A destinação de 100% das emendas parlamentares para Franca e região, a defesa de investimentos em saúde, propostas para melhorar a mobilidade urbana e o fortalecimento da segurança pública estão entre as principais bandeiras apresentadas pelo candidato a deputado estadual Roberto Baldochi, do Podemos, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, promovida pelo Franca Tem Voz.
A proposta de concentrar os recursos na região foi apresentada por Baldochi como uma das principais marcas de sua candidatura. O candidato afirmou que pretende destinar 80% das emendas para Franca e 20% para municípios do entorno, sem enviar recursos para outras regiões do Estado. Segundo ele, a medida seria uma forma de garantir que o mandato mantenha ligação direta com as demandas da cidade e da região.
Na área da saúde, Baldochi defendeu o acompanhamento da implantação do Hospital Estadual de Franca e afirmou que o deputado precisa fiscalizar e cobrar o andamento dos serviços. Ele também citou a necessidade de investimentos na Santa Casa e em hospitais de municípios da região, além de equipamentos para unidades de saúde e ações voltadas à saúde mental. Entre as demandas mencionadas está ainda a aquisição de sensores de glicose para pacientes atendidos pela Casa do Diabético.
Para a mobilidade urbana, o candidato apontou a necessidade de intervenções viárias para desafogar pontos de congestionamento em Franca. Entre as propostas citadas estão a construção de pontilhões em regiões como Leporace e Santa Luzia, além da discussão de novas ligações entre bairros e de uma estrutura viária mais ampla para melhorar o deslocamento pela cidade.
Na segurança pública, Baldochi defendeu o fortalecimento da Guarda Civil Municipal, a valorização salarial das polícias Civil e Militar e a ampliação do uso de tecnologias de monitoramento. O candidato afirmou ser favorável às câmeras corporais durante as abordagens policiais, com ressalvas relacionadas à privacidade, e também citou a Muralha Paulista como ferramenta que pode ser ampliada em Franca e na região.
O setor calçadista também esteve entre os temas discutidos durante a sabatina. Ao abordar a tarifa imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, Baldochi defendeu a busca por novos mercados, especialmente no Sudeste Asiático e na África. Para ele, o Brasil precisa ampliar suas relações comerciais e criar alternativas diante da concorrência internacional, além de melhorar as condições econômicas para as empresas.
Na educação, Baldochi afirmou que votaria pela manutenção dos 30% de investimento obrigatório do orçamento estadual na área. O candidato também defendeu a formação profissional e destacou o papel das Etecs e Fatecs, além da necessidade de preparar os estudantes para áreas ligadas à tecnologia, indústria e comércio exterior.
Durante a sabatina, Baldochi ainda se definiu como um candidato de direita e conservador, mas afirmou defender o diálogo e a construção de consensos na Assembleia Legislativa. Ao falar sobre privatizações, disse que cada caso deve ser analisado tecnicamente e avaliou como positiva a privatização da Sabesp, desde que os investimentos resultem em melhoria dos serviços prestados à população.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com Roberto Baldochi, que fecha a série de entrevistas com os candidatos a deputado por Franca, pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra também pode ser lida abaixo.
A transcrição da sabatina do candidato a deputado estadual Roberto Baldochi, do Podemos, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Olá! Hoje dentro do Projeto Franca Tem Voz, que defende a escolha dos candidatos a deputado estadual pelos eleitores com base naqueles que são candidatos com vínculos diretos para a cidade de Franca e região. É dia de conversar com Roberto Baldochi, comerciante, 30 anos, casado, sem filhos. O que é ser deputado estadual, Roberto? É um prazer ter você aqui e eu queria começar te perguntando por que um comerciante que trabalha com gás resolve entrar na política, disputou uma vaga de vereador e agora quer dar um salto para deputado estadual.
Roberto Baldochi - Olá, Corrêa, é um prazer estar aqui e apresentar minhas propostas e minhas ideias e que Franca, todos os ouvintes me conheçam melhor. Eu trabalho nas ruas de Franca há 12 anos com meu pai, meu pai já está há mais de 30 anos vendendo gás a domicílio e foi nesse vínculo com a população, nesse diálogo diário que eu fui entendendo as suas necessidades e meu pai sempre foi chamado para ser candidato a vereador para outros partidos, só que ele nunca teve essa coragem e eu fui uma pessoa que eu sempre gostei de política desde cedo, ouvindo no rádio as apurações, sempre tive esse desejo de representar a população e a partir do momento que eu trabalhei no gás, até trabalho até hoje - há 12 anos - ouvindo, entendendo as necessidades da população, eu me propus a ser candidato a vereador e depois de dois anos hoje, em 2026, o partido que era responsável, a responsabilidade do Della Motta - que infelizmente ele foi acometido por um AVC, ele está doente - provavelmente ele seria o candidato a deputado, eu me propus e o partido aceitou bem, porque viu que minha votação foi orgânica, não tive gastos nenhum de campanha, exceto no meu propósito que eu coloquei os meus adesivos nos carros, então foi um voto que o partido me deu de confiança para tentar representar Franca e toda a nossa população na lei.
Corrêa Jr. - Você teve 827 votos para vereador, precisa ter aí 60, 70, 80 mil votos para ser deputado, como é que vai fazer essa mágica da multiplicação dos votos?
Roberto Baldochi - [Risos] Vamos lá, a eleição de vereador é muito pulverizada, foi mais de 260 candidatos a vereadores em 2024. Para deputado estadual diminuiu bem, são 10 candidatos a estaduais em Franca, e eu tenho um conhecimento muito bom na região, meu pai é de Itirapuã, a minha mãe é de São José da Bela Vista, a minha esposa tem raiz em Pedregulho, e em Franca a gente consegue uma margem muito boa de votos porque a gente tem amigos aqui no partido mesmo do Podemos, como a Naná, como o Douglinhas, que podem trazer, podem apoiar a minha candidatura, podem trazer bastante votos. Creio que o Podemos consegue uma cadeira com 55 mil votos.
