A defesa da criação de clínicas veterinárias públicas no Estado de São Paulo, a ampliação do efetivo policial em Franca, o retorno do atendimento do 190 para a cidade e a manutenção de investimentos em educação e saúde estão entre as principais propostas apresentadas pelo candidato a deputado estadual Jonas Carvalho, do Mobiliza, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, e promovida pelo Franca Tem Voz.
A sabatina foi marcada pela defesa de uma atuação mais próxima entre o deputado e a população. Jonas afirmou que pretende manter um escritório político em Franca e estabelecer um dia específico da semana para atendimento direto aos moradores, seguindo o modelo de um ex-deputado que, segundo ele, mantinha contato frequente com eleitores e recebia demandas da cidade e da região.
Na área da saúde, o candidato apresentou como principal projeto a implantação de clínicas veterinárias gratuitas no Estado de São Paulo, com atendimento para animais, vacinação e procedimentos cirúrgicos. A proposta, segundo Jonas, seria estruturada por meio de parcerias entre o governo estadual e as prefeituras, permitindo que municípios menores também tenham acesso ao serviço.
Para a segurança pública, Jonas defendeu o retorno do atendimento do 190 para Franca e o aumento do efetivo das polícias Militar e Civil. Ele também afirmou ser favorável ao uso de câmeras corporais pelos policiais e defendeu maior participação da Guarda Civil Municipal nas ações de segurança da cidade.
Jonas também criticou a redução dos investimentos obrigatórios em educação e afirmou que saúde e educação não podem ser tratadas como áreas em que o poder público deva economizar. Sobre as privatizações, disse não ser contrário ao modelo, mas defendeu que cada caso seja analisado individualmente, especialmente quando não há concorrência “suficiente”.
Durante a sabatina, o candidato ainda abordou o impacto do tarifaço dos Estados Unidos sobre o setor calçadista de Franca. Jonas defendeu a redução da carga tributária e afirmou que o setor precisa discutir alternativas diante das mudanças provocadas pela reforma tributária e da chamada guerra fiscal entre os estados.
Ao falar sobre o 8 de janeiro, Jonas reconheceu que houve uma tentativa de golpe, mas defendeu que as punições sejam analisadas individualmente. Segundo ele, pessoas que participaram dos atos sem envolvimento direto na depredação ou no planejamento deveriam ter suas penas avaliadas de maneira diferente.
No encerramento, Jonas afirmou que pretende fazer uma campanha baseada no contato direto com os eleitores, sem depender de grandes estruturas. “Eu vou estar entregando (santinhos) sozinho, só conversando com você, mostrando o projeto e pedindo que você vote”, afirmou.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoitos compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com Jonas Carvalho pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A transcrição da sabatina do candidato a deputado estadual Jonas Carvalho, do Mobiliza, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Olá. Dentro da série de entrevistas e sabatinas que o projeto Franca Tem Voz vem realizando com os candidatos a deputado estadual e federal, hoje é dia de conversar com Jonas Carvalho, 63 anos, comerciante, divorciado, três filhos - infelizmente, um deles morreu há alguns anos -, que já disputou algumas eleições em Franca e agora quer ser deputado estadual. Jonas, eu queria entender. Na última eleição para prefeito, você terminou na oitava colocação, com 141 votos. Agora, você precisaria alcançar mais de 60 mil votos para ser eleito. Para quem teve tão poucos votos, por que entrar nessa disputa para deputado?
Jonas Carvalho - Primeiramente, obrigado por estar aqui presente e por fazer parte desse projeto, que engrandece muito a nossa cidade. Com relação à dificuldade, eu parto do pressuposto do seguinte: a campanha que eu fiz para prefeito na época, mas houve várias dificuldades.
Uma delas foi que eu estava com dengue, estava muito doente, e, no meio do trabalho das eleições, eu fiquei cego de uma vista - a pressão subiu até 23. E para piorar veio a falecer o meu vice. Então, ficou com uma coisa de doença de um lado e óbito do outro.
