18 de setembro de 2026
JULGAMENTO

Queríamos que saíssem presos, diz irmã de francano morto por PMs

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução
Da esquerda para a direita: Rullian Ricardo, Francisco Carlos Laroca e Fabiano Rizzo

A família do sargento francano Rullian Ricardo Adrião da Silva sentiu alívio após a condenação, nesta terça-feira, 15, dos dois policiais militares condenados pela morte dele dentro de um quartel em São Paulo, em 2023. O capitão, hoje major, Francisco Carlos Laroca Júnior foi condenado a 22 anos de prisão, enquanto o cabo Fabiano Rizzo recebeu pena de 17 anos, 1 mês e 18 dias. Ambos, porém, poderão recorrer em liberdade por se tratar de uma decisão de primeira instância.

O julgamento ocorreu na 4ª Auditoria Militar, com Conselho Especial de Justiça, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

A irmã de Rullian, Daiane Michele Fernandes Bichil, falou em nome da família e afirmou ao GCN que a sentença trouxe “um pouco de paz”, mas que os familiares esperavam que os dois policiais deixassem o tribunal presos.

“Nosso sentimento agora nesse momento é um pouco de alívio, porque a sentença foi dada. Não estamos totalmente aliviados porque eles ainda vão recorrer em liberdade. Nós queríamos que eles saíssem de lá presos, direto para a cadeia, mas não aconteceu isso. Mas nós cremos ainda na justiça por completo, mas já sentimos um pouco de alívio, um pouco de paz no coração”, disse.

Luta por justiça

Daiane afirmou que a família continuará buscando a conclusão do caso e disse esperar que os condenados sejam presos após os recursos.

“Todos aguardam essa justiça por completo. Creio que logo mais eles estarão atrás das grades, que é o que eles merecem. Nada vai trazer o Rullian de volta, mas nós precisamos sentir alívio no coração, nós precisamos ter paz, e cada um de nós precisa seguir a vida. Nós precisamos dessa justiça por completo, para que nosso coração possa descansar em paz”, completou.

Relembre o caso

Rullian foi morto a tiros em 5 de abril de 2023, dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar, na região do Ipiranga, em São Paulo. O sargento, de 40 anos, foi atingido por disparos no pescoço e no tórax. Ele chegou a ser socorrido pelo helicóptero Águia, mas não resistiu.

Na época, os acusados alegaram que Rullian teria sacado a arma durante uma discussão motivada por descontentamento com a escala de serviço e apontado contra os colegas. Segundo essa versão, Laroca efetuou três disparos e Rizzo, um.

A família nunca acreditou nessa versão e sustenta que o sargento teria descoberto um suposto esquema envolvendo jogos de azar e policiais militares.

Pela decisão desta terça-feira, Laroca foi condenado a 22 anos de reclusão, em regime fechado, por homicídio qualificado, além de 11 meses de detenção, em regime aberto, por fraude processual.

Rizzo foi condenado a 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão, em regime fechado, por homicídio qualificado, além de seis meses de detenção, em regime aberto, por fraude processual.

Desde a morte de Rullian, os familiares cobram justiça. Em dezembro de 2024, estiveram no Tribunal de Justiça Militar para cobrar respostas e protocolaram um pedido para o levantamento do sigilo do processo.

Em maio de 2025, Daiane usou a tribuna da Câmara Municipal de Franca para pedir celeridade no julgamento.