Corrêa Jr. - É muito voto.
Roberto Baldochi - É muito voto, vou ter que correr bastante, gastar bastante sola de sapato e divulgar bastante nas redes sociais.
Corrêa Jr. - Roberto, quanto você recebeu de fundo partidário?
Roberto Baldochi - Olha Corrêa, eu fui muito sincero ao partido, e talvez isso tenha sido o meu pecado, porque na política, infelizmente, tem que mentir, tem que super se valorizar demais, eu não, eu sempre fui muito humilde, eu cheguei no partido e falei que com 150 mil eu conseguiria fazer uma campanha.
Corrêa Jr. - Eles mandaram 150 mil?
Roberto Baldochi - Não, até agora me mandaram 15 [risos] e prometeram 50, e a gente vê na divulgação de contas que hoje é público.
Corrêa Jr. - É público, eu tô perguntando só pra todo mundo entender, porque esses dados são públicos, você pode checar de todo mundo.
Roberto Baldochi - Eu vejo que pessoas em Franca já receberam um milhão, nas cidades do interior do próprio Podemos, com cidades com 50 mil habitantes, receberam 200 mil...
Corrêa Jr. - Mas por que você foi subvalorizado pelo Podemos?
Roberto Baldochi - Gente, é complicado dizer, mas eu...
Corrêa Jr. - E você acha que você consegue? Porque é muito sério isso, as pessoas não entendem, campanha é caro, a democracia custa, custa dinheiro, vai ter que sair de algum lugar. Dá pra fazer uma campanha competitiva com quanto? 15?
Roberto Baldochi - Até agora 15, me prometeram 50.
Corrêa Jr. - Tem mais 35 mil pra chegar. Só pra vocês terem uma ideia, vou dar um número aqui só pra ficar curioso, Roberto. Cada windbanner que você vê na cidade custa 120, 130 reais.
Roberto Baldochi - Do mais barato, tem de 300.
Corrêa Jr. - Tem que botar o baratinho, porque tem muita gente roubando, então você põe e repõe. Mas é verdade, tá tendo uma febre de roubo de windbanner, mas cada um custa 130 reais. As candidaturas de ponta aí vão fazer 3, 4 mil windbanners, a gente tá falando de 500 mil, 600 mil reais em um windbanner.
Roberto Baldochi - Eu encomendei 40 [Risos]. Então assim, eu vou ter que ser mágico, como eu disse também pra Margarida, que é a presidente do partido hoje, a gente vai ter que fazer muito com pouco. E eu acredito muito nisso, Corrêa, porque na minha eleição já de vereador a gente não tinha nada. E teve candidatos aí de certo partido que receberam um teto de 80 mil, 50 mil naquela época. E eu com pouco eu vou fazer muito e vou chegar na Alesp.
Corrêa Jr. - Mas vamos lá, quais seriam as suas bandeiras caso você opere um milagre e consiga multiplicar os votos e ser eleito? Quais são as suas principais bandeiras como deputado estadual?
Roberto Baldochi - Olha, a minha principal bandeira, e a campanha Franca Tem Voz é uma das responsáveis por isso, que 100% das minhas emendas ficam em Franca e região. 80% em Franca, 20% na região. Eu não quero ser um candidato que saia, sendo eleito, saia em Anhanguera, aqui na cidadezinha do interior pequena, pra angariar votos pra minha próxima reeleição. Eu quero defender a minha cidade.
Corrêa Jr. - E pra além da defesa do fortalecimento da região, em área de atuação, seu mandato vai ser direcionado pra que área?
Roberto Baldochi - Olha só, hoje uma das maiores necessidades de Franca é a infraestrutura de mobilidade urbana. E eu estou nessa área, eu fico nas ruas o dia inteiro vendendo gás...
Corrêa Jr. - Você anda o dia inteiro.
Roberto Baldochi - Então a gente entende a necessidade ali de um pontilhão pra desafogar a Francisco Marques na Tião, a Abraão Brickmann no Leporace. Então já houve estudos recentes, até uma candidata defende muito isso - aparentemente conseguiu, mas até agora a gente não vê nada - no sentido de um pontilhão ali na rua Gino Teixeira, que é perto da minha casa, perto da casa dos meus pais, que eles moram ali na Santa Luzia. Que seria excelente, porque desafogaria ali. Seria uma via que chegava próxima do Martins, do Tropical, do Residencial Meirelles, e chegava até no João Pedro Liporoni, então seria sensacional. Não só ali, você pega ali o distrito, aquela ligação do distrito, é importantíssimo a gente já pensar num anel viário maior.
Corrêa Jr. - Mas olha, só pra gente colocar, são 10 milhões de reais que você tem por ano, emendas impositivas, metade você tem que mandar pra saúde, metade você tem que mandar pra onde você quiser. Nenhuma dessas obras que você tá colocando cabe em 10 milhões, são obras muito maiores, você teria que fazer a disputa dentro do orçamento. Pra essas emendas que são suas mesmo, você mandaria o quê? Recapeamento? Você tem uma ideia mais clara? No caso da saúde, você direcionaria pra onde? Pra Santa Casa, pra cirurgias eletivas, pra UBS, o que você ia fazer com esse dinheiro?