Aí você tem que parar tudo. Sua campanha fica mexida, você perde toda a caminhada que tinha feito para uma campanha. Então, eu tinha várias coisas para fazer, tive que suspender tudo e parei.
Acabou a eleição. Acabou de forma que eu praticamente nem vi a campanha, porque aconteceram esses episódios. Aí eu voltei para a minha base e decidi estudar um pouco melhor e voltar de novo para a política, para ajudar a própria cidade.
Porque tem muitas pessoas que vêm aqui só para buscar votos, mas, na hora de trazer qualquer benefício para a cidade, não vêm. Então, eu estou me colocando à disposição e acredito que, desta vez, com saúde. Hoje não tenho mais nenhum problema e não dependo de vice, não dependo de ninguém. Agora depende de mim.
Já que eu não tenho um fundo de partido, vou ter que fazer aquela campanha à moda antiga: corpo a corpo. Não tem carregador de bandeira. Eu vou pedir voto, olhando na cara das pessoas e mostrando meu projeto principal. Tenho vários projetos, mas um deles eu estou levando como minha bandeira, para que eu fique conhecido.
E acredito que, desta vez, vai ser outro panorama.
Corrêa Jr. - Na disputa anterior, você enfrentou falta de estrutura e dificuldades financeiras. Agora, no mesmo partido, você continua com a mesma falta de estrutura, não é? Não há recursos, não há nada. O que você acredita que, desta vez, será diferente? Você precisaria ter um desempenho cerca de 600 vezes superior ao que teve na última eleição para chegar a uma votação competitiva. Não seria mais racional se preparar para uma disputa de vereador, com alguma chance?
Jonas Carvalho - É porque, na verdade, eu não tenho muito interesse na política de vereador. Eu já disputei, acho que, duas vezes, e, na época, não fui eleito. Mas consegui, ao longo da minha vida política, desenvolver alguns projetos que foram colocados em prática.
Então, hoje eu já não tenho mais um projeto de vereador. Eu tenho um projeto maior.
Seria tentar trazer esse benefício para a cidade, porque a nossa arrecadação é muito pequena. Então, a gente precisa ter pessoas que tragam verbas para cá, para dar uma melhorada na cidade.
Eu me proponho a isso agora. A questão é que hoje existe a internet, então também estou trabalhando mais na internet. Naquela época, eu não podia trabalhar dessa forma. Eu tive que abortar todo o meu tempo e todo o meu trabalho na campanha. Agora não. Agora é uma nova forma.
Então, em cima dessa nova fase, eu lancei um projeto. Eu acredito que ninguém está falando desse projeto - só eu -, que é o SUS Pet no Estado de São Paulo: seria uma clínica veterinária gratuita para todo o Estado de São Paulo.
Corrêa Jr. - Mas eu só queria entender a viabilidade. Nós estamos falando de duas eleições que não deram certo, uma eleição para prefeito que também não deu certo. Não houve nenhuma mudança de regime ou de estrutura. Você não está em uma equipe grande, não tem recursos para nada. Eu só queria entender a lógica. Não houve nenhuma mudança. Então, o seu esforço ou a adesão ao seu nome, até agora, não se converteu em votos. O crescimento que você espera teria que ser gigantesco. São votações realmente muito baixas para qualquer chance de vitória. Vale a pena?
Jonas Carvalho - Eu não acredito que, se você tem um sonho de ajudar as pessoas, o resultado não pode te desanimar. Se você tem um propósito, você tem que ir.
Eu tenho um propósito. Eu quero ajudar pessoas. Existem voluntários na área da saúde, em várias áreas. Eu sou uma pessoa que gosta da política. Eu quero, pelo menos, em cima daquele conhecimento de política, colocar em prática para ajudar as pessoas.
Corrêa Jr. - Com um partido estruturado, você acha que teria um mínimo de condições?
