A defesa da coexistência entre a educação regular e o atendimento especializado, a ampliação dos recursos para pessoas com deficiência, a valorização dos professores e o fortalecimento das políticas de saúde e assistência social estão entre as principais posições apresentadas pela candidata a deputada estadual Cristiany de Castro, do Republicanos, durante sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN e promovida pelo Franca Tem Voz.
Durante a entrevista, Cristiany defendeu que pessoas com deficiência tenham o direito de escolher entre a rede regular de ensino e escolas especializadas, de acordo com as necessidades de cada caso. “Eu defendo os dois mundos”, afirmou. A candidata também criticou a falta de profissionais preparados e de materiais adaptados e defendeu mais investimentos em formação continuada e valorização dos professores.
Cristiany também falou sobre o financiamento das Apaes e de outras organizações do terceiro setor. Segundo ela, os recursos atuais são insuficientes para cobrir os custos dos atendimentos e o Estado precisa ampliar os repasses nas áreas de educação, saúde e assistência social. A candidata afirmou ainda que pretende defender maior participação do interior na definição do orçamento estadual e direcionar parte das emendas para a região e para organizações que atuam com pessoas com deficiência.
Na área da segurança pública, Cristiany defendeu a valorização e a preparação dos policiais e afirmou ser favorável ao uso de câmeras corporais como instrumento de proteção tanto dos agentes quanto da população. Sobre o setor calçadista, diante do impacto das medidas comerciais dos Estados Unidos, afirmou que pretende atuar como uma ponte entre os empresários de Franca e o governo estadual, defendendo redução de carga tributária e ampliação das linhas de crédito.
A candidata também se posicionou contra a redução do percentual mínimo destinado à educação no Estado, defendeu o Estado laico e afirmou que novas privatizações devem ser analisadas caso a caso, a partir de estudos que comprovem sua viabilidade. Ao final, Cristiany afirmou que pretende ser uma voz de Franca na Assembleia Legislativa e pediu o voto dos eleitores.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa de valorização do voto regional e suprapartidária, idealizada por Acif, Cocapec, Unimed, GCN e Rádio Difusora, com apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região e ampliar a representação regional na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
A entrevista faz parte do Franca Tem Voz, iniciativa que busca valorizar a escolha do eleitor, prioritariamente entre candidatos com base eleitoral em Franca e na região. A íntegra da sabatina está disponível no canal do Portal GCN no YouTube e no vídeo publicado junto à reportagem.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza não compareceram às entrevistas.
A ordem da exibição e publicação das entrevistas foi definida por sorteio realizado na presença dos candidatos ou seus representantes.
A sabatina com Cristiany de Castro pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A transcrição da sabatina da candidata a deputada estadual Cristiany de Castro, do Republicanos, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Olá. Hoje, dentro das sabatinas que o Franca Tem Voz realiza com candidatos a deputado estadual e federal com base eleitoral em Franca e região, é dia de conversar com Cristiany de Castro, 44 anos, advogada, solteira, nascida na Bahia, mas que está há muitos anos aqui na cidade. Advogada e presidente da Federação das Apaes, já tentou a disputa uma vez e agora tenta novamente ser deputada estadual. Por que uma mulher com uma trajetória dessas quer ser deputada estadual?
Cristiany de Castro - Pois é. É uma alegria estar aqui hoje para conversar um pouco sobre as propostas. Hoje, atuo há 16 anos na causa da pessoa com deficiência, vendo diariamente as ausências que as famílias enfrentam. Como operadora do direito, também sabendo que muitas vezes o direito não só não ocorre, mas não chega a muitas delas, é que nós chegamos ao entendimento da importância de ocupar o lugar de quem decide orçamento, legislação e, também, depois dos estudos relacionados às políticas públicas, a gente sabe que é possível fazer muito pela pauta da pessoa com deficiência e por Franca. Uma vez que sou uma pessoa que trabalha aqui, cheguei em Franca no final de 2002 e estou até hoje. Tenho residência estabelecida aqui e sinto muito orgulho de fazer parte dessa terra.
Corrêa Neves Jr. - Você defende a inclusão na rede regular de ensino, mas também o financiamento estável para as Apaes, não é? E quanto seria preciso dos cofres do Estado de São Paulo para sustentar o sistema?
Cristiany de Castro - Olha, a inclusão é garantida pela Constituição. A gente sabe que a educação é dever do Estado e da família, e as pessoas com deficiência ainda são negligenciadas nesse aspecto. Então, a rede pública precisa estar pronta para receber a todos. Existem perfis que não podem ser negados na rede pública. Há pessoas com suporte maior, que precisam de profissionais e de uma educação especializada. Não existe nenhum país do mundo desenvolvido que acabou com as escolas especializadas, como o governo federal quis fazer no Brasil no ano passado, no Decreto 12.686. Então, nós defendemos as duas possibilidades, porque as pessoas com deficiência precisam ter acesso à educação de qualidade. Isso ainda não tem sido pacificado. Tem uma corrente que defende uma inclusão radical na rede regular, mesmo em detrimento da ausência de tantas questões técnicas, como os próprios professores, que se julgam não preparados.
Corrêa Neves Jr. - Você não defende essa inclusão radical?
Cristiany de Castro - Não.
Corrêa Neves Jr. - Você defende uma opção de inclusão ou uma opção extrarrede escolar regular quando ela for mais indicada?