Roberto Baldochi - É muito interessante, você mesmo disse, por via de regra, 50% tem que ser pra saúde. A Santa Casa é uma grande necessitária de emendas, não só a Santa Casa de Franca, mas você encontra em Ipuã, nessas cidades, em São Joaquim da Barra, eu conversei com o pessoal, eles precisam muito de emendas lá, em Patrocínio Paulista, em Pedregulho, então você também ajudando nessas cidades, seja com equipamento ou seja com emendas, você desafoga um pouco Franca, porque Franca é uma metrópole que está sendo, por muitas vezes, sobrecarregada por essas regiões também, por ter uma cidade de 350 habitantes. E hoje, mesmo com o hospital, que a totalidade dele vai ser só no final de ano que vem, a abertura dele, Franca necessita de um apoio melhor na Azul, no UBS, tentar integrar mais a saúde mental do CAPS ali, então fomentar também é muito importante.
Corrêa Jr. - Aportar recursos ali.
Roberto Baldochi - Hoje, ontem, pedindo votos na rua, uma pessoa veio conversar comigo sobre a Casa do Diabético, que ela necessita daquelas, o sensor de glicose, de crianças e adultos também. Então, é uma demanda que o deputado estadual pode mandar uma emenda para aliviar a população.
Corrêa Jr. - Então você atuaria nessas áreas.
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - Roberto, o calçado está enfrentando aí o problema do tarifácio, o Trump tacou 37,5% de impostos sobre a taxa, sobre o calçado, por sorte aqui para a região, para o Brasil, mas a carne ficou de fora, o café ficou de fora, mas o calçado foi taxado. Para você de quem que é a culpa, o que dá para fazer quanto a isso, e além disso, no governo do estado, algumas medidas foram tentadas, tem um crédito aí do Desenvolve São Paulo e houve uma compensação de ICMS, mas o setor disse que não resolveu nada. O que daria, como seria a sua atuação?
Roberto Baldochi - Olha só, todos os países estão sendo muito protecionistas, tanto os Estados Unidos, a China também, a carne bovina, se a gente ultrapassar a taxa de exportação, ela vai taxar em 55%, então todos eles estão defendendo o seu próprio mercado. No nosso caso, a gente já sofre um déficit desde a década de 90 em comparação à China, porque o nosso calçado - o calçado chinês custa um terço do nosso - então a gente desde a década de 90 já vem tendo essa inovação para diminuir o custo de produção para poder fomentar a venda, a exportação. Nós temos que abrir ainda mais o mercado. Os Estados Unidos estão taxando? Vamos tentar levar o nosso mercado para o sudeste asiático, a África, tentar fazer umas ligações.
Corrêa Jr. - Você acha então que a alternativa é encontrar uma alternativa, não é ficar dando murro em ponta de faca?
Roberto Baldochi - Sim. Acredito que não, é você aprovar a lei da reciprocidade.
Corrêa Jr. - Você vê alguma medida governamental que podia ser feita para o setor calçadista ou você acha que não resolve?
Roberto Baldochi - A nível estadual eu acho que não vai ter tanta...
Corrêa Jr. - O que fazer?
Roberto Baldochi - O que fazer, mas a nível, talvez federal que não seja no meu caso, porque eu sou candidato estadual, talvez até a taxa Selic abaixando um pouquinho já ajuda demais.
Corrêa Jr. - Vamos lá. A gente vive numa cidade, pela estatística, relativamente segura, a percepção nossa não é, eu acho que não tem nenhum brasileiro realmente tranquilo, é um problema hoje em dia a segurança pública, e eu quero saber o que você pensa dessa área, quais são suas propostas para a área de segurança pública caso eleito deputado estadual?
Roberto Baldochi - Eu acho que a GCM pode ser uma ferramenta muito importante...
Corrêa Jr. - Guarda Civil Municipal.
Roberto Baldochi - Guarda Civil Municipal. Você vê cidades como Indaiatuba, Taboão da Serra, que ela tem um aparato não tão grande igual a PM, mas muito forte, que pode ajudar bastante a cidade, então a gente tem que trabalhar também ajudando essa Guarda Civil Municipal. E eu também, vendendo gás na rua, sofro com isso, por quê? Os fregueses, coitados, eles abrem aqui para me atender, fecham a porta...
Corrêa Jr. - Com medo.
Roberto Baldochi - O carro está do lado de fora cheio de gás, eu tenho que entrar correndo, instalar, sair correndo, e ele tranca já a porta para eu poder sair, e eu vejo que a população fica trancada dentro de casa, e muitas vezes os bandidos ficam do lado de fora. Então a impunidade é muito grande no país, infelizmente. Então aí já é conversa de direito penal, nível União Federal. Só que como deputado estadual a gente pode engordecer mais a Guarda Civil, tentar melhorar o salário dos policiais também, que é muito defasado, coitado, é uma turma que defende a nossa vida.
Corrêa Jr. - Você acha que precisava melhorar a remuneração dos policiais civis e militares?Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - A letalidade policial em São Paulo dobrou nos últimos três anos. Subiu de 421 mortos em confronto com a polícia para 834, para ser preciso aqui. Segundo o governo do estado, os índices de violência oficiais caíram um pouco. Então o governo disse que isso é resultado da eficiência policial. Há quem diga que é uma brutalidade desnecessária, com alguns casos de chacinas ou acusações do gênero. Na sua opinião, quando cresce os mortos em confronto com a polícia, sinal de que a polícia está trabalhando mais e a gente está mais seguro ou não?
Roberto Baldochi - Olha só, eu acredito que a polícia está trabalhando bem, Corrêa. Sei que a letalidade é maior, mas por conta das facções. Elas estão bem armadas. Então a polícia, infelizmente, não pode chegar de uma maneira sutil. É óbvio que você não vê a polícia atirando primeiro. Sempre acho que a letalidade é para aqueles que atacam a polícia. Mas eu acredito muito na Polícia Militar.
Corrêa Jr. - Então você acha que é o reflexo de um enfrentamento maior do crime?
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - E a polêmica das câmeras corporais? O governador Tarcísio era radicalmente contra, depois ele começou a usar, hoje ele defende, só que elas não gravam todo o tempo. É uma das críticas que se faz. O que você acha das câmeras corporais e qual a sua opinião?