Jonas Carvalho - Não. Na verdade, a gente até tenta, mas todo mundo sabe que os partidos que estão estruturados já têm os caciques. Então, eles não deixam você entrar. Ou você vai lá para puxar a carroça, ou você está fora.
Então, eles não dão oportunidade de você disputar uma eleição. Você pode ter o projeto que for, mas os políticos que estão lá não permitem que você caminhe.
Corrêa Jr. - Me explica seu projeto, esse hospital veterinário, o SUS do Pet, que você pretende fazer.
Jonas Carvalho - Eu estive em São Paulo e vi que lá existem cinco clínicas. Quatro trabalham em um período e uma funciona 24 horas. Em Ribeirão Preto, perto daqui, também foi inaugurada recentemente uma unidade gratuita. Gratuita. A minha intenção é trazer isso para Franca. No meu sistema, seriam clínicas para cidades pequenas, de 3 ou 4 mil habitantes, que não têm uma clínica veterinária.
Aí você vai a uma cidade maior e cria uma infraestrutura daquela clínica para atender também as cidades do entorno. Seria uma espécie de SUS Pet, uma clínica veterinária gratuita para as pessoas poderem levar seus animais.
Porque o que está acontecendo muito é que o animal de estimação fica doente, e as pessoas acabam abandonando, não conseguem levar para consulta porque a consulta é cara. Normalmente, os animais acabam sendo abandonados na rua. Só trabalhar nessa questão.
Corrêa Jr. - Mas o projeto também custa dinheiro. Tem uma ideia do custo? O projeto seria implantado em parceria entre Estado e Prefeitura?
Jonas Carvalho - Seria um projeto para a gente implantar com uma parceria entre Estado e Prefeitura.
Corrêa Jr. - Mas você não pode ordenar despesas.
Jonas Carvalho - Eu posso propor. Uma ideia dessa pode ser encaminhada.
Corrêa Jr. - O projeto seria uma despesa, porque depende do governador. Você acha que seria viável? Quantas clínicas no Estado? Como funcionaria?
Jonas Carvalho - Eu acredito que as cidades de porte médio e grande vão ter mais estrutura. As pequenas vão ficar em volta das grandes.
Então, seria aquele mesmo sistema do SUS. A cidade pequena não tem um hospital porque tem 3 ou 4 mil habitantes. Ela sempre depende de uma cidade maior. Então, seria mais ou menos nessa mesma linha.
Corrêa Jr. - E teria atendimento integral para os animais: vacinação, castração, cirurgias?
Jonas Carvalho - Tudo. Não sei o custo, mas é uma coisa que a gente vai propor. A gente levanta o custo e tenta estudar com o governo como pode ser implantado.
Corrêa Jr. - Você falou que quer ajudar o povo. Nós temos dois deputados estaduais eleitos, mas com desempenho muito diferente: Graciela e Guilherme Cortez. Você acha que eles não desempenharam um papel que deveriam?
Jonas Carvalho - Eu acho que eles até tentam, né? Mas, na verdade, também existe um fator que se transcende em tudo. Os deputados e o Executivo parecem que não muito próximos.
Corrêa Jr. - Você acha que os dois deputados não interagem com o prefeito Alexandre Ferreira?
Jonas Carvalho - Acho, um porque tem muitas cidades para atender.
Corrêa Jr. - Que seria o Cortez?
Jonas Carvalho - Não, a Graciela.
Corrêa Jr. - Você acha que a relação está polarizada?
Jonas Carvalho - Polarizada, e o Cortez, pelo fato ideológico, né? É uma distância um pouco grande. Não tem, assim, um candidato aqui de Franca. É um candidato de Franca para a região.
Corrêa Jr. - Você vai ter cerca de R$ 10 milhões por ano em emendas se for eleito. Metade para a saúde, metade para outras áreas. Pode escolher onde mandar esse dinheiro. Dentro da saúde, onde você destinaria esses recursos? E, no restante, quais outras áreas seriam prioridade?
