10 de setembro de 2026
ALERTA

El Niño coloca Franca em alerta para avanço da dengue

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, responsável também pela dengue e zika

Franca está entre os 11 DRSs (Departamentos Regionais de Saúde) de São Paulo classificados como prioritários para ações de prevenção e resposta às arboviroses diante dos possíveis impactos do El Niño. O mapeamento faz parte do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde para antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede assistencial.

Além de Franca, foram incluídos na lista os DRS de Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.

Nessas regiões, a avaliação considera a possibilidade de aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika, além de maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações e mortes provocadas por formas graves das doenças.

“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses. O estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde, mas a participação da população também é decisiva”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde.

Segundo ela, uma das principais medidas é fazer uma vistoria semanal nos imóveis e eliminar recipientes que possam acumular água.

El Niño aumenta necessidade de preparação

O cenário meteorológico reforça a necessidade de preparação. Segundo o boletim mais recente de monitoramento do El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.

Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do Estado de São Paulo.

Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual apresenta melhora expressiva.

Casos de dengue caem 93,2%

Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo registrou 58.271 casos de dengue, ante 855.132 no mesmo período de 2025. São quase 797 mil casos a menos.

Mesmo com a redução de 93,2%, a SES-SP mantém o monitoramento semanal dos indicadores para identificar alterações na circulação do vírus e orientar antecipadamente as ações de vigilância, controle do mosquito e assistência à saúde.

Plano prevê ações conforme o risco

O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño foi estruturado para apoiar as regiões de saúde e os municípios diante de quatro cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses.

No caso das arboviroses, o planejamento prevê o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o acompanhamento dos indicadores, o controle do vetor e a organização da rede de saúde para uma eventual elevação da demanda.

As medidas devem ser adotadas de acordo com o nível de risco identificado em cada território.

Como eliminar os criadouros

A principal recomendação é fazer uma vistoria semanal em casas e apartamentos, com atenção redobrada após períodos de chuva. Entre as medidas indicadas estão:

Sintomas e sinais de alarme

De acordo com a Secretaria, a primeira manifestação da dengue costuma ser febre alta, acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias.

Também podem ocorrer dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza e mal-estar, náuseas e vômitos, além de manchas vermelhas e coceira na pele.

Os sinais de alarme podem surgir principalmente quando a febre começa a ceder. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos e cansaço extremo ou irritabilidade exigem atendimento imediato.

Em caso de suspeita, a orientação é procurar um serviço de saúde e não se automedicar.