Cristiany de Castro - Eu defendo os dois mundos. As pessoas com deficiência são negligenciadas sistematicamente. Nós precisamos oferecer as possibilidades para que o público consiga fazer parte de um sistema educacional capaz de implementar os pilares que a Lei Brasileira de Inclusão estabelece: acesso, permanência, participação e aprendizagem. É algo que nós não temos ainda, em muitos aspectos, na rede regular, e que a escola especializada tem. Então, nós precisamos ofertar possibilidades e dar o direito de escolha para as famílias. Nada sobre nós sem nós. Hoje, as famílias de pessoas com deficiência estão sendo submetidas a cumprir legislações das quais nunca foram consultadas. Então, nós estamos no Brasil. A gente precisa trazer a voz desse segmento e dar opções para que o processo de educação aconteça com dignidade. As parcerias com as Apaes e com a escola especializada são possibilidades reais para que essas pessoas tenham um atendimento em um espaço preparado. Então, eu defendo, sim, que os dois mundos coexistam, como acontece em qualquer país desenvolvido, que é o que o Brasil precisa copiar. O custo hoje, nós não temos um custo fechado na área da educação. Por exemplo, nós temos quase 30 mil alunos em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, uma parte com deficiência intelectual e outros de autismo. Existe um valor repassado. Que é o valor do Fundeb. Mas ele ainda é aquém do valor real, porque o valor do Fundeb não suporta. Por isso que vocês são convidados direto para festa de San Genaro, para pizza, para porco, para todas as festividades, leilão, para complementar a conta que o governo não paga completamente. Tem uma coisa, Junior, que é importante dizer. Muita gente não sabe: a Apae não é uma mobilização da Prefeitura. A Apae é uma associação privada de pais. A Prefeitura faz parceria, o governo do Estado faz parceria, para fazer uma prestação de serviço que é obrigação dele. E aí, a instituição recebe menos do que o custo real e tem que usar estratégias para pagar com o que faz, com essa série de eventos.
Corrêa Neves Jr. - Qual o público das Apaes hoje? São pessoas mais novas ou mais velhas?
Cristiany de Castro - Nós temos um público que inclui crianças, jovens, adultos e pessoas com deficiência em situação de envelhecimento. O Brasil está envelhecendo. Em 2030, nós teremos uma das dez nações com mais idosos do mundo, e as pessoas com deficiência também estão alcançando um patamar de longevidade que antes não alcançavam. Então, são todos os públicos. Nós temos muitas pessoas adultas e idosas que precisam de atendimento na área da saúde e na área da assistência social, que são pontos sensíveis nossos também.
Corrêa Neves Jr. - E o financiamento, hoje em dia, vem uma parte do governo do Estado, uma parte da Prefeitura, onde tem parceria? Não são todas que têm parceria, mas a maior parte tem parceria?
Cristiany de Castro - Das Apaes, 273 possuem parceria com o Estado na área da educação. Na saúde e na assistência social, o recurso vem dos municípios mesmo. Então, o que eu defendo, e por isso também é um dos motivos da nossa candidatura, é que exista mais repasse na área da assistência social para os municípios, porque o dinheiro da assistência deveria ir de fundo a fundo para aumentar o serviço das Apaes e de outras organizações sociais. Não só a Apae atende todas as pessoas com deficiência. Muitas vezes não tem vaga para isso, nem para o público. Então, nós defendemos que todas as pessoas sejam atendidas. A gente precisa de mais recursos vindo do governo do Estado para ampliar o atendimento na área da assistência social e da saúde.
Corrêa Neves Jr. - Quando a gente conversa com pessoas da educação, especialmente por defenderem a inclusão, normalmente elas têm esse viés muito radical da inclusão a qualquer custo, com a ideia de que todo mundo pode ser incluído. E eu divergi algumas vezes sobre isso, porque eu acho que ou seria uma conta impossível de ser fechada ou seria um prejuízo para o próprio aluno atendido. Há diferenças que são muito significativas, e eu acho que é uma confusão porque a ideia de inclusão, às vezes, transmite a ideia de que você vai nivelar todos. Isso não vai ser possível, o que não quer dizer que ele não deva ter um atendimento. Como é que você lida com essas diferenças que eu já falei um pouco aqui? E o que mais a Apae poderia fazer se houvesse recurso ou financiamento para isso?
Cristiany de Castro - Primeiro é atender o público. A gente precisa compreender que, nesse contexto, ainda é preciso respeitar as diferenças.
Corrêa Neves Jr. - A Apae de Franca não cobra nada?
Cristiany de Castro - Não paga nada. Então, são pessoas com deficiência intelectual, núcleo e autistas. Nós escutamos muita gente hoje que ouviu falar de autismo pelo Instagram, pela internet, mas nós atendemos autismo há décadas. Não é novidade para nós. Então, a gente já tem expertise, equipe técnica multidisciplinar para atender pessoas com transtornos do espectro autista, mesmo antes de muita gente saber que o autismo existia com esse nome. A gente estudava transtornos globais do desenvolvimento, aspectos gerais da neurodivergência, e hoje temos pessoas com deficiência intelectual e autistas atendidas nas três áreas: educação, saúde e assistência social. E o que falta aí, nessa questão da educação, que você disse? A gente defende fundamentalmente coisas. A Apae tem parceria só para atender o ensino fundamental. O que acontece é que muitas pessoas, quando acabam o ensino fundamental e vão para a rede regular, não se adaptam. Então, elas voltam para casa, sem sequência no processo de escolarização.