Roberto Baldochi - Eu acho bom porque defende tanto o policial, tanto a abordagem do meliante ou do suspeito, vamos dizer. Porque muitas vezes o suspeito também se auto-agride, fazendo com que o policial seja um suspeito ali, que não tenha cometido nada. E hoje a gente vê também, Franca assumiu a Muralha Paulista, entrou naquele projeto, no programa. Rifaina também. Então isso é muito interessante, esse programa de câmeras, não só para os policiais, mas para a prevenção do crime.
Corrêa Jr. - Monitoramento de vias e espaços públicos.
Roberto Baldochi - Isso, nossa, eu acho que Franca está necessitando mais ali na área central, na área da estação ali, onde foi feita a Mogiana, que é um lugar que eu acho maravilhoso, que a gente poderia aproveitar mais. Então é uma segurança a mais.
Corrêa Jr. - Você apontou com precisão aqui, inaugurou o Hospital Estadual, começou a operar, são 225 leitos com a capacidade máxima, mas hoje tem menos da metade funcionando, vão ser ao longo de alguns meses. E continuam as filas de gente esperando por cirurgia. Como é que você pretende trabalhar nisso e de que forma você imagina que vai fiscalizar esse funcionamento?
Roberto Baldochi - Olha, eu estive na comissão da implementação do hospital que esteve agora na Câmara Municipal, presidida até pelo Gilson Pelizzaro. E foi com o doutor Ricardo Bessa, que é o...
Corrêa Jr. - Responsável pela Diretoria Regional de Saúde.
Roberto Baldochi - DRS-VIII, isso. E foi bem explicado também a questão das filas e da implementação do hospital. Infelizmente, gente, a fila, a probabilidade de continuar é muito grande. Porque sempre os casos com emergência são atendidos primeiro. Muitos regionais nossos não atendem. Ipuã, São Joaquim da Barra. Muitas pessoas que estão hospitalizadas, que precisam de leito, vão para essa cidade. Acredito que Franca pode dar... Franca não, um deputado estadual pode criar, às vezes, um projeto onde tenha uma locomoção melhor para essas pessoas. Até para as famílias, porque as famílias não querem ir se locomover por esses locais. Mas tem um aparato médico que pode ajudar. A implementação do hospital é demorada, porque é técnico. Em Divinópolis, o governo federal inaugurou um hospital semelhante. Então não tem ideologia, não é direita ou esquerda. Lá também é a mesma técnica. Em seis meses, o número de leitos vai aumentando. A cada mês, a cada semana, vai implementando mais e mais, aumentando mais os leitos. E vai melhorando a situação da saúde pública da nossa região.
Corrêa Jr. - Mas você pretende atuar olhando isso e acompanhando?
Roberto Baldochi - Sim, acompanhando. O deputado estadual, ele fiscaliza, ele cobra. Então ele tem que ser atuante nessa demanda, né.
Corrêa Jr. - A Assembleia aprovou recentemente um projeto do governador Tarcísio que reduz o gasto mínimo com educação. Era 30%, ele reduziu para 25% ao argumento dele de que ele libera 10 bilhões de reais. O professorado chia dizendo que sucateia as escolas públicas. Na sua opinião, como deputado, como é que você votaria nisso? A favor da redução ou votaria contra o governador Tarcísio?
Roberto Baldochi - A gente tem que ver como foi esse projeto. Infelizmente eu não vi. Eu acho que o governador Tarcísio está fazendo um bom trabalho, mas é claro que a gente precisa cobrar. Em Franca, o índice de alfabetização da região é muito bom, no índice básico. Ele é um ponto acima da média estadual.
Corrêa Jr. - É, a educação na cidade ganhou vários prêmios nacionais.
Roberto Baldochi - Fundamental também. Chega no ensino médio, a gente se iguala. Então a gente tem que entender essa demanda. O que está acontecendo? Qual é a necessidade? Será que é mais Etecs? Tem que ser Etec, né? Porque é ensino médio. Para jogar o estudante para o mercado de trabalho, trazendo Franca, como é um polo já hoje têxtil, para comercialização exterior, de informática. Por exemplo, a Fatec tem muitos cursos bons nesse sentido também. Então trabalhar melhor na formação.
Corrêa Jr. - Mas lá, você não sabe como você votaria? Você votaria contra o Tarcísio ou contra o Tarcísio nesse?
Roberto Baldochi - Nesse eu teria que ver como é que foi esse combinado, porque eu não entendi muito bem. Ele retirou 5 bilhões?
Corrêa Jr. - É, 10 bilhões. A Constituição do Estado previa que 30% dos gastos do orçamento do Estado tem que ser investido em educação. E ele reduziu, ele fez uma mudança para permitir que gastasse apenas 25%. Ele tirou 5% dos recursos da educação. Ele disse que não precisa.
Roberto Baldochi - Não vai ter nenhuma demanda, não vai ter nenhuma licita..., não vai alocar nenhum dinheiro depois?
Corrêa Jr. - Ele vai gastar em investimento em outra coisa.
Roberto Baldochi - Eu não gostei, eu não votaria contra. Acho que a gente tem que votar a favor da educação.
Corrêa Jr. - Candidato, outra coisa que é polêmica com o governador Tarcísio para alguns são as privatizações. Ele disse que privatizaria, ele não mentiu para ninguém na eleição, ele foi eleito governador. E de fato ele privatizou a Sabesp, ele privatizou a EMAE, privatizou trens da Companhia de Trens Metropolitanos e quer privatizar mais. O senhor é contra ou a favor e por quê?
Roberto Baldochi - Tem que ser técnico. Por exemplo, a Sabesp é uma grande polêmica. Porém, a cidade de Franca conta com 100% do esgoto e água tratada. Então a nossa infraestrutura de saneamento básico é muito boa. Só que tem cidades como Mauá...
