Internação compulsória de moradores em situação de rua que sejam usuários de drogas, abolição da maioridade penal para crimes hediondos e fortalecimento do combate ao crime organizado. Essas são algumas das bandeiras defendidas pelo candidato a deputado federal Rogério Chimionato, do Missão, durante a sabatina promovida pelo Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de defender o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026.
Durante a sabatina, Rogério Chimionato defendeu a criação de uma legislação federal para permitir a internação compulsória de pessoas em situação de rua, afirmou ser contrário ao pagamento do Bolsa Família para moradores em situação de rua e defendeu a retaliação comercial aos Estados Unidos diante do tarifaço. O candidato também se posicionou contra a escala 6x1, mas criticou o projeto em discussão no Congresso para encerrá-la, além de defender mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução da maioridade penal e o endurecimento do combate ao crime organizado.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, Portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoitos compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio realizado na presença dos candidatos ou seus representantes.
A sabatina com Rogério Chimionato pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A transcrição da sabatina do candidato a deputado federal Rogério Chimionato, do Missão, pode ser lida a seguir:
Corrêa Jr. - Olá. Hoje, na série Sabatinas, que o projeto Franca Tem Voz realiza com os candidatos a deputado federal e estadual com base eleitoral na região, é hora de conversar com Rogério Chimionato. Cinquenta anos, engenheiro de produção, divorciado, quer ser deputado federal pelo estreante partido Missão. Rogério, para começar, vamos entender aqui como um engenheiro de produção resolve tentar ser deputado federal. Por quê?
Rogério Chimionato - Tudo bem, Corrêa? Obrigado pela oportunidade. O principal motivo de eu estar me candidatando é porque o partido Missão foi fundado em novembro, agora recentemente, no final de 2025. Esse é o principal motivo.
O fato de o partido ser fundado recentemente nos dá a liberdade de nos candidatarmos, fazermos uma candidatura, vamos dizer assim, regional, participar das eleições com uma atuação muito focada na cidade, em Franca.
(E também) Porque eu acredito no posicionamento político do partido e porque é um partido que dá a oportunidade. Uma vez que eu me identifico com a ideologia, com o posicionamento, dá a oportunidade de ser candidato desde que você mostre serviço, competência, vontade.
Ou seja, digamos, o meu esforço, a minha dedicação, a minha vontade são os principais critérios. Não existe nenhum outro tipo de critério. Eu não preciso ser popular.
Corrêa Jr. - Mas o que te motiva?
Rogério Chimionato - O que me motiva é eu poder ter a liberdade de, eventualmente, ser eleito para poder interferir diretamente na política. Porque não basta, como muitas pessoas que eu conheço, ser indignado com a classe política de uma forma geral, tanto municipal, estadual ou federal, e só ser indignado e não interferir.
Se a gente não entrar, se a gente não conseguir eleger políticos, ou se eleger, no meu caso, para interferir positivamente na política, eu seria uma eterna pessoa que vai sempre estar insatisfeita e reclamando, mas eu não participo ativamente do processo.
Corrêa Jr. - Franca há 20 anos não tem deputado federal. A última vez que elegeu foi em 2006. Depois houve uma suplência, mas a eleição mesmo foi em 2006. Por que você acha que vai conseguir encerrar esse hiato?
Rogério Chimionato - Porque eu me considero uma pessoa preparada, uma pessoa inteligente e que tenho propostas claras e objetivas. Estou num partido que tem uma proposta de governo clara, objetiva e estruturada.
Nós temos aí um plano de governo de 50 páginas que está disponível na internet. Temos um livro de mais de 400 páginas, que é resultado de, no mínimo, dois anos de estudo de mais de 200 especialistas ao redor do Brasil.
Então, nós temos uma proposta séria para o Brasil. Não é uma candidatura avulsa, do tipo assim: “Olha, eu vou votar no Rogério porque eu simpatizei com o Rogério”.
Não é só esse tipo de candidatura. Nós temos uma estrutura por trás. Nós temos uma coerência, digamos, ideológica, doutrinária, política.
Então, você provavelmente, entrevistando outras pessoas do meu partido, vai ver essa coerência no discurso. Lógico que cada pessoa é de um jeito, mas nós temos uma proposta clara e o que eu tenho de resposta das pessoas nas ruas e nas redes sociais é muito positivo em relação ao que eu proponho, principalmente pensando na realidade francana.
Corrêa Jr. - Mas, mesmo considerando que a sua campanha tem uma estrutura modesta e você não tem experiência anterior, nunca foi testado na urna e precisa de um caminhão de votos para chegar lá, por que você acha que vai conseguir?
Rogério Chimionato - Porque eu me sinto preparado e estou me esforçando ao máximo. Quem me acompanha nas redes sociais sabe. Nesse momento, por exemplo, eu estou na rua panfletando, entregando.
Até porque, infelizmente, a Justiça Eleitoral, numa decisão assim, talvez que possa ser considerada antidemocrática, ela derrubou o alcance das redes sociais, pelo menos do meu partido. Eu não posso dizer dos outros porque eu não tenho contato com todos os candidatos.