Embora a Lei Brasileira de Inclusão fale em educação ao longo de toda a vida, nós temos ali uma parceria com o governo do Estado que limita, por exemplo, a idade de participação até 30, 32 anos, e depois vai para a assistência social. Isso não poderia existir. A gente precisa garantir todo o recurso escolar adaptado, porque também é outra discussão. Não tem como você pegar uma pessoa com autismo nível de suporte três ou dois, ou uma pessoa com deficiência intelectual, porque tem um retardo no aprendizado, e colocar a mesma grade de uma pessoa sem deficiência. Então, é incoerente. Não é inclusão, isso é um faz de conta. Então, hoje, aquilo que ainda ocorre em vários aspectos é um faz de conta, infelizmente, sem respeitar a individualidade, o material pedagógico adaptado, o profissional preparado. Grande parte dos professores diz para mim: “Eu não recebi formação para isso”. Eu fico desesperada. Tenho professoras sofrendo porque não conseguem atender uma sala com 30 alunos, mas com autistas sem profissional de apoio.
Corrêa Neves Jr. - Então, hoje, você não tem ideia de quanto precisaria para fazer tudo isso?
Cristiany de Castro - Nós precisamos hoje, porque nós temos uma fila de espera enorme, que não foi computada agora. Nós temos hoje o valor do Fundeb, como eu disse, que é repassado. Tem um valor que é anual, de R$ 8 mil por autista, e um valor que é para deficiência intelectual. Mas, se a gente multiplicar toda a demanda que está ali na fila, está ali em milhões, com certeza. O que o governo passa, milhões, ainda está desatualizado. Então, a gente precisa considerar toda essa fila que está aguardando atendimento para formar um valor próximo do real.
Corrêa Neves Jr. - Se você for eleita deputada estadual, vai ter R$ 10 milhões por ano em emendas parlamentares. São R$ 10 milhões, metade para a saúde e metade para outras áreas. Seu dinheiro iria exclusivamente para a Apae ou você pretende distribuir de outra maneira? O que passa na sua cabeça?
Cristiany de Castro - Não exclusivamente para a Apae. E elas tem total consciência de que o gabinete das Apaes, quando a gente conversa em alguns momentos, não representa só a emenda, nem o papel do parlamentar se resume à emenda. Então, seria uma defesa constante dos direitos das organizações sociais, do terceiro setor, das pessoas com deficiência, defendendo perenidade nas parcerias. As emendas, sim, parte delas para a Apae. Eu tenho um compromisso real com Franca e região, que é onde eu resido. E a emenda não atende tudo, né? A gente precisa lutar pela peça orçamentária que dê mais prioridade para o interior e para o segmento da pessoa com deficiência, para o terceiro setor. Então, a emenda é um complemento pequeno, considerando as necessidades reais. Mas, é claro, também direcionadas para a Apae e para a região que eu vivo, que a gente sabe das necessidades.
Corrêa Neves Jr. - Mas você tende a destinar mais para a Apae, por exemplo, ou para outras iniciativas do terceiro setor, do que para obras de infraestrutura, por exemplo?
Cristiany de Castro - Pelo segmento que eu represento, sim, porque eu estou aqui para representar essas famílias que são esquecidas, negligenciadas e caladas. Nesse aspecto, a gente entende que a prestação de serviço direta nessas áreas de saúde, educação e assistência social é fundamental. Então, com certeza, a preferência vai ser para complementar essa conta que é tão necessária hoje, garantir que a gente minimize filas, porque as filas são intermináveis. Só da linha de atendimento, nós temos mais de 16 mil pessoas autistas aguardando algum tipo de atendimento.
Corrêa Neves Jr. - Por mais que a causa seja muito nobre, deputada, uma deputada é uma dos 94 paulistas escolhidos para representar milhões deles, mas há outros assuntos que são importantes e sobre os quais você vai ter que votar, legislar ou representar. Um deles, que eu vou falar aqui, é o calçado. A gente sabe que o setor foi duramente atingido pelo tarifaço do Trump, com a taxa de 37%. O café escapou, a carne escapou, frutas ficaram de fora também, mas, para a nossa região, o calçado pegou. O governo do Estado adotou algumas medidas, de isenção de ICMS e alguma linha de crédito via Desenvolve São Paulo. O setor diz que é muito pouco, como reclamou também do que recebeu do governo federal até agora. Como você, na condição de deputada estadual eleita, se posicionaria diante disso e de que forma poderia ajudar o setor?
Cristiany de Castro - São mais de 630 indústrias aqui. A gente sabe que ainda representa um protagonismo enorme em relação ao setor calçadista, e isso não tem se refletido no diálogo direto entre esse setor e o governo do Estado. Então, a minha proposta é ser uma representante ativa, como moradora de Franca, como advogada, como mestre em políticas públicas, como alguém que sabe a importância de ouvir o segmento e não só propor soluções à luz do que eu penso, mas, sobretudo, ser uma ponte direta entre o segmento calçadista e o governo do Estado para que a gente possa apresentar soluções.
Corrêa Neves Jr. - Qual seria uma alternativa possível de atuação?
