26 de setembro de 2026
FUTEBOL

Francano supera problema físico e vira árbitro da FPF

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
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Francano Kauê Henrique Tavares Martins, de 25 anos

O francano Kauê Henrique Tavares Martins, de 25 anos, tornou-se árbitro profissional da FPF (Federação Paulista de Futebol) após concluir em 14 de setembro o curso da EAFI (Escola de Árbitros Flávio Iazzetti). Morador do Jardim Pulicano, na região Oeste de Franca, ele terminou a formação com a maior nota entre os 50 alunos aprovados no Nível 2, após nove meses de preparação.

Da dificuldade à arbitragem

A trajetória de Kauê na arbitragem começou em 2021, após um problema físico dificultar sua continuidade no futebol como jogador. Ele convive com o pectus carinatum, conhecido popularmente como “peito de pombo”, e encontrou na arbitragem uma forma de permanecer ligado ao esporte.

“Eu comecei a apitar por conta de um problema físico. Para não ficar de fora do futebol, ganhei o amor pela prática de apitar”, contou.

Nos anos seguintes, o francano passou a atuar em partidas do futebol amador de Franca e região. Segundo ele, 2025 foi o período de maior destaque, com participação em finais e jogos considerados importantes no cenário amador.

“Fiz muitas finais em futebol amador em Franca e região, vivendo meu auge de finais em 2025 e jogos importantes no amador, que foram meu incentivo para me tornar profissional”, afirmou.

Nove meses de preparação

O caminho até a Federação Paulista começou na primeira etapa da formação, realizada na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, na capital paulista.

Cerca de 150 candidatos participaram dessa fase. Eles foram submetidos a três baterias de testes teóricos e sete de avaliações físicas, com provas de agilidade, velocidade e resistência.

Ao fim da primeira seleção, 90 participantes avançaram para o Nível 2. A partir daí, foram nove meses de treinamentos físicos, aulas práticas e avaliações teóricas, com grande parte das atividades realizadas no NAR (Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo).

A preparação exigia viagens frequentes. Segundo Kauê, havia avaliações teóricas semanalmente e, em dois fins de semana de cada mês, os alunos precisavam viajar para São Paulo ou outras cidades para participar de aulas práticas e treinamentos.

Aprovação com a maior nota

As avaliações finais teórica e física foram realizadas no sábado, 12 de setembro, no Edifício Pelé, na sede da Federação Paulista de Futebol, e no NAR.

A EAFI concluiu a apuração das médias no dia 14, quando foi definida a lista definitiva de aprovados no nível 2.

Dos 90 participantes que chegaram à segunda etapa, 50 obtiveram média superior a 7,5, a nota mínima exigida para aprovação.

O resultado considerou o desempenho nas atividades on-line do Nível 2, aulas práticas, festivais femininos, prova física final, avaliação teórica final e análise da composição corporal.

Kauê terminou a formação com a maior média entre os alunos. Na avaliação teórica final, também alcançou a nota máxima entre os participantes.

“Além da aprovação, tive a felicidade de obter a maior nota entre todos os alunos, resultado que coroa meses de preparação, estudos, noites sem dormir, ansiedade, dúvidas e muita dedicação”, relatou.

Renúncias para alcançar o objetivo

Durante a formação, Kauê precisou conciliar os compromissos do curso com a vida pessoal e profissional. Foram meses de viagens, treinamentos, provas e estudos, além de momentos de pressão, cansaço e incerteza.

“Eu nunca imaginei que, para me tornar um árbitro de futebol de alto rendimento, precisaria passar por um processo tão intenso e desafiador”, afirmou.

Segundo o francano, também foi necessário abrir mão de noites de sono e de momentos ao lado da família e da namorada para manter o ritmo de preparação.

“Precisei aprender a lidar com a pressão, com a cobrança e, muitas vezes, a caminhar sozinho. Foram meses de estudos, treinamentos, viagens e avaliações, conciliando tudo isso com a minha vida pessoal e profissional”, disse.

Apesar das dificuldades, Kauê considera que o esforço foi recompensado com a aprovação.

“Hoje, poder me tornar árbitro da Federação Paulista de Futebol representa muito mais do que uma conquista profissional. É a realização de um sonho construído com dedicação, disciplina, renúncia e muita fé.”

Primeiros passos como profissional

Antes mesmo da cerimônia de formatura, Kauê já começou a atuar em competições de base da Federação Paulista. Atualmente, apita partidas dos Campeonatos Paulistas Sub-11 e Sub-12.

A formatura da turma de 2026 da EAFI está marcada para 22 de setembro, no auditório do Museu do Futebol. Para Kauê, porém, a cerimônia representa apenas mais uma etapa da trajetória.

“Já estou apitando o Paulista Sub-11 e Sub-12. Os próximos passos, depois da formatura, que vai ser no estádio do Pacaembu, já conto com Deus para algo maior”, afirmou.

Para o francano, a aprovação representa o início de uma nova fase na carreira, iniciada justamente quando precisou encontrar outra maneira de permanecer dentro do futebol.

“Essa caminhada certamente ficará marcada na minha vida e será uma experiência que levarei comigo para o restante da minha carreira, especialmente para os grandes jogos e desafios que ainda estão por vir.”