Jonas Carvalho - Os 50% obrigatório, não tem como a gente ficar mexendo muito. É colocar lá e a Prefeitura...
Corrêa Jr. - Mas mandar para onde? Pode mandar uma parte para programas, pode mandar para uma entidade, pode mandar para o esporte, pode mandar para qualquer área da saúde. Nas outras áreas também.
Jonas Carvalho - Eu posso fazer uma parte para a Santa Casa, ou para o Estado, tentando diminuir essas filas e serviços. Seria um bom começo.
E outra parte também entraria, com uma parte dessa verba, para montar essa clínica veterinária aqui na cidade. Eu usaria também porque traz impacto para a saúde.
Corrêa Jr. - O deputado estadual paulista tem salário de R$ 34.764 por mês. Você acha um bom salário? Gostaria de um aumento ou considera suficiente?
Jonas Carvalho - Eu acho que está bom desse jeito, porque não é só o salário que ele tem, né? Tem também toda uma estrutura que vai montar: gabinete, atendimento às pessoas. Então, tem que considerar esse custo também.
Corrêa Jr. - Então, você é a favor de um aumento ou não?
Jonas Carvalho - Votaria contra.
Corrêa Jr. - O calçado foi sobretaxado pelo tarifaço do Trump. Café, carne e frutas ficaram de fora, mas o calçado foi taxado. O setor calçadista acha que as medidas anunciadas pelo Governo Federal e pelo governo do Estado até agora são suficientes. De que forma você, eleito deputado, pretende ajudar?
Jonas Carvalho - Eu acredito que tentaria mexer no ICMS, porque é o único recurso que a gente pode estar mexendo.
Corrêa Jr. - Mas o ICMS vai acabar agora com a reforma tributária.
Jonas Carvalho - Então, aí teria que ver a questão de ISS. Teria que abaixar alguma parte do imposto, porque o problema nosso não é fabricar. O nosso problema é o imposto, que está muito alto.
E, mesmo agora, com essa mudança que vai até 2030, não é grande coisa. É uma transição.
Eu acredito que a gente tem que ver esse imposto que vai ser substituído e tentar diminuir o máximo que puder aqui também, para que não haja guerra fiscal, porque tem os Estados que vivem numa guerra fiscal.
Corrêa Jr. - Você acha que a reforma tributária não vai funcionar?
Jonas Carvalho - Eu não acredito. Eu não estou acreditando muito, não. Acho que vai ter muitos ajustes até ela realmente entrar em vigor.
Corrêa Jr. - Você não vê com bons olhos?
Jonas Carvalho - Eu não estou acreditando muito, não. Acho que vai ter muitos ajustes até ela realmente entrar em vigor.
Corrêa Jr. - Franca é considerada relativamente segura, apesar de uma alta em alguns indicadores. Nas estatísticas gerais, ela está em uma posição boa, mas as pessoas se sentem inseguras. O que você faria na Assembleia pela segurança pública?
Jonas Carvalho - A primeira coisa que eu gostaria de trazer de volta é o 190 para cá. É porque, de repente, tem uma ocorrência e você liga em Ribeirão Preto. Às vezes, a central manda uma equipe para outro endereço.
Então, isso acontece muito. Aqui eu tentaria trazer de volta para Franca.
A segunda coisa que eu tentaria trazer é mais efetivo para a polícia, porque acredito que está com pouco efetivo. A gente não vê mais patrulhamento como existia antigamente.
Corrêa Jr. - O governo está apresentando estatísticas oficiais que mostram que, nos últimos três anos, o número de pessoas mortas por bandidos em confrontos com a polícia passou de 421 para 834, dobrou. O governo diz que isso é resultado de uma maior eficiência da polícia, que está indo atrás dos bandidos. Mas há quem diga que muitas dessas mortes foram desnecessárias e foram provocadas pela PM. Você acha que pode estar mais eficiente por isso? Ou você acha que existem excessos e precisam ser previstos?