Cristiany de Castro - Defender essa questão de redução de tributação. Tem importância. A gente precisa dar soluções reais em relação a essa questão do financiamento, dando possibilidade de financiamentos, linhas de crédito ampliadas. Nós precisamos seguir por esse caminho. Por esse motivo, eu tenho escutado vários empresários que têm falado disso: “Olha, a gente não tem voz. A gente está se sentindo excluído, preterido”. Então, um dos primeiros pontos que eu tenho escutado é nessa questão de linha de crédito e também redução de carga, porque a gente tem visto empresas que saem daqui, por exemplo, e vão para Minas Gerais por ter uma carga tributária menor.
Corrêa Neves Jr. - A segurança pública é uma preocupação muito grande do cidadão hoje. As estatísticas oficiais apontam uma melhora dos índices de São Paulo. Mas há números que chamam a atenção. Um deles é que, em três anos, aumentou o número de mortos em confrontos com a polícia de 421 para 834. O governador Tarcísio de Freitas diz que isso é resultado da maior eficiência das forças policiais. E aí, como as forças policiais estariam combatendo com mais eficácia o crime, o crime age e, no confronto, a polícia mata mais. Quem critica diz que não, que é reflexo da brutalidade da polícia e que muitos desses casos foram chacinas e execuções. Na sua opinião, esse crescimento do número de mortos em confrontos com a polícia é reflexo de mais eficiência ou de mais despreparo?
Cristiany de Castro - Eu acho que os dois andam juntos, porque a gente vê uma polícia subvalorizada, sem os equipamentos necessários, sem receber o quanto deveria, sem a formação necessária, porque infelizmente isso não vem acontecendo. A criminalidade é real. A gente não pode fechar os olhos para isso, e a gente precisa de uma polícia que faça esse trabalho de forma sensível. Então, o crime está aí, mas a gente precisa de uma polícia mais preparada. A gente precisa olhar para essa questão da valorização dos policiais. A gente precisa de câmeras, a gente precisa de informações para que esses profissionais...
Corrêa Neves Jr. - E você defende as câmeras corporais ou acha que elas atrapalham?
Cristiany de Castro - Eu acho que sim, porque elas são importantes instrumentos para a realização da segurança, tanto da população quanto dos policiais.
Corrêa Neves Jr. - O Hospital Estadual de Franca, enfim, é uma realidade, está aí operando, mas ainda não está operando com a sua plena capacidade. Quando estiver tudo funcionando, serão 225 leitos. Os números divergem um pouco quanto ao que está funcionando agora, mas o fato é que as filas não acabaram. A gente continua esperando nas unidades de saúde do município por vagas de internação. Uma das funções do deputado estadual é fiscalizar. A senhora tem acompanhado essa questão da lenta entrada em funcionamento do hospital estadual? E como é que a senhora pretende fiscalizar isso?
Cristiany de Castro - A gente sempre escuta a população. Eu atuo também nessa área de saúde de uma maneira mais direta, e as pessoas vêm colocando para nós: “Olha, a gente não sentiu ainda o impacto real”. Então, quem fala em 100 e poucas vagas, que são leitos funcionando, mas a gente precisa entender que o hospital não é só leito. Precisa ter profissionais, precisa ter exames. Em Franca, por exemplo, a gente tem mais de 6 mil pessoas aguardando exames. E aí, o que nós precisamos é de recursos, de estratégias junto aos municípios que são atendidos, fazendo isso para que as pessoas realmente recebam, tenham a demanda atendida. Por exemplo, eu estava olhando esses dias, e isso me tocou de uma forma especial, a questão das colonoscopias e endoscopias, que são enormes, né? Nós temos, em 2025, foram 520, se não me engano, com mais de 2 mil pessoas na fila. Então, isso é muito triste, porque, se a pessoa está necessitando desse exame, o diagnóstico vem de forma tardia. Ela perdeu tempo para fazer o tratamento que poderia representar a cura. Então, a gente tem situações muito críticas que precisam de uma defesa direta de recursos, inclusive para a nossa região, e de parcerias entre o hospital regional e os municípios que são atendidos, para que a demanda não seja...
Corrêa Neves Jr. - Como você vai conseguir isso?
Cristiany de Castro - Fazendo a defesa do processo orçamentário, o deputado, muita gente não sabe, em São Paulo, quem vota o orçamento são os deputados estaduais. Às vezes, a gente escuta muita gente falando só de emenda, que é algo pontual, mas escuta pouco representantes falando sobre como a gente precisa ter um orçamento melhor distribuído.
Corrêa Neves Jr. - A senhora é do Republicanos, partido que está de acordo com o governador Tarcísio de Freitas. Se ele não quiser, por exemplo, começar uma matéria contra...
Cristiany de Castro - Na verdade, eu entendo. O Brasil, a gente sabe, precisa participar, e nós temos que estar em partido político. Esse partido, claro, o governador tem feito um trabalho significativo. É uma pessoa que está comprometida com São Paulo, mas a gente tem, como instrumento democrático, a liberdade de defesa. Então, talvez o que tenha faltado tenha sido uma voz ativa mostrando a realidade concreta da nossa região.
Corrêa Neves Jr. - Mas a região tem hoje dois deputados na Assembleia. Um deles é a Delegada Graciela.
