simbólicas. Não se sabe como cada deputado votou exatamente. Como é que o senhor vê esse mecanismo e o senhor pretende sempre abrir o seu voto?
Marcos Ferreira - Sou contra esse mecanismo. Penso que o voto tinha que ser aberto porque isso é uma questão de transparência. Isso é uma questão de transparência. Para mim, o voto tem que ser aberto.
Corrêa Jr. - O deputado estadual paulista ganha R$ 34.774 por mês. O senhor acha que é um bom salário ou não? E, eventualmente, na sua legislatura, o senhor votaria aumentos para a legislatura seguinte?
Marcos Ferreira - R$ 34 mil em relação a quem ganha R$ 3.400 é um salário magnífico. Para quem ganha R$ 3.400, eu não estou dizendo que eu ganhe R$ 3.400, eu estou dizendo que a média do povo paulista ganha R$ 3.400, que são dois salários e pouquinho. Isso é a média do paulista. Alguém que ganha R$ 34 mil e não são só os R$ 34 mil, porque…
Corrêa Jr. - Tem os assessores, né?
Marcos Ferreira - É o dinheiro que entra no caixa do deputado.
Corrêa Jr. - É o salário.
Marcos Ferreira - Então, para mim, é um grande salário, até porque vai ter lugar para morar. É R$ 34 mil, vai ter um lugar para morar, vai ter carro, vai ter motorista. Em relação à grande maioria do povo paulista, é um salário de primeira linha. E entendo que dá para se viver com R$ 34 mil. Apesar de que eu sempre digo para os meus amigos: vencimento de político não é do político. É impressionante.
Corrêa Jr. - Por quê?
Marcos Ferreira - Porque tem… Tem, político tem… Tem uma questão de que vê alguém, ajuda, bom, depende. Cada político é político, mas não é um recurso dele.
Corrêa Jr. - O senhor, então... Mas o senhor não votaria aumento?
Marcos Ferreira - Acredito que não tem necessidade.
Corrêa Jr. - É, não senti muita convicção.
Marcos Ferreira - Não, estou dizendo que não tem necessidade.
Corrêa Jr. - Ah, aí ficou mais convicção.
Marcos Ferreira - Estou dizendo que não tem necessidade.
Corrêa Jr. - Entre os projetos que o senhor apresentou em economia e infraestrutura, o senhor defende a duplicação da Cândido Portinari até Rifaina?
Marcos Ferreira - Sim.
Corrêa Jr. - A construção de marginais em Franca e a duplicação das rodovias Ronan Rocha e Fábio Talarico?
Marcos Ferreira - Sim.
Corrêa Jr. - Como é que o senhor vai conseguir colocar tudo isso no orçamento? O senhor falou que não vai gritar, mas vai articular. O senhor acha que é possível encaixar isso tudo no orçamento?
Marcos Ferreira - É possível. Claro que é. Claro que é.
Corrêa Jr. - O senhor tem ideia dos custos envolvidos nisso aqui?
Marcos Ferreira - É alto. Bastante alto. Só que o Estado vai ter um programa de duplicação de rodovias, certamente vai ter. E nós vamos trabalhar, porque não tem só região de Franca. E nós vamos ter colegas de outras regiões que vão ter interesses também.
Corrêa Jr. - Então, e nessa briga?
Marcos Ferreira - Aí não tem briga. Aí tem articulação para, olha, vamos trabalhar, a Franca precisa disso, Sorocaba precisa daquilo outro, vamos organizar para a gente poder… Essa discussão política tem que ser feita, por isso precisa ter relevância. E acho que isso não entrou até hoje no PPA e na lei orçamentária porque, com todo respeito aos nossos representantes, eu amo a Graciela, amo o Cortez, mas, para mim, faltou relevância política para que incluísse isso nos nossos PPAs. Falaram até outro dia que estavam fazendo já os projetos, já estavam fazendo até os levantamentos.
Corrêa Jr. - Das marginais, né?
Marcos Ferreira - Cara, desculpa o “cara”, mas você vai nas cidades da região, Júnior. E aí precisa falar isso, porque as pessoas precisam ver. Você vai na cidade, tem placa lá, em todas as cidades, do governo do Estado. Tudo tampado. Aqui, futuramente, vai ter a ciclovia de não sei o quê. Tudo parado. Tudo parado. Só tem a placa. Vai em todas as cidades. Recurso do governo do Estado. Impressionante. Cadê o dinheiro da Sabesp que entrou nos cofres públicos para fazer melhoria? Torraram o nosso dinheiro. Torraram o nosso dinheiro. Então, Júnior, tem que fazer essa disputa do orçamento, meu querido. Eu penso que um deputado… E vou falar uma coisa com você: vamos eleger o maior número possível de deputados da nossa região. Porque essa representatividade maior ajuda na discussão do orçamento. Mas também temos que ter deputados e deputadas com relevância política. Não adianta só ter representatividade lá se não fazem a defesa adequada da nossa região.