Jonas Carvalho - Eu acho que existe excesso e o excesso tem que ser proibido. Parece que não tem uma nova maneira, né? Uma nova maneira são as câmeras corporais, não é? Já facilita bastante para evitar os excessos. Mas não precisa tratar a criminalidade, o bandido, com flores. Se houver confronto com a polícia...
Corrêa Jr. - Quero entender. Na sua opinião, esse aumento do número de mortes em confrontos com a polícia significa uma política mais eficiente?
Jonas Carvalho - Está mais eficiente nessa expressão, só que é exatamente isso: o excesso precisa acabar.
Corrêa Jr. - Você é a favor das câmeras corporais?
Jonas Carvalho - Defendo.
Corrêa Jr. - E, nas emendas, você destinaria recursos para a segurança pública da região?
Jonas Carvalho - Sim, sim. Entendo que se faz tanto em uma emenda para duas áreas, né? Civil e Militar, também tentar, junto com o prefeito daqui, fazer com que a Guarda Municipal também se torne um braço direito da segurança.
Não ficar só correndo atrás de ocorrências mais simples, mas começar a jogar um pouco mais junto com o prefeito. É conversar com ele. Defendo a Guarda mais armada.
Corrêa Jr. - O hospital estadual de Franca foi inaugurado recentemente. A expectativa era de que chegasse a uma operação total em 2025, mas ainda está funcionando com aproximadamente metade da capacidade. A população está sofrendo com filas intermináveis e meios improvisados. Uma das funções do deputado é fiscalizar, e pra você, onde está o problema?
Jonas Carvalho - Bom, o problema, eu acho que primeiro tem que tirar esse monte de pai, padrasto, madrinha, padrinho do hospital. E inauguraram a toque de caixa ele, sendo que não acabaram de concluir ele para poder servir melhor a população. E eu acredito que...
Corrêa Jr. - Foi engraçado você falar do pai, padrasto, está todo mundo, né? Todo mundo quer ser pai do hospital. E você não tem ligação também ou não?
Jonas Carvalho - Não, olha, eu não tenho. Não quis nem inauguração, porque ali eu sabia que ia ser igual, ia ser uma briga, porque ali não sabe quem que é o pai, quem que é o padrasto, quem que é a madrinha, quem que é a mãe, ninguém sabe. Ninguém sabe. Ali, ali todo mundo quer ser pai da criança. Então eu falei, não vou entrar nessa briga. Até nem fui, não participei da inauguração, embora eu acho que foi uma obra importante pra cidade. Agora, em questão da fiscalização, um deputado tem essa prerrogativa de estar sempre fiscalizando, vendo se o serviço está sendo ao contento da população. Isso aí é logicamente que eu ia fazer.
Corrêa Jr. - Mas você não tem ideia de onde? Você acha que o problema é porque a obra foi eleitoreira, foi construída, foi acelerada a inauguração?
Jonas Carvalho - A inauguração, não a obra, porque a obra demorou anos, né?
Corrêa Jr. - Você acha que a inauguração foi acelerada para cumprir um propósito eleitoral?
Jonas Carvalho - Exatamente.
Corrêa Jr. - Na Assembleia, vai ser discutida a redução dos investimentos em educação. A Constituição do Estado prevê um percentual obrigatório para a educação, e há uma proposta para reduzir de 30% para 25%. O governador Tarcísio diz que, com 25%, dá para fazer o que precisa ser feito. Você concorda com ele ou discorda? Você, como deputado, votaria para os 30%?
Jonas Carvalho - Eu acho que muitas coisas a gente nunca deve economizar, e duas delas são saúde e educação. São coisas que não podem ser economizadas. A educação já vem sendo achatada há muitos anos. E tirar ainda mais recursos dela vai deixar pior do que está. Então, não acredito. Se eu tiver uma oportunidade, vou lutar para que volte aos 30%.
Corrêa Jr. - Escolas cívico-militares: você é a favor ou contra?