Cristiany de Castro - Eu acho que eles não foram eficientes nessa defesa, nessa luta ou na defesa dos interesses da região na peça orçamentária do Estado. Eu vejo que precisa melhorar. Eu vejo que os parlamentares, claro, defendem muito a participação dos atores políticos e que a gente precisa fortalecer vozes de Franca, inclusive tem potencial para ter mais representantes com segurança, com conhecimento e sendo combativos nas defesas. O que a gente observa é isso: que são tantas ausências assim porque, embora às vezes alguma voz tenha sido levantada, a resposta não chegou. Claramente, isso mostra que a gente precisa ter prioridade no interior. Não estou me referindo a ninguém, porque eu acredito que cada um representa o interesse dos seus eleitores. Mas eu acredito que nós, do interior, precisamos de mais voz e mais prioridade perante o governo do Estado.
Corrêa Neves Jr. - A Assembleia votou agora a redução do investimento mínimo na educação de 30% para 25%. A proposta é do governador Tarcísio. Ele argumenta que não precisa desse dinheiro na educação e que são R$ 10 bilhões a menos que ele vai investir em outras coisas. Se a senhora estivesse lá para levantar essa questão, a senhora defenderia a redução de investimentos em educação, ainda que seja justificável, porque não precisa e dá para usar esse dinheiro em outra coisa?
Cristiany de Castro - Eu não defendo a redução do recurso da educação, porque eu sou fruto de um processo educacional que funcionou. Eu venho do Nordeste, numa situação de baixa renda, inclusive com tantas questões de dificuldade, e foi a educação que me deu chão. Então, eu defendo com unhas e dentes o investimento na área da educação e mais oportunidades. Então, sim, eu defenderia recursos na área da educação e a valorização dos profissionais. No final do dia, eu defendo mais recursos para a educação.
Corrêa Neves Jr. - Então, votando não pela redução?
Cristiany de Castro - Nesse ponto específico, provavelmente.
Corrêa Neves Jr. - Outra questão: muita gente defende hoje em dia as escolas cívico-militares e a extensão, a expansão desse sistema. A senhora acha que elas são boas ou ruins? A senhora é contra ou a favor das escolas cívico-militares? Por quê?
Cristiany de Castro - Eu acho que as pessoas ficam reduzindo a educação aos modelos. Eu vejo que, enquanto a gente não tiver profissionais da área de educação reconhecidos e valorizados, a gente acaba não dando prioridade à educação. Eu defendo mais de um modelo. São estratégias pedagógicas que funcionam, que vêm dando resultado na vida das pessoas. Eu defendo a valorização dos professores. Todos nós somos frutos de professores que passaram pela nossa vida e que deixaram marcas muito positivas. Então, mais do que o modelo cívico-militar ou qualquer outro, é muito difuso. As pessoas vivem exatamente...
Corrêa Neves Jr. - A senhora acredita, por exemplo, que o modelo cívico-militar é bom?
Cristiany de Castro - Acho que pode ser bom.
Corrêa Neves Jr. - Pode ser?
Cristiany de Castro - Pode ser. Mas eu acho que não é um modelo para toda a educação. Eu acho que pode ser uma opção.
Corrêa Neves Jr. - Uma opção, uma alternativa, não necessariamente transformar as escolas estaduais em escolas cívico-militares. E a senhora falou em valorização. Só estou falando em salário maior para os professores?
Cristiany de Castro - Eu estou falando em formação. Eu estou falando em salário maior. Estou falando em material pedagógico. Estou falando em vários aspectos. Vou trazer o exemplo para o meu nicho: a gente tem vários profissionais da educação que não se julgam preparados o suficiente, não tiveram a formação do Estado para lidar com o aluno autista, por exemplo. Embora a Lei Brasileira de Inclusão diga que é dever do Estado, do poder público, dar formação para que o profissional lide com esse público. Então, defendo, sim, uma atualização salarial. Eu defendo formações continuadas. Eu defendo condições de trabalho. Eu defendo tematização das salas de aula. Eu defendo uma estrutura que funcione.
Corrêa Neves Jr. - E aí vem uma pergunta que eu tenho feito para muitos que pensam de maneira semelhante à senhora sobre o papel do Estado. Quando a gente fala sobre tudo isso, tudo isso custa dinheiro. Mas eu não encontrei nenhum candidato que defenda aumento de imposto. É evidente. Sucessivos governos de diferentes ideologias, ao longo de décadas, mostram que a gente tem um problema maior: o Estado que a gente prometeu para os brasileiros nunca cabe no orçamento. E a senhora defende mais coisas, né? Tudo isso que a senhora está falando aqui, que é bonito, custa alguns bilhões de reais para o Estado de São Paulo. Como é que fecha a conta?
Cristiany de Castro - Não, eu acho que nem tem como aumentar imposto. A gente teria que ter uma gestão mais eficiente. A gente teria que ter mais fiscalização, auditorias nas contas, definição de prioridades, com discussão com os segmentos, que a gente não tem. Por exemplo, eu vou dar um exemplo para o segmento que eu represento. Em muitos momentos, a gente não discute conjuntamente sobre as estratégias a serem adotadas, inclusive econômicas, para a sustentabilidade nesse segmento, que é a pessoa com deficiência, no que diz respeito à prestação de serviço em todas as áreas. Eu tenho certeza de que isso não acontece com as demais. Então, a gente precisa buscar um equilíbrio, porque, às vezes, o que a gente tem em posição de investimento em determinadas áreas... Vou dar o exemplo das emendas parlamentares. Às vezes, elas são indicadas para determinada área, a organização social não precisa daquela verba para aquela área, precisa para outra, e não pode ser mudado.