Corrêa Jr. - Na área social, o senhor defende distribuição de renda para combater a desigualdade, além da melhoria da qualidade do ensino, o senhor já falou um pouco sobre isso, nas escolas estaduais com a valorização dos professores e melhoria na estrutura. Como é que seria essa distribuição de renda que o senhor defende? É um programa governamental? É uma ação efetiva? Como é que funcionaria isso?
Marcos Ferreira - Você fala no desenvolvimento social?
Corrêa Jr. - Isso.
Marcos Ferreira - Quando eu falo a questão da distribuição de renda, eu não estou falando necessariamente de o governo colocar algum dinheiro no bolso do cidadão. É até razoável isso. O Suplicy tem o Renda Mínima Cidadã, que eu acho que é razoável. Tem alguns países da Europa, Finlândia, alguns lugares que têm isso, inclusive. Mas, quando eu digo isso, eu não estou nem dizendo essa questão específica. Quando eu estou dizendo trabalhar para que haja distribuição de renda, eu estou falando para que as políticas públicas sejam feitas efetivamente para as pessoas. Então, se tem uma escola de bom nível, com boa educação, isso é distribuir renda. Isso é distribuir renda. Se tem saúde e as pessoas não precisam pagar plano de saúde, porque elas sabem que vão ser bem cuidadas, isso é distribuição de renda.
Corrêa Jr. - Mas o senhor não acha que é uma coisa complicada nos últimos anos no Brasil, nas últimas décadas, é que a gente promete um país que é impossível porque não temos dinheiro para isso. E aí qualifica como se a corrupção fosse o grande mal, e eu até falei numa outra sabatina, agora há pouco, que a corrupção é uma chaga brasileira, mas, se você tirasse toda a corrupção, você eliminou toda a corrupção, não tem mais um centavo roubado. Ainda assim, nós não entregaríamos aos brasileiros o país que foi a eles prometido, porque é impossível. Porque é simples: nós temos uma carga tributária pesada no Brasil para o que a gente gostaria de pagar e o que a gente tem de serviço público. Mas países que oferecem mais do que nós cobram até 75% de imposto. O outro caminho são países que oferecem via Estado menos, como os Estados Unidos, e aí cobra muito menos. Agora, aqui no Brasil, a gente quer as duas coisas. A gente quer pagar menos imposto, não quer que o governo fale muita coisa, mas quer todos os serviços públicos. A gente quer saúde, educação, saneamento, rodovia, não quer pedágio. Como é que equilibra isso?
Marcos Ferreira - Eu concordo com você. Acho que...
Corrêa Jr. - E não acha que falta essa grande discussão? Qual é o tamanho de país que o brasileiro quer?
Marcos Ferreira - Eu concordo com você. Nós somos totalmente distópicos. Eu concordo com você. Nós não queremos pagar e queremos tudo. Eu concordo com você. Mas é muito engraçada essa questão da distribuição de renda. Eu acho que está relacionado com isso. Nosso país viveu 300 anos de escravatura. 300 anos. Quando foi abolida a escravidão no Brasil, houve uma indenização.
Corrêa Jr. - Para…
Marcos Ferreira - Sabe quem que nós indenizamos?
Corrêa Jr. - Para os escravocratas.
Marcos Ferreira - Sabe quem nós indenizamos? Os donos dos escravos.
Corrêa Jr. - Além disso, muita gente não sabe, mas a origem das favelas brasileiras… Isso é até interessante. Pena que a gente não tem muito tempo, mas as favelas brasileiras nascem dos negros libertos - o Rio de Janeiro era a capital federal - que não tinham para onde ir porque ele passou a vida como escravo. Ele saiu e não tinha o que fazer. Ele foi para o Rio de Janeiro. Muitos foram para a capital. Chegou lá e não havia onde morar e o que fazer, e eles foram se alojando onde era possível, inclusive nos morros. É ali que é a gênese das primeiras favelas, que é um problema social grande. E aí eu posso dar outros dados. O dado pode estar impreciso, vocês me desculpem, mas a proporção é assim, é parecida: se você ganha mais de R$ 3 mil por mês, você faz parte dos 3,8% mais ricos do Brasil. Se você vai acima de R$ 10 mil por mês, você faz parte de 1,8%. Se você ganha mais de R$ 20 mil, é 0,8%.
Marcos Ferreira - E deputado que ganha R$ 34 mil está no 0,01%. Então, ganha muito. R$ 34 mil, 0,01%, ganha muito.
Corrêa Jr. - É, mas aí eu te pergunto: é de fato um problema a desigualdade. Mas essa desigualdade não se corrige com lei. Ela é um processo de correção. Como é que você vai fazer essa distribuição de renda? É via governo diretamente?
Marcos Ferreira - Política pública.
Corrêa Jr. - Você acha que é isso?
Marcos Ferreira - Nós temos que fazer…
Corrêa Jr. - Você quer mais Estado na vida do cidadão?
Marcos Ferreira - Não é mais Estado, mais política pública.
Corrêa Jr. - Mais política pública na vida do cidadão.
Marcos Ferreira - Não é mais Estado, não é o Estado opressor, não é isso. A sociedade civil é mais importante do que o Estado. Nós temos que ter consciência disso. Sociedade civil é mais importante com o Estado. Por isso que dois instrumentos da sociedade civil que são imprescindíveis e que, na ditadura, eles são estrangulados, Júnior, são a mobilização social e a participação popular. Nós, sociedade civil, nós, sociedade civil, nós temos que estar conscientes. E eu conclamo cada um de vocês que estão nos vendo para que tenha essa consciência. Nós temos dois instrumentos, quando eu digo “nós, sociedade civil”; o Júnior enquanto cidadão brasileiro, o Ratinho enquanto cidadão brasileiro, as meninas enquanto cidadãs brasileiras, eu enquanto cidadão brasileiro, paulista e francano, e cada francano, paulista e brasileiro; nós temos que entender que nós temos dois instrumentos da sociedade civil importantíssimos, que na ditadura são estrangulados, não nos deixam exercer: mobilização social e participação popular. Vamos fazer isso com representatividade relevante na Assembleia Legislativa, que eu tenho convicção de que nós vamos avançar na melhoria da qualidade de recurso para a nossa…
Corrêa Jr. - Candidato, precisamos ir para o fim aqui. Agora, pinga-fogo. Eu vou fazer dez perguntas. Você me responde sim, não ou, no máximo, uma frasezinha curta.
Marcos Ferreira - Tá bom, querido.
Corrêa Jr. - Anistia ampla, 8 de janeiro?
Marcos Ferreira - Uma loucura, para com isso. Não.
Corrêa Jr. - Voltar a vincular 30% da receita do Estado à educação? O Tarcísio reduziu para 25%.
Marcos Ferreira - 30%, claro.
Corrêa Jr. - Sim. Escola cívico-militares? Não?
Marcos Ferreira - Não tem razão de ser.
Corrêa Jr. - Câmera corporal gravando o tempo todo os PMs?
Marcos Ferreira - Tem que ter. Tem que ter.
Corrêa Jr. - Novas privatizações estaduais?
Marcos Ferreira - Nos moldes (de hoje), sem chance.
Corrêa Jr. - Não. Novas praças de pedágio em rodovias a serem duplicadas?
Marcos Ferreira - Rapaz, eu fiz um movimento quando prefeito para não ter pedágio entre Patrocínio Paulista e Franca, entre Pedregulho e Franca. Eu sou contra.
Corrêa Jr. - Você acha que nem que for o preço da duplicação, não?
Marcos Ferreira - Não.
Corrêa Jr. - Votação nominal obrigatória para projetos e benefícios fiscais?
Marcos Ferreira - Sim, claro. Transparência. O cidadão tem direito de ver a transparência do representante dele.
Corrêa Jr. - Salário acima do teto constitucional para os servidores públicos?
Marcos Ferreira - Não pode.
Corrêa Jr. - Reforma administrativa mexendo na estabilidade do servidor?
Marcos Ferreira - Penso que a estabilidade é uma garantia importante para os servidores.
Corrêa Jr. - Mesmo que ela dificulte a punição de eventuais maus servidores?
Marcos Ferreira - Punição é punição. É possível que haja punição, desde que observe o devido processo legal. E, mesmo se fosse celetista, não pode se demitir de qualquer jeito. Então, eu penso, para mim, que é um instrumento importante para o servidor público.
Corrêa Jr. - Para o senhor, manteria a estabilidade do servidor público?
Marcos Ferreira - Claro.
Corrêa Jr. - Estado laico?
Marcos Ferreira - Totalmente laico. As pessoas têm direito de acreditar ou não acreditar no que elas quiserem.
Corrêa Jr. - Candidato, o senhor tem um minuto para as suas considerações finais.
Marcos Ferreira - Uma honra estar com vocês, Júnior, nesse programa que foi feito pelo GCN, pela Acif, pelas empresas que estão junto com vocês. Uma honra estar com você, cidadão, cidadã, francano, paulista, e eu tenho convicção de que eu estou preparado, pronto, para que possa representá-los junto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. E, ao mesmo tempo que estou preparado para isso, estou preparado para que, se você entender que não é a minha pessoa indicada para representá-los, está tudo certo. Mas eu tenho convicção de que eu tenho condições de representá-los bem, com relevância para fazer a discussão da lei orçamentária, do PPA, para trazer investimentos para a nossa região e fazer com que haja desenvolvimento econômico para criar riqueza, para que haja desenvolvimento social para distribuir essa riqueza e sustentabilidade para que nós possamos viver em um ambiente saudável. Não adianta ter riqueza, não adianta que essa riqueza seja distribuída e nós não tenhamos um ambiente saudável para viver. Obrigado pela oportunidade e contem comigo sempre. Conto com cada um de vocês e com o voto de vocês, 40.202. Marcos Ferreira, PSB.
Corrêa Jr. - Obrigado, candidato. Boa sorte na campanha.
Marcos Ferreira - Obrigado, querido.