Jonas Carvalho - Para mim, é uma história importante, porque todo mundo deposita como se fosse o salvador da pátria. Mas eu não sou a favor de substituir a escola. É uma opção a mais. Porque tem criança que precisa de disciplina, tem aprendizado. Então, acredito que seria uma opção a mais. Mas acho que o Estado deveria, em vez de abaixar a régua, fazer o aluno subir a régua. O aluno vai para a escola, passa de ano, mas não sabe matemática, não sabe português, não sabe quase nada. Então, está tendo até dificuldade hoje para contratar mão de obra, porque as pessoas são quase analfabetas, não têm muita instrução. Como é que a gente vai fazer com isso? Isso está virando um problema sério. A gente conversa agora e isso também aparece nas empresas: é uma mão de obra desqualificada.
Corrêa Jr. - Você defende um investimento maior em educação?
Jonas Carvalho - Sim.
Corrêa Jr. - E uma mudança na orientação das escolas? A valorização do professor ou a volta das...
Jonas Carvalho - Eu acho que precisa resgatar a autoridade dos professores. Daqui a pouco os professores terão que entrar de armadura na escola. Está difícil.
Corrêa Jr. - O governo está prometendo, na campanha, cumprir um amplo programa de privatizações. Privatizou a Sabesp, a CPTM, a Emae e outras empresas. Você é a favor ou contra as privatizações? E no caso da Sabesp, o que acha?
Jonas Carvalho - Eu acho que foi um erro. Se você tivesse a opção de, na sua porta, abrir uma empresa e outra empresa, aí você teria uma livre concorrência. Agora, uma empresa que é praticamente um monopólio, que vai ditar serviços e preços... Então, quer dizer: ele tirou do Estado, mas agora você tem um leão maior. As contas hoje estão com valores mais caros, e os serviços que poderiam estar sendo feitos hoje estão com problemas. Agora, entende? Eles não têm nem técnico direito para a resolução das mensagens.
Corrêa Jr. - No caso de uma nova rodada de privatizações, você votaria a favor ou contra?
Jonas Carvalho - Depende de qual área.
Corrêa Jr. - Caso a caso, seria analisado? Você não é contra a privatização?
Jonas Carvalho - Não. Eu só sou contra aquela que elimina a concorrência. Por exemplo, uma das privatizações que eu falo que foi a melhor foi a da telefonia, porque hoje você consegue escolher a companhia que quiser. Você escolhe. Agora, você tem uma empresa e fala que está privatizada, mas você largou de ser refém de um para ser de outro.
Corrêa Jr. - Outra coisa interessante que se discute para os outros Estados: em alguns lugares é proibida a venda de bebidas nos estádios de futebol. O pessoal do futebol reclama muito. Há quem diga que a bebida é uma parte da cultura do jogo, mas há também o argumento de que ela pode incentivar brigas. É um assunto para ser discutido pela Assembleia. Você é a favor da liberação de bebidas nos estádios?
Jonas Carvalho - Eu sou contra o excesso. Agora, eu acredito que uma cervejinha não vai fazer mal para ninguém. Na Copa do Mundo, por exemplo, a Fifa veio aqui, vendeu cerveja, vendeu cachaça, vendeu dentro do campo e tudo bem. Então, eu não sei qual é o critério que usam. Eu sou contra o excesso. Agora, uma cervejinha não vai fazer mal para ninguém.
Corrêa Jr. - Em caso de eleito deputado, Jonas Carvalho, além do projeto da clínica veterinária, que outras áreas de atuação você pretende integrar ao seu mandato?
Jonas Carvalho - São várias coisas que são atribuições do deputado. Mas o que eu gostaria de fazer é montar aqui uma... Eu queria copiar muito o que um deputado fez aqui em Franca por oito mandatos.
Corrêa Jr. - Gilson de Souza?
Jonas Carvalho - Não, Roberto Engler
Corrêa Jr. - Realmente. Foram oito mandatos.