Corrêa Neves Jr. - É a cereja do bolo já no final. Por exemplo, eu já falei da valorização dos professores. Eu sou filho de professora, sobrinho de professora, acho fundamental. Mas a gente está num sistema em que o setor público não pode ser demitido. Se a conta não fecha, de qualquer maneira, não pode demitir o servidor público. Se a gente cria coisas que aumentam a conta, como nós vamos financiar? Sejam elas importantes ou não, elas são importantes. Mas de onde vai sair o dinheiro para financiar, se não tem nenhum candidato defendendo aumento de imposto? Tem que diminuir os impostos. Como é que essa conta vai fechar?
Cristiany de Castro - O equilíbrio é por gestão de qualidade.
Corrêa Neves Jr. - Não tem.
Cristiany de Castro - Não tem agora.
Corrêa Neves Jr. - Mas fechando um pouco. Não precisa ser... Eu sempre lembro disso aqui. A gente está num modelo hoje em dia em que seria possível falar em questão... discutir com o Congresso, uma Assembleia também. A gente poderia reduzir a gestão se o gestor, prefeito, governador, presidente, qualquer um deles tivesse controle sobre grande parte do orçamento. Ele não tem. Hoje em dia, você pega o município de Franca. É (a coisa) mais fácil do mundo aprender o que eu já citei várias vezes. Franca tem o prefeito de Franca com, grosso modo, entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões para investimento. O resto é todo amarrado. O resto não tem a ver com gestão. O resto é 25% que ele tem que gastar em educação, 36% que ele gasta em saúde, mais do que o dobro do que deveria, porque gasta cerca de meio bilhão de dinheiro municipal com saúde, mais a folha de pagamento dos servidores etc. Tudo isso é amarrado. Então, como é que a gente garante essa qualidade que todos gostariam, com tanto dinheiro para financiar? De onde que esse dinheiro vai sair?
Cristiany de Castro - Dos impostos mesmo. Porque nós somos uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Corrêa Neves Jr. - Também não somos. A própria dúvida é essa. Você tem dois modelos principais. Você tem a escola que funciona muito bem. Todos têm uma vida ótima. Os escandinavos, noruegueses, finlandeses, dinamarqueses, suecos, todos eles têm uma vida ótima, mas pagam mais de 75% de impostos, mais de duas vezes a carga brasileira. Em outra parte, nós temos um modelo que, por exemplo, o Republicanos defende na sua ideologia, o modelo americano, onde nós não vamos fazer nada disso que a senhora está dizendo. É até curioso a senhora que está no Republicanos: eu não vou fazer nada disso. Nós vamos deixar cada um que se vire, cada um cuida da sua vida. O Estado faz o mínimo dispensável e a gente cobra um pouco de imposto e deixa cada um viver a sua vida. A minha dúvida é: a gente acena para o eleitor uma série de coisas que a gente gostaria de ver, mas um dia a gente vai ver dinheiro ou falar de uma gestão com menos roubalheira? Eu falei: se acabasse com toda a roubalheira do Brasil, a gente precisa acabar com essa chaga. Ainda assim, nós não conseguiríamos entregar o tamanho do país que a gente promete. De onde é que vai vir isso? Como é que a gente vai fechar essa conta? Por exemplo, valorizar o professor, treinar os professores, incluir, garantir dinheiro para a Apae, ter dinheiro para a saúde. Onde é que vai faltar o dinheiro disso, se a gente não quer aumentar imposto, reduzir essa estrutura pública para poder demitir servidores ou reduzir obrigatoriamente? Como é que a gente contraria essa realidade?
Cristiany de Castro - Talvez a gente tenha que buscar dados para isso, sabe? Porque, se a gente for adaptar dessa forma que você está colocando aí, a gente teria que desfazer toda a legislação que temos hoje, a Constituição Federal e estudar um novo modelo de legislação, tanto da Constituição Federal quanto estadual, quanto das leis municipais, para que a gente estude um novo formato buscando o equilíbrio. Porque, se a Constituição Federal hoje é clara e é algo maior, é o norte para o qual devemos olhar, é onde precisamos chegar. Porque, veja bem, vou te dar o exemplo cabal que eu sempre cito em todos os momentos: de acordo com a Constituição Federal, a gente tem no Brasil, desde 1988, que o salário mínimo é para garantir dignidade, moradia, alimentação e segurança. Mas ele é R$ 1.630, R$ 1.620. Então, quer dizer, há uma distância colossal. O que precisamos fazer? A gente vai mudar a legislação para trazê-la para o mundo real da impossibilidade?
