14 de setembro de 2026
DOR DE MÃE

'Ele vai sair, minha filha não', diz mãe de vítima de feminicídio

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
WhatsApp/GCN
Adriana Meirelles, morta pelo ex-companheiro, e sua mãe Maria da Penha dos Reis

“Ele está lá, ele está na cadeia, mas ele vai sair, e minha filha não vai sair nunca mais.”

A frase de Maria da Penha dos Reis resume a dor após a morte da filha, Adriana Meirelles, de 39 anos, vítima de feminicídio no último sábado, 12, em Guará, a cerca de 50 quilômetros de Franca.

Adriana foi atacada a facadas no meio da rua, quando estava a caminho do trabalho. O ex-marido Jefferson Gonçalves da Silva, de 40 anos, apontado pela polícia como autor do crime, fugiu após o ataque e foi preso nesta segunda-feira, 14, na Rodovia Fábio Talarico, em Ipuã. O casal possui uma filha.

Em entrevista após a prisão, Maria falou sobre a trajetória da filha e descreveu um relacionamento marcado, segundo ela, por ciúmes, controle, ameaças e violência. A mãe também relatou episódios de descumprimento de medida protetiva e disse acreditar que a morte poderia ter sido evitada.

‘Filha, você tem meu apoio’

Segundo Maria, Adriana começou a morar com Jefferson ainda aos 14 anos. Com o passar do tempo, de acordo com o relato da mãe, o comportamento do companheiro teria se tornado cada vez mais possessivo.

Maria afirmou que ele controlava os contatos de Adriana, aparecia no trabalho para verificar com quem ela conversava e contribuiu para afastá-la de pessoas próximas.

A mãe contou que Adriana manifestou diversas vezes a vontade de terminar o relacionamento, mas, segundo ela, era ameaçada de morte quando falava em separação.

Quando a filha finalmente decidiu deixá-lo, Maria diz ter oferecido apoio. “Ela falou: ‘Mãe, eu vou’. Falei: ‘Filha, você tem meu apoio’”, recordou.

A separação, porém, não teria colocado fim ao medo.

Medida protetiva e novas ameaças

De acordo com Maria, Adriana conseguiu uma medida protetiva, mas Jefferson teria descumprido a determinação judicial diversas vezes.

A mãe relatou ainda episódios em que ele teria tentado invadir a casa da filha e sequestrá-la, além de fazer ameaças contra Adriana e a neta.

Agora, diante da morte da filha, Maria questiona o que poderia ter acontecido caso os supostos descumprimentos tivessem resultado na prisão de Jefferson.

“Se ele tivesse preso, ele não tinha feito isso”, afirmou.

‘Minha filha não vai sair nunca mais’

Jefferson foi preso dois dias depois da morte de Adriana. Para Maria, entretanto, a prisão não diminui a dimensão da perda.

“Ele está lá, ele está na cadeia, mas ele vai sair, e minha filha não vai sair nunca mais”, declarou.

Adriana foi atacada por volta das 6h20 de sábado. Segundo a mãe, ela estava a aproximadamente um quarteirão do trabalho.

“Não tem ninguém na rua de sábado. E ela estava chegando um quarteirão pro emprego dela”, disse.

O crime chocou Guará e foi registrado por câmeras de segurança.

Câmeras registraram os últimos momentos

As imagens mostram Adriana trafegando de moto quando Jefferson aparece em um carro e para à frente dela. Ele desce e se aproxima da ex-companheira.

Os dois discutem. Na sequência, Adriana é atacada com uma faca.

Mesmo gravemente ferida, ela ainda consegue se levantar. Pouco depois, cai novamente.

Após o ataque, as imagens mostram Jefferson movimentando a motocicleta de Adriana e colocando o capacete próximo à vítima. Em seguida, ele entra no carro e foge.

Adriana foi socorrida e encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

Prisão dois dias depois

A Polícia Militar localizou Jefferson na manhã desta segunda-feira na rodovia Fábio Talarico, em Ipuã.

Ele estava foragido desde sábado. Segundo as informações policiais, um sistema de monitoramento identificou a movimentação do veículo utilizado pelo suspeito, permitindo que as equipes acompanhassem seu deslocamento e realizassem a abordagem.

O delegado Murilo Machado, responsável pelas investigações, afirmou que Jefferson estaria retornando para Guará quando foi interceptado.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.