Jonas Carvalho - Ele manteve um comitê, tinha uma equipe especializada em determinadas áreas, os assessores dele, e ele, toda segunda-feira, atendia todas as demandas da cidade, das cidades de volta e da cidade de Franca. Então, todo mundo, até o próprio eleitor que quisesse ter um contato com ele naquele dia, tinha acesso. Eu não vejo mais hoje os políticos fazerem isso. Eles têm lá um gabinete, têm uma porta, você precisa agendar e nem sempre consegue. Então, para você conseguir alcançar o deputado, alcançar a pessoa que você votou, é tão difícil. Eu queria dar essa facilidade de novo: ter um contato direto com a população, tanto na parte política como com a própria população.
Corrêa Jr. - Parte das votações da Assembleia é feita de forma simbólica. Você não sabe como cada deputado votou em determinados projetos. O que você acha disso? Como pretende se comportar em relação a isso? Você diria qual é a sua opinião e o seu voto em cada projeto?
Jonas Carvalho - Eu diria, porque eu acho que a pessoa que vem e assume a responsabilidade, pelo bem ou, de repente, se teve um projeto que não estudou direito e achou que ia ser certo, de repente entrou numa situação de análise. Então, quer dizer que eu discutiria bastante esses votos.
Corrêa Jr. - Você tornaria público qual é a sua opinião sobre esses projetos? E também teria um escritório aqui?
Jonas Carvalho - Sempre. Eu daria acesso à população, com reuniões semanais, durante a semana, para atender as pessoas.
Corrêa Jr. - Abertura do diálogo, seguindo o exemplo de outros deputados da cidade então?
Jonas Carvalho - Sim.
Corrêa Jr. - Na sua opinião, o Brasil enfrentou uma tentativa de golpe de Estado?
Jonas Carvalho - Enfrentamos, sim. Mas a gente tem que dividir as coisas. Por exemplo, teve lá os que foram para quebrar e teve aqueles que planejaram.
Corrêa Jr. - Aí já foram os envolvidos no 8 de janeiro. Eu digo antes até, na reta final do governo Bolsonaro.
Jonas Carvalho - Eu acredito que houve uma história que foi crescendo até acabar na confusão.
Corrêa Jr. - Você acha que as pessoas deveriam ser anistiadas ou perdoadas?
Jonas Carvalho - Não. Eu acho que existem diferenças.
Corrêa Jr. - E a redução das penas?
Jonas Carvalho - Para algumas pessoas, sim. Tem que diferenciar quem quebrou, quem estragou o patrimônio e quem arquitetou isso. Se existe uma pessoa que tem que cumprir pena, que cumpra a pena.
Corrêa Jr. - E para aqueles que estavam no grupo, mas não participaram da depredação, poderia reduzir?
Jonas Carvalho - Poderia diminuir, porque às vezes, de repente, a pessoa estava ali no calor da emoção, estava só gritando, não fez nada, mas foi condenada porque a câmera registrou. Eu acredito que para eles deveria ter uma condição diferente.
Corrêa Jr. - Do ponto de vista do espectro político brasileiro, você é de direita, esquerda ou centro? É progressista ou conservador?
Jonas Carvalho - Eu até dou risada quando perguntam isso para mim, porque eu lembro muito do “Caneta Azul”: “Eu sou na minha”, não me encaixo muito nessas categorias. Eu me considero uma pessoa que, se você trouxer projetos para a população, eu vou analisar. Se é esquerda ou direita...
Corrêa Jr. - Você admira o Engler, mas está falando igual ao Gilson agora.
Jonas Carvalho - Mas é que eu já disse, claro, porque é o seguinte: eu não estava na reunião que a gente se sentava na direita ou que a gente sentava na esquerda. Eu estava em um corredor.
Corrêa Jr. - Vou aproveitar você aqui. Grande parte dos brasileiros acha que é de direita, mas, na verdade, talvez não saiba exatamente o que é direita. Você prioriza o quê? Você acha que o governo tem que resolver os problemas das pessoas ou cada um deve resolver a própria vida?