Corrêa Neves Jr. - Seria, por exemplo, os políticos, como um todo, deixarem de mentir para os eleitores? Não dá para fazer isso? É porque o que acontece é o seguinte... Eu acho que isso explica até a dificuldade de pessoas novas para conseguir ter sucesso na política. Não estou dizendo da senhora. Mas é assim: é um sistema tão mentiroso, na sua essência, em que se promete como se fosse possível. E a gente tem que lembrar que, em 1988, a Constituição nasce pós-regime de 25 anos de ditadura e tentou garantir, dentro dali, a cidadania. Tentou garantir um conjunto de direitos muito grande, sem se preocupar muito em como eles seriam garantidos ao longo do tempo. E a gente tem essa questão. Por exemplo, nenhum brasileiro aguenta a ideia de pagar mais imposto. Mas eu também não conheço nenhum brasileiro que diga que o SUS precisava ser pago em alguma medida, ou que não dá para ter faculdades públicas gratuitas para qualquer um, ou que nem todo mundo poderia ter direito à Farmácia Popular gratuita. Então, eu me preocupo com isso. A gente fala de uma coisa que a gente gostaria de fazer e não explica de onde vai vir o dinheiro. Uma pessoa preparada e inteligente conseguiria trabalhar nesse dilema? Por exemplo, todas essas Apaes, esse dinheiro vai sair de algum lugar, de onde?
Cristiany de Castro - Eu vejo assim: o que a gente precisa fazer... Não tem soluções prontas o tempo inteiro na política, nem na vida. É porque eu sinto falta na política. Têm sido esses diálogos constantes entre os setores e a busca de soluções, porque a gente não tem. Eu, por exemplo, não vejo aqui em Franca e nem em várias outras cidades audiências públicas para discutir soluções. O que a gente percebe são legislações impostas, são pessoas falando que vão fazer. Muitos deles no discurso preparado, do ChatGPT, sem prática nenhuma na vida real. Então, a política também é esse instrumento do diálogo, de construção, de busca de soluções. É o que nós precisamos trazer. Eu não tenho como trazer aqui para você: “Eu vou fazer isso”, porque eu não sou candidata a governadora para apresentar soluções e ações orçamentárias para trazer determinado equilíbrio econômico e fiscal. Mas eu acredito que um dos papéis fundamentais do parlamentar é ser presente, mostrar a realidade da região e do segmento que ele defende perante o governo. Lá tem representantes de vários segmentos, dos animais, da polícia, de tantos outros, que estão cada um defendendo ali a sua região ou a sua área. E a gente precisa ocupar espaço para defender também os interesses da nossa região, de Franca, das organizações sociais, das pessoas com deficiência, como é o meu caso. E aí as soluções podemos construir a partir do momento de discussão e de mergulhar no que tem hoje em discussão naquelas comissões. Eu, particularmente, por não participar, não sei. Mas me proponho a ser uma voz ativa em defesa de segmentos.
Corrêa Neves Jr. - Tarcísio de Freitas fez um amplo programa de privatização. Ele privatizou a Sabesp, a Emae, a CPTM. Enfim, uma série de coisas. E ele disse que vai continuar nesse caminho. E a senhora é contra ou a favor da privatização de empresas estatais? A senhora acha que, no caso da Sabesp, foi um acerto ou um erro do governador?
Cristiany de Castro - Olha, vejo que o governador tem buscado soluções inteligentes para manter o equilíbrio do Estado de São Paulo. Essa questão, nós temos vários estudos mostrando que o Estado não tem que ser gestor de empresa. Então, nesse aspecto, eu entendo que, com estudos comprovando que a privatização vai trazer resultados e soluções, sim, ela é viável em vários aspectos. Por isso é que eu acredito que o Estado não deve ser detentor de toda a gestão das empresas.
Corrêa Neves Jr. - Então, é a favor de novas privatizações?
Cristiany de Castro - Depende. Eu acho que, a partir do momento em que sejam apresentados estudos que mostram que a privatização é, sim, uma solução mais viável, eu acredito que sim.
Corrêa Neves Jr. - E, no caso da Sabesp, foi um erro ou um acerto?
Cristiany de Castro - No caso da Sabesp, ainda está em análise, né? Existe... Quer dizer, é recente. É algo recente que eu acredito que tenha sido um caminho importante e uma proposta estudada pelo governador, que vai apresentar seus resultados no futuro.
Corrêa Neves Jr. - A senhora se posiciona muito claramente em favor de que devem ser todas as Apaes, que têm essa ideia de garantir, mas já entendi que o Estado assume o financiamento de forma sustentável, ampliando essa condição um pouquinho mais. Além dessa questão de financiamento, a senhora quer defender lá na Assembleia o quê? O que seria importante, fundamental para as famílias que têm suas necessidades especiais em casa?
Cristiany de Castro - Eu vejo, como comentou, eu sou mulher e eu escuto todos os dias diversas mulheres, por exemplo, nesse segmento que se estende não só à pessoa com deficiência, mas a todos. Mas, dando o exemplo da família da pessoa com deficiência, 78% das mães são abandonadas pelos pais depois do diagnóstico até o filho completar cinco anos de idade. São mulheres negligenciadas, sofridas, condenadas a viver com o Benefício de Prestação Continuada, que é de um salário mínimo, sem respaldo, que encontram em uma organização social, na Apae e outras, a única rede de apoio viável. A Lei Brasileira de Inclusão, por exemplo, defende atendimento psicológico para pessoas com deficiência e seu atendente pessoal. Qualquer pessoa que está me escutando imagine você, a partir de amanhã, ser colocado na posição de ficar exclusivamente aos cuidados de alguém. Então, a sua vida sofre ali várias suspensões, né, por conta disso. Então, eu defendo o trabalho que cuida de quem cuida. Eu defendo políticas públicas que atendam as famílias de pessoas com deficiência e famílias vulneráveis, para que a gente tenha pessoas com dignidade. Hoje a gente tem ali, por exemplo, a garantia desse atendimento psicológico para a pessoa com deficiência e seu atendente pessoal, mas não há essa garantia direta pelo sistema de saúde.