Mas é a unanimidade entre os candidatos do meu partido que o alcance simplesmente diminuiu, foi zerado. Mas, se você pagar, o alcance acontece.
Então, assim, é um critério estranho da Justiça Eleitoral que está acontecendo. O brasileiro, na maior parte, não vai saber disso porque não acompanha os detalhes das notícias. Mas eu estou nas ruas, me esforçando ao máximo para isso.
Corrêa Jr. - Você falou que você tem uma coerência de valores e princípios com o partido Missão. Tem um programa de governo aí do candidato Renan Santos, que disputa a Presidência. E, no seu caso específico, quais seriam as suas principais bandeiras em Brasília, caso seja eleito?
Rogério Chimionato - A minha principal bandeira é aquela que me tornou mais conhecido, desde o ano passado, nas redes sociais, mesmo antes de eu até vislumbrar a possibilidade de ser candidato a deputado este ano.
É em relação à internação dos moradores de rua e tratar a questão da situação de rua. Essa é a principal pauta. Eu bato muito na tecla da internação compulsória dos moradores de rua, mas o assunto é um pouco mais abrangente.
Mas eu sinto que o cidadão francano, por um lado, nós temos ainda uma certa tranquilidade em relação ao assalto de rua, ao assalto à mão armada, que eu já sofri em outras cidades do Brasil, mas que aqui em Franca me parece que ainda existe um volume não tão grande desse tipo de ocorrência, comparado com a sensação de insegurança talvez na capital paulista, na cidade de São Paulo.
Mas é mais ou menos uma unanimidade as pessoas que reclamam em relação à quantidade de moradores de rua e os transtornos causados por essa população em relação à cidade de uma forma geral, ao cidadão de uma forma geral.
Então, hoje eu tenho um foco de proposta muito direcionado a esse público.
Corrêa Jr. - Então é a sua proposta para além da internação? Como é que você fala, internação compulsória? Seria o quê? Criar um dispositivo legal que permitisse internar todo mundo contra a vontade?
Rogério Chimionato - Exatamente. Essa seria uma parte do processo. Nós não temos hoje uma lei federal que seja clara e objetiva nesse sentido.
Hoje, infelizmente, nós temos uma distorção dos poderes em Brasília. Então, hoje, o Judiciário, muitas vezes através do STF, ele legisla no lugar dos deputados. Então, nós não temos uma legislação clara em relação à questão da situação de rua.
Hoje, o STF… As principais normativas que a gente segue foram decisões tomadas pelo STF. Para mim, já é uma certa distorção. Porque o Legislativo, o que tem que legislar, são os deputados e senadores. Eles deveriam tomar essa decisão.
Por vários motivos, esse é um assunto que talvez não seja uma prioridade ainda em Brasília. Por quê? Porque os deputados e senadores não estão priorizando a questão da situação de rua.
Mas quem mora numa cidade como Franca coloca isso como… Não sei… Está entre, no mínimo, umas dez prioridades. Vamos dizer, das dores do cidadão francano, eu diria que está entre as dez (maiores), no mínimo. Pode ser que até para algumas pessoas seja mais prioritário.
Nós estamos falando de recuperar, dar meios de recuperação para quem é dependente químico. Eu já trabalhei voluntariamente. Eu sei que é possível. O Estado precisa intervir nisso.
Hoje, infelizmente, a política nacional vai no sentido de redução de danos, mas não de tirar a pessoa do vício totalmente. Aí é uma questão ideológica que eu não concordo.
Para mim, a pessoa tem que ser tratada. E existe tratamento. Ele dura, no mínimo, um ano. Ela precisa estar isolada do convívio na rua, isolada do convívio, do contato com as drogas.
Aí você vai me dizer: “Mas não adianta só atacar a questão do morador de rua”. Eu concordo.
Corrêa Jr. - Eu não disse isso.
Rogério Chimionato - Sim. Mas vamos supor que o nosso telespectador, o internauta, esteja pensando isso.
Nós temos que atacar também o tráfico de drogas. Então, de novo, nós, como partido, e com a candidatura à Presidência da República do Renan Santos, temos essa proposta, que é uma proposta de implantar uma guerra federal, nacional, contra o tráfico de drogas e o crime organizado. Para que a gente também quebre esse fluxo de comércio que gera essa dependência química na rua.
Então, o morador de rua é um problema complexo.
Corrêa Jr. - E aí nós tocamos um ponto. Ao reduzir um problema complexo a uma ideia de que a internação compulsória resolve, você não contribui para a não solução do problema?
Rogério Chimionato - Ela é uma parte da solução. Ela é uma parte da solução.
Corrêa Jr. - Vamos citar aqui países governados por pessoas de direita ou de esquerda. França, uma infinidade de moradores de rua. Itália, uma infinidade de moradores de rua. Estados Unidos, uma infinidade de moradores de rua.
Rogério Chimionato - Mas vamos falar da China também?
Corrêa Jr. - Mas a China não é uma democracia.
Rogério Chimionato - Singapura.
Corrêa Jr. - É uma cidade muito pequena. É um Estado muito pequeno.