Jonas Carvalho - Eu acredito que ele tem que dar condições para as pessoas.
Corrêa Jr. - Você acha que o Estado deve oferecer saúde gratuita para todo mundo, escola pública, estrada? Você acha que o governo tem esse papel?
Jonas Carvalho - Sim
Corrêa Jr. - E as pessoas que têm orientação sexual diversa da tradicional merecem respeito ou estão erradas?
Jonas Carvalho - Merecem respeito, como todos nós, por serem seres humanos.
Corrêa Jr. - Do ponto de vista econômico, o governo tem um papel de ajudar empresas a desenvolver projetos?
Jonas Carvalho - Eu acho que tem que deixar elas trabalhar e não perturbar.
Corrêa Jr. - Você é de centro, moderado, mais progressista, mais para a esquerda do que para a direita. Grande parte dos brasileiros que acham que são de direita, são de centro-esquerda. Confundindo assim, serem conservadoras nos costumes com ser de direita. Aí necessariamente uma coisa não tem a ver com outra. Mas é bom que - é claro, nas suas crenças - dá para entender o que você defende, o que você acredita.
Jonas Carvalho - É o que eu falei, por exemplo, eu não fui convidado para sentar na direita, nem na esquerda. Eu fiquei no corredor.
Corrêa Jr. - Você gosta mesmo é do Gilson?
Jonas Carvalho - Não tenho nada contra ele, não. É aquele negócio, né? Ele está em um trabalho, eu estou em outro. Já estivemos no mesmo plano, no passado. Fomos vitoriosos naquela época. Depois nos separamos.
Corrêa Jr. - Vamos agora para as perguntas de “sim ou não”. Não vale explicação, porque a frase vai acontecer em curta definição. Anistia geral aos condenados pelo 8 de janeiro: você é contra ou a favor?
Jonas Carvalho - Contra
Corrêa Jr. - Você voltaria a exigir 30% de investimento do governo do Estado em educação?
Jonas Carvalho - Sim.
Corrêa Jr. - Você defende as escolas cívico-militares na rede estadual?
Jonas Carvalho - Sim, como opção.
Corrêa Jr. - Você defende as câmeras corporais, gravando todas as abordagens?
Jonas Carvalho - Sim.
Corrêa Jr. - Novas privatizações estaduais?
Jonas Carvalho - Se forem fora de infraestrutura, de primeiras necessidades.
Corrêa Jr. - Novas praças de pedágio em rodovias que precisam ser duplicadas? Ou seja, pedágios financiariam a duplicação?
Jonas Carvalho - Se o preço for justo, sim.
Corrêa Jr. - Votação nominal obrigatória nos projetos da Assembleia?
Jonas Carvalho - Sim.
Corrêa Jr. - Salário acima do teto constitucional? Muitos servidores públicos ganham acima do que poderiam.
Jonas Carvalho - Sou contra.
Corrêa Jr. - Reforma administrativa mexendo na estabilidade do servidor público?
Jonas Carvalho - Eu acho que a modernidade está aí, está batendo também na parte do servidor. Então, tem que começar a ser mudado aí.
Corrêa Jr. - Você mudaria a estabilidade?
Jonas Carvalho - Mudaria.
Corrêa Jr. - E, por fim, Estado sem religião. Você acha que o Estado deve ter uma fé específica?
Jonas Carvalho - Não, Estado Laico.
Corrêa Jr. - Um minuto para suas considerações finais.
Jonas Carvalho - Quero agradecer por essa oportunidade e também pedir para as pessoas: vocês não vão ver muitas pessoas ao meu lado, carregando bandeiras... Eu vou estar sozinho, só conversando com as pessoas, mostrando o projeto e pedindo voto. Então, eu quero olhar no olho de cada um e pedir para que você me ajude a levar minha candidatura adiante, porque só com vocês eu vou conseguir obter êxito e conseguir uma vitória junto com vocês.
Corrêa Jr. - Obrigado, Jonas. Sucesso na campanha.