Corrêa Jr. - Litoral Norte de São Paulo...
Roberto Baldochi - Não tem. Agora eu vi um estudo lá que nesse ano, Mauá acho que tinha 2%, vai passar para 40%, vai chegar a 70%. Então o investimento vai chegar nessas cidades da privatização da Sabesp. Franca, houve um período aí, muito turvo, que eu não via obras de adicionamento da Sabesp. Agora, trabalhando nas ruas como eu trabalho, eu vejo que eles estão trabalhando mais nesse período.
Corrêa Jr. - Mas então, vamos lá, para me ficar claro, em relação à Sabesp, você acha que foi bom ou ruim? Foi acertado ou não?
Roberto Baldochi - Acertado. Vai ser ao longo prazo.
Corrêa Jr. - O senhor compra a tese do Tarcísio, ou seja, o dinheiro privado vai permitir levar saneamento como o de Franca para outras regiões do Estado?
Roberto Baldochi - Sim, sim.
Corrêa Jr. - E outras privatizações?
Roberto Baldochi - Como a...
Corrêa Jr. - Que ele venha a fazer. O senhor é contra ou a favor?
Roberto Baldochi - Depende do estudo, do estudo da privatização, como é que vai ser.
Corrêa Jr. - Você não é xiita, você não é radical. Pode ser algumas que privatizam, outras que não.
Roberto Baldochi - Sim, a gente tem que ter uma parceria público-privada e tem que ter também o poder do Estado atuando bem, eficiente. Se está atuando bem e sendo eficiente, a gente tem que deixar o Estado tocar. Agora, se houver uma maneira da iniciativa privada adentrar e melhorar o serviço, claro, a gente tem que ser a favor.
Corrêa Jr. - O senhor se define como o quê? De direita ou esquerda?
Roberto Baldochi - Eu sou conservador.
Corrêa Jr. - Então, mas de direita ou esquerda?
Roberto Baldochi - De direita.
Corrêa Jr. - De direita, conservador. Mas o senhor defende um papel do Estado, o senhor não defende uma redução brutal do Estado?
Roberto Baldochi - Tem que ser eficiente. Infelizmente, hoje...
Corrêa Jr. - Explica um pouco mais.
Roberto Baldochi - A gente conta com muitas regalias do setor até político, vamos assim dizer. Então, o Estado tem que ser eficiente e tem que chegar na população, seja no lado social, seja no lado de segurança, educacional, de saúde. Parcerias público-privadas são muito bem-vindas. Eu acho que essa da Sabesp vai ser, a longo prazo, vai ser muito eficiente. A gente pode citar outros exemplos. Vamos lá. Lembrar de cabeça agora vai ser...
Corrêa Jr. - Vamos aprofundar. Então, o senhor se define como, de direita, conservador.
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - Conservador nos costumes?
Roberto Baldochi - Sim, sim.
Corrêa Jr. - Então, por exemplo, o senhor acha que os direitos da população LGBTQIA+, por exemplo.
Roberto Baldochi - Olha só, eu não sou contra. Eu acho que eles têm que ter um direito de casar no civil, tudo tem o seu direito. Eu sou um católico praticante, eu sou salmista. Eu defendo muito as leis da Igreja Católica. Então, antes de ser purista...
Corrêa Jr. - Mas as leis como suas crenças pessoais ou as leis para serem levadas para todos?
Roberto Baldochi - As leis como crenças pessoais. Só que a gente tem que defender a liberdade da pessoa também. Então...
Corrêa Jr. - Então o senhor é quase um conservador liberal? [Risos]
Roberto Baldochi - Não, eu acho que o conservador, em tese, ele conserva nas tradições e melhora, não precisa de melhorar. Acho que a gente vive numa modernidade. A gente está com o século XXI. Existe...
Corrêa Jr. - Mas então, o senhor não é contrário aos direitos das pessoas que pensam diferente do senhor?
Roberto Baldochi - Não, de maneira alguma. Não, o equilíbrio do diálogo constrói pontes, Corrêa. Então, eu vou... Sendo eleito, vai ser 94 os deputados estaduais na Alesp. Como é que eu vou ser fechado na minha? Tem que ter o equilíbrio do diálogo. Tem que ter essa fomentação de poder encontrar o equilíbrio para pautar meus projetos, defender minhas causas, discutir o que está sendo feito.
Corrêa Jr. - O senhor falou aí dos 94. São 94 paulistas que representam milhões de paulistas. O salário de cada um dos 94 é de R$ 34.774. O senhor votaria a favor de algum aumento nesse salário? Ou o senhor achou bom o salário?
Roberto Baldochi - Não, eu não sabia nem que era esse valor. Eu pensei que era alto e que era em torno de R$ 20 mil.
Corrêa Jr. - R$ 34.000, o senhor vai ganhar, se o senhor for eleito, R$ 34.774 por mês, mais os assessores. Mais o trabalho de gabinete, carro oficial e uma série de benefícios. O que o senhor acha desse salário? E o senhor votaria a favor ou contra o aumento desse salário?
Roberto Baldochi - Eu votaria contra. Como a gente já havia falado aqui, agora há pouco, a gente falou do poder do Estado e o que eu defendo. Eu acho que a gente tem que sempre diminuir o custo do Estado até da classe política. Porque, vamos parar para pensar, eu não sei o número de assessores. Quantos são?
Corrêa Jr. - É móvel ali. Depende, você pode ter mais assessores ganhando menos ou menos assessores ganhando mais. Tem uma verba que você divide.
Roberto Baldochi - Ah, tá. Eu pensei que fosse, por exemplo, 20, 30. Então assim...