Corrêa Neves Jr. - Entendi. Então, vamos lá. Última pergunta. O Brasil voltou a permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Uma parte dos estados... A maior parte dos estados já permitiu. São Paulo é um dos únicos — se não foi o único — que ainda não decidiu se é pauta para a Assembleia Legislativa. Os presidentes de clubes de futebol estão se organizando. Os torcedores querem muito, defendem como parte do lazer do cara assistir a um jogo de futebol tomando uma cerveja. Quem é contra é contra porque acha que estimula violência, acidente de trânsito etc. Então, a senhora vota contra ou a favor se esse assunto vier à discussão na Assembleia Legislativa?
Cristiany de Castro - Provavelmente, eu vou contra.
Corrêa Neves Jr. - Pela... pela não cervejinha nos estádios?
Cristiany de Castro - Mas é uma questão que só... Passa por um cenário também de que a gente vai ver tantas situações de violência dentro desses espaços. Eu acredito que a gente precisa ter um pouco mais de foco no esporte.
Corrêa Neves Jr. - Vamos lá. Candidata, eu vou fazer algumas perguntas para a senhora. Responde rapidamente, sim ou não, ou, no máximo, uma frase, de acordo com temas importantes. Anistia ampla aos envolvidos no 8 de janeiro?
Cristiany de Castro - Mas não é papel do deputado estadual.
Corrêa Neves Jr. - Eu sei. É só sua opinião.
Cristiany de Castro - Não ampla. Talvez revisão de penas, mas não anistia.
Corrêa Neves Jr. - Voltar a vincular 30% da receita à educação?
Cristiany de Castro - Sim.
Corrêa Neves Jr. - Escolas cívico-militares?
Cristiany de Castro - É uma opção.
Corrêa Neves Jr. - Câmera corporal gravando o tempo todo nos policiais?
Cristiany de Castro - Também é uma opção importante.
Corrêa Neves Jr. - Novas privatizações estaduais?
Cristiany de Castro - Depende.
Corrêa Neves Jr. - Novas praças de pedágio em rodovias a serem duplicadas, ou seja, vinculadas ao investimento em duplicação?
Cristiany de Castro - Onde já existe, não. Onde vai ser duplicado não também
Corrêa Neves Jr. - Votação nominal obrigatória nos projetos da Assembleia, especialmente nos polêmicos? Hoje em dia, muitas das votações na Alesp são por voto de liderança ou por votação simbólica. A gente não sabe como cada deputado votou.
Cristiany de Castro - Eu defendo, sim, transparência.
Corrêa Neves Jr. - Salário acima do teto constitucional?
Cristiany de Castro - Não. Em nenhum caso. Vale o teto. Eu acho que deve valer.
Corrêa Neves Jr. - Reforma administrativa mexendo na estabilidade do setor público?
Cristiany de Castro - Isso já é possível, né? Eu penso que...
Corrêa Neves Jr. - Hoje é impossível.
Cristiany de Castro - É, mas é uma questão... Não é impossível não, é questão da estabilidade, mas o processo administrativo bem conduzido, que defina pela retirada, eu acho que tem que ter uma fiscalização maior.
Corrêa Neves Jr. - Esse período de demitir alguém por incompetência no serviço público é virtualmente impossível.
Cristiany de Castro - Mas a lei permite.
Corrêa Neves Jr. - É possível através de processo administrativo.
Cristiany de Castro - A lei existe. Eu defendo a aplicação da lei.
Corrêa Neves Jr. - Mas ela não funciona. Não existe nenhum caso de servidor público demitido... Nenhum caso demitido por desempenho insuficiente.
Cristiany de Castro - Mas eu defendo que a lei seja aplicada e, se necessário...
Corrêa Neves Jr. - Não, dependendo da situação, vai mexer na estabilidade.
Cristiany de Castro - Se não tiver desempenho, sim.
Corrêa Neves Jr. - A senhora defende o Estado laico ou Estado religioso?
Cristiany de Castro - Não. Eu defendo o Estado laico
Corrêa Neves Jr. - Um minuto.
Cristiany de Castro - Agradecer a participação. Peço o voto para o eleitor que acompanha no vídeo. Eu sou a doutora Cristiany, meu número é 10444. Tenho 15 anos de experiência no Estado, nas organizações sociais, nas Apaes do Estado de São Paulo, na defesa dos direitos da pessoa com deficiência e suas famílias. A proposta de estar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo é para garantir dignidade, lutar por mais recursos na área da educação, escola especializada para quem precisa, serviços na área da assistência para as pessoas com deficiência e suas famílias, que estão envelhecendo constantemente e não têm tido atendimento qualificado, e também ampliação dos atendimentos de saúde para pessoas autistas. É uma proposta já discutida com o governador Tarcísio. Então, uma vez chegando lá, nós teremos espaço para ampliar esse diálogo e construir soluções para as pessoas com deficiência. Ser uma voz ativa de Franca, como advogada de Franca, com meu escritório na General Carneiro. Pretendo ser uma voz da nossa cidade na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Peço mais uma vez o seu voto.
Corrêa Neves Jr. - Obrigado. Boa sorte na campanha.
Cristiany de Castro - Amém.