A família do sargento francano Rullian Ricardo Adrião da Silva sentiu alívio após a condenação, nesta terça-feira, 15, dos dois policiais militares condenados pela morte dele dentro de um quartel em São Paulo, em 2023. O capitão, hoje major, Francisco Carlos Laroca Júnior foi condenado a 22 anos de prisão, enquanto o cabo Fabiano Rizzo recebeu pena de 17 anos, 1 mês e 18 dias. Ambos, porém, poderão recorrer em liberdade por se tratar de uma decisão de primeira instância.
O julgamento ocorreu na 4ª Auditoria Militar, com Conselho Especial de Justiça, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.
A irmã de Rullian, Daiane Michele Fernandes Bichil, falou em nome da família e afirmou ao GCN que a sentença trouxe “um pouco de paz”, mas que os familiares esperavam que os dois policiais deixassem o tribunal presos.
“Nosso sentimento agora nesse momento é um pouco de alívio, porque a sentença foi dada. Não estamos totalmente aliviados porque eles ainda vão recorrer em liberdade. Nós queríamos que eles saíssem de lá presos, direto para a cadeia, mas não aconteceu isso. Mas nós cremos ainda na justiça por completo, mas já sentimos um pouco de alívio, um pouco de paz no coração”, disse.
Daiane afirmou que a família continuará buscando a conclusão do caso e disse esperar que os condenados sejam presos após os recursos.
“Todos aguardam essa justiça por completo. Creio que logo mais eles estarão atrás das grades, que é o que eles merecem. Nada vai trazer o Rullian de volta, mas nós precisamos sentir alívio no coração, nós precisamos ter paz, e cada um de nós precisa seguir a vida. Nós precisamos dessa justiça por completo, para que nosso coração possa descansar em paz”, completou.
Rullian foi morto a tiros em 5 de abril de 2023, dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar, na região do Ipiranga, em São Paulo. O sargento, de 40 anos, foi atingido por disparos no pescoço e no tórax. Ele chegou a ser socorrido pelo helicóptero Águia, mas não resistiu.
Na época, os acusados alegaram que Rullian teria sacado a arma durante uma discussão motivada por descontentamento com a escala de serviço e apontado contra os colegas. Segundo essa versão, Laroca efetuou três disparos e Rizzo, um.
A família nunca acreditou nessa versão e sustenta que o sargento teria descoberto um suposto esquema envolvendo jogos de azar e policiais militares.
Pela decisão desta terça-feira, Laroca foi condenado a 22 anos de reclusão, em regime fechado, por homicídio qualificado, além de 11 meses de detenção, em regime aberto, por fraude processual.
Rizzo foi condenado a 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão, em regime fechado, por homicídio qualificado, além de seis meses de detenção, em regime aberto, por fraude processual.
Desde a morte de Rullian, os familiares cobram justiça. Em dezembro de 2024, estiveram no Tribunal de Justiça Militar para cobrar respostas e protocolaram um pedido para o levantamento do sigilo do processo.
Em maio de 2025, Daiane usou a tribuna da Câmara Municipal de Franca para pedir celeridade no julgamento.