Corrêa Jr. - Tem gabinete com 20 e tanto. Tem o mínimo e o máximo. Tem gabinete com 8 ou 9, por exemplo. Depende de quanto você quer pagar para cada um.
Roberto Baldochi - Sim, sim. Eu acredito que a gente poderia reduzir um pouquinho. A gente vê Brasília - é que não é a pauta - ok, eu sou deputado estadual...
Corrêa Jr. - Pode falar.
Roberto Baldochi - Mas a gente vê Brasília com muitas regalias. Até auxílio-terno, essas coisas. Eu não sei se o deputado estadual tem.
Corrêa Jr. - Eles têm algumas, acho que auxílio-paletó tem.
Roberto Baldochi - Mas tem para morar?
Corrêa Jr. - Pra morar tem...
Roberto Baldochi - Eu acho que não seria necessário. A gente vê o tanto que o pessoal sofre na rua trabalhando, lutando, pagando imposto. E eu aqui, a gente já conversou sobre isso, sobre a verba partidária. Quem paga é você. Sou eu...
Corrêa Jr. - Claro.
Roberto Baldochi - É todo mundo. Então a gente está usufruindo do dinheiro público. Então acho que a gente tem que cortar esses gastos, diminuir eles.
Corrêa Jr. - Vamos falar um pouquinho de um outro assunto. Está discutindo também, São Paulo é o único estado onde não resolveu o problema da venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol. O pessoal que ama futebol fica irritadíssimo. Tem gente que é contrário. Diz que não pode vender mesmo. Qual é a sua opinião? Libera ou não?
Roberto Baldochi - Olha, eu cresci indo na Francana. Eu cresci no Lanchão. Eu acho que tudo tem o seu limite e equilíbrio. Eu sou favorável. Eu não acredito que...
Corrêa Jr. - O senhor acha que faz parte do lazer?
Roberto Baldochi - Se a pessoa fizer uma cagada, jogar algo no campo, ele que tenho que ser responsabilizado, não todos. Então eu acredito que é um lazer da pessoa tomar uma cervejinha, não pega depois carro para dirigir, pega um Uber. É um lazer da população. O Brasil é o país do futebol, então eles querem tomar uma cervejinha, assistir. Olha o quanto foi legal a Copa, a gente reunir família, tomar uma cervejinha.
Corrêa Jr. - Pena que o resultado não foi bom. [Risos]
Roberto Baldochi - Não foi mesmo. [Risos] Mas eu acho que o importante é estar ali, apoiando o seu time. E tomar uma cervejinha é muito bem-vindo. Dentro dos limites, com equilíbrio, nada que...
Corrêa Jr. - O senhor afirmou aí que percorreu, percorre - quanto a sua atividade - todos os bairros de Franca, de um lado para o outro, vê muita coisa. O que o senhor sente que a população mais quer e mais precisa?
Roberto Baldochi - Olha só, representatividade. Porque assim, os nossos deputados estaduais, eu ia falar federal, mas a gente não tem...
Corrêa Jr. - Não tem, faz 20 anos que não tem.
Roberto Baldochi - Os nossos deputados estaduais, muitas vezes, eles são eleitos e esquecem que são de Franca. Entende? Então, acho que ele tem que ter um papel atuante aqui em Franca, não só com os assessores. A gente falou do número de assessor, mas muitas vezes você vê assessor aqui, mas você não vê o deputado, você não vê ele atuando, você não vê... Até falo por você, eu não vejo eles dando entrevista no GCN...
Corrêa Jr. - Poucas. Lamentavelmente, aproveito para registrar aqui a nossa frustração com a ausência da deputada Graciela Ambrósio, dos 20 candidatos da cidade, 19 confirmaram presença, a deputada Graciela não participou, foi a única.
Roberto Baldochi - Então, a gente tem que...
Corrêa Jr. - Mas, vamos lá, importa a sua opinião, você está criticando, hoje nós temos um deputado de direita, deputada Graciela, e um deputado de esquerda, Guilherme Cortez. Ela tenta reeleição, ele tenta uma vaga em Brasília. O senhor acha que faltou mais conexão deles com a cidade, com a região?
Roberto Baldochi - Sim. Eu creio que um deve ser eleito federal.
Corrêa Jr. - Guilherme Cortez?
Roberto Baldochi - Não por Franca, mas pela...
Corrêa Jr. - Pelo trabalho do (presença no) estado que ele tem.
Roberto Baldochi - Pelo trabalho no estado de São Paulo e pelo seu nicho, que ele é muito forte dentro do espectro político dele. A Graciela, ela faz um trabalho, não tem como falar que não é decente, porque já foi dois mandatos. Só que eu acho que ela necessitaria se preocupar um pouco mais com Franca. E sabe por quê? Você olha as campanhas agora, igual eu estou olhando, Itápolis e Ibitinga são cidades que não usufruem do nosso sistema de saúde, não usufruem da nossa segurança, da educação, só seguindo a Unesp, mesmo assim já tem o aparato do Estado. Então a gente tem que se preocupar com Franca. Entende?
Corrêa Jr. - Candidato, (que) bom que é claro nas suas ponderações, isso é importante. Nós estamos discutindo nesse momento, ainda, o 8 de janeiro e o final do governo Bolsonaro. Na sua opinião, houve uma tentativa de golpe de Estado ou não? E por quê?
Roberto Baldochi - Eu acredito que não.
Corrêa Jr. - Por quê?
Roberto Baldochi - Porque se você olha as imagens...
Corrêa Jr. - Não, não, só para mim ser claro, o 8 de janeiro é a invasão e depredação dos prédios públicos e tudo o que aconteceu antes, que levou à condenação dos responsáveis.
Roberto Baldochi - Olha, eles têm que ser condenados pela baderna. Mas eu não acredito que seja um... O próprio presidente Bolsonaro, eu não acredito que ele queria dar o golpe. Talvez pessoas ao redor, mais inflamadas, os mais apaixonados, por assim dizer, que iriam fomentar algum tipo de golpe, mas eu acredito que Bolsonaro não estava...
Corrêa Jr. - Eu tenho comentado aqui, acho que pelo que eu vejo das reações de outros entrevistados, além do senhor, os candidatos ainda desconhecem. Mas está sendo lançado um livro agora, que chama Eu Disse Não. Foi escrito pelo comandante da Aeronáutica, nos anos Bolsonaro, o brigadeiro Carlos Batista Júnior. E o brigadeiro Carlos Batista Júnior narra o que aconteceu nos meses finais do governo Bolsonaro. E ele diz claramente que foram mais de 15, se não me engano, 17 ou 18 reuniões do presidente Bolsonaro com o alto comando das Forças Armadas, discutindo uma maneira de impedir a posse do Lula e de prorrogar - na verdade era uma junta militar que eles pretendiam criar... na verdade o plano era anular as eleições, prender o Lula e garantir uma forma de continuar o Bolsonaro no poder. Esse livro não foi escrito por ninguém de esquerda, foi escrito pelo comandante da Aeronáutica nos anos Bolsonaro. E ele diz que só não houve o golpe, porque numa última reunião, já depois da vitória do Lula, com a participação do comandante da Marinha e do comandante do Exército, o Bolsonaro teria apresentado a minuta do golpe, que era a decretação do estado de emergência, supressão de alguns direitos civis, fechamento temporário do Congresso e a prisão do Lula, do Alckmin, do Alexandre de Moraes e de mais, acho que o Barroso.
E aí ele diz também que nesse momento, quando entregaram a minuta que o comandante da Marinha teria dito ao Bolsonaro "a Marinha está com o senhor presidente", ele, na comandante da Aeronáutica, disse: "esse documento, de alguma maneira, prevê que não vai acontecer a posse do presidente eleito?", o Bolsonaro teria acenado que sim. Ele disse que ele nem recebeu esse documento. E que aí o comandante do Exército disse que o presidente Bolsonaro: se o senhor for continuar nesse curso de ação, eu teria que prendê-lo. É um relato de dentro do governo. Isso não é uma tentativa de golpe, na sua opinião?
Roberto Baldochi - Olha, eu não conheço essa pessoa que você falou. Pode ser que tenha acontecido. Eu acredito que pode também ser uma narrativa, porque fica no nós contra eles. Nós contra eles não, mas o que ele falou...
Corrêa Jr. - Nesse caso, são eles contra eles, né? É, ele contra eles.
Roberto Baldochi - Ele falando... Eu não acredito que tenha ocorrido essa tentativa de golpe.
Corrêa Jr. - Tudo aquilo que a gente viu, as pessoas começaram a invocar o artigo 142 da Constituição... Tudo aquilo, cantando o hino em frente a quartel. O senhor acha que isso não era parte de uma tentativa de um golpe?
Roberto Baldochi - Não, eu acho que aí é a paixão demais em política. E, assim, vou ser bem sincero, a paixão demais em política emburrece pessoas. Então a gente tem que entender que a gente tem que defender ideias, não pessoas. Pessoas erram.
Corrêa Jr. - Mas você acha que o Bolsonaro deu um erro nesse caso?
Roberto Baldochi - Eu não acredito que tenha tentado. Sinceramente, eu sendo direito, eu tenho as críticas a ele, mas eu não acredito que tenha essa tentativa de golpe, não.
Corrêa Jr. - Vamos lá, quais são as suas referências políticas? Eu fiquei curioso, porque você tem uma clareza diferente da maioria dos que eu entrevisto aqui.
Roberto Baldochi - Sério? Não, é o seguinte, eu li muito Edmund Burke, Russell Kirk, então essa classe mais conservadora inglesa, então eu sou fascinado. No Brasil é muito difícil. Se falar em um expoente da direita desde 10 anos atrás, 20 anos atrás a gente colocava o PSDB. Foi mudando, a gente foi ver que não era aquela direita conservadora que se apegou no Bolsonaro. O Bolsonaro teve seus problemas, não acredito que foi o desastre que foi, eu acho que a pandemia não levou de uma maneira tão legal.
Corrêa Jr. - Você defende vacina, por exemplo?
Roberto Baldochi - Claro, acho que tem que vacinar. Só que esse diálogo que deveria ter sido melhor com a população na pandemia, acredito que ele poderia ter feito uma reeleição, acho que seria muito melhor, com o ministro Paulo Guedes, que é uma pessoa que eu admiro muito. Mas, infelizmente, teve a pandemia no meio, e do jeito chucro dele, rude, às vezes acho que machucou muitas pessoas. E por isso que eu defendo mais esse conservadorismo mais britânico, ali de Russell Kirk, Edmund Burke...
Corrêa Jr. - De bom senso, vamos chamar assim.
Roberto Baldochi - De bom senso, acho que a gente tem que ter o equilíbrio do diálogo, e a política demanda um monte de pessoas boas, e Edmund Burke sempre dizia que para que o mal prospere, basta que as pessoas de bem não façam nada. Então...
Corrêa Jr. - Que é muito parecido com o que vai dizer Martin Luther King, o líder da luta pelos direitos civis americanos, que ele dizia: o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.
Roberto Baldochi - Sim, e ele era bem conservador, Martin Luther King, se você lê bastante. [Risos]
Corrêa Jr. - Candidato, vamos lá, vamos pro pinga-fogo nessa parte final?
Roberto Baldochi - Já?
Corrêa Jr. - Já, vai rápido aqui, passa, o tempo passa, vamos lá. Eu vou fazer as perguntas, o senhor me responde sim ou não, no máximo com uma frase para explicar, se não for possível definir com o sim ou não. Anistia ampla aos condenados pelo 8 de janeiro?
Roberto Baldochi - Sim, já chegou a 4 anos já, com muito preso, alguns presos.
Corrêa Jr. - O senhor voltaria a vincular os gastos obrigatórios de 30% do Governo do Estado na educação?
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - As escolas cívico-militares na rede estadual?
Roberto Baldochi - Legal, acho que é uma boa implementação, não geral, não quero que seja 100%.
Corrêa Jr. - Mas o senhor é a favor da ideia?
Roberto Baldochi - A favor da ideia, acho que sim, hoje tem duas escolas em Franca, né? Talvez ampliem um pouquinho mais, mas acho que não precisa ser 100%, acho que sou muito favorável da ideia.
Corrêa Jr. - Câmera corporal gravando o tempo todo nos PMs?
Roberto Baldochi - Peraí, o tempo todo?
Corrêa Jr. - É, porque hoje elas gravam, mas elas gravam mediante um acionamento lá.
Roberto Baldochi - Eu sou favorável, mas acho que o tempo todo, às vezes, não sei, na vida privada, às vezes não.
Corrêa Jr. - Não, sim, tirando o tempo de ficar ali no banheiro, né?
Roberto Baldochi - É isso que eu penso também. [Risos]
Corrêa Jr. - Claro, não quero ver essa cena bizarra. [Risos] Então o senhor é a favor das câmeras corporais?
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - Novas privatizações estaduais a serem propostas pelo Governador, dependo do caso?
Roberto Baldochi - Técnica, tem que ser técnica.
Corrêa Jr. - Praças de pedágio em rodovias a serem duplicadas?
Roberto Baldochi - Aí é um debate bem legal. Por exemplo, a região de Rifaina é uma região muito turística. É óbvio que o pessoal que se fala em duplicação dali, eles vão querer colocar uma praça de pedágio, isso não resta dúvida. Eu vou tentar defender a minha região, é óbvio que eu vou tentar maneiras de...
Corrêa Jr. - Sim ou não? É essa hora que tem que falar, o senhor defende ou não? Vamos ver se é um liberal ou se é um esquerdista.
Roberto Baldochi - Sim. Sim. Porque é uma melhoria também, a gente tem que entender...
Corrêa Jr. - Sim, é o que eu estou falando, pra ficar bem claro, eu tô falando em pedágios em rodovias que vão receber investimentos, não em rodovias já existentes, tá? Votação nominal obrigatória no caso da Assembleia? Tem muitas votações lá que são simbólicas, a gente não sabe como o deputado votou. O senhor defende...
Roberto Baldochi - Tem que ser tudo aberto.
Corrêa Jr. - Tudo aberto? Os salários acima do teto constitucional. Tem muitos servidores públicos que ganham muito acima dos 46 mil reais que são permitidos. O senhor é contra ou a favor?
Roberto Baldochi - Contra. Ainda mais a classe de juízes, né? Acho que recebem mais...
Corrêa Jr. - Muitos juízes, promotores e advogados recebem. Reforma administrativa mexendo na estabilidade dos servidores públicos?
Roberto Baldochi - Como que seria essa reforma? Depende da reforma.
Corrêa Jr. - É porque hoje a crítica que se faz é... O gestor não tem como demitir o mau servidor público. Os processos administrativos são longos e quase intermináveis. Ou não consegue fazer uma redução de despesa quando precisa, porque o servidor público tem estabilidade. O senhor acha que isso tem que ser flexibilizado ou não?
Roberto Baldochi - Tem que ser flexibilizado. Igual você falou, tem maus servidores públicos. Tem pessoas de bem que trabalham...
Corrêa Jr. - Quem defende a estabilidade diz: servidor precisa da estabilidade porque senão ele pode ser perseguido por um adversário que ganha.
Roberto Baldochi - Depende. Mas quando o adversário, vamos supor, prefeito... Vamos na localidade municipal. Prefeito ganhou, às vezes ele vai lá e reloca esse servidor público. Isso já é uma... O servidor público já merece o seu direito, porque ele está sendo relocado em uma situação que não é dele então...
Corrêa Jr. - O senhor defende então algum tipo de flexibilização da estabilidade do servidor público.
Roberto Baldochi - Sim.
Corrêa Jr. - E a última, o Estado laico ou um Estado que tem uma fé?
Roberto Baldochi - O Estado...
Corrêa Jr. - O Estado laico é aquele, o Estado diz, eu não tenho religião, para que cada um possa ter a sua religião.
Roberto Baldochi - Estado laico.
Corrêa Jr. - Estado laico. O Estado religioso é como, por exemplo, o Irã, que tem um Estado islâmico.
Roberto Baldochi - Isso que eu ia falar, geralmente os islâmicos eles são mais extremistas, então não, assim, não.
Corrêa Jr. - Estado laico para que cada um possa ter a sua fé.
Roberto Baldochi - Claro.
Corrêa Jr. - Candidato, o senhor tem um minuto para as suas considerações finais.
Roberto Baldochi - Eu queria agradecer pelo espaço. Espero que o francano e todas as pessoas da região aí tenham conhecido um pouco melhor das minhas ideias, da minha pessoa. E que me dê esse voto de confiança no dia 4 de outubro para poder representar vocês na Alesp. Sou uma pessoa que busca sempre o conhecimento, sempre busco o poder do diálogo, do equilíbrio, para conseguir as coisas. Por isso eu acredito em Franca, eu acredito na nossa região. Por isso, para mim, a maior ideia de qualquer deputado estadual que venha a ser aqui é a minha. Que é de 100% das emendas serem destinadas para Franca e região. 80% Franca, 20% para região, 0% fora. Eu sou Roberto Baldochi e meu número é 20220.
Corrêa Jr. - Candidato, muito obrigado pela sua participação. Boa sorte na sua campanha.
Roberto Baldochi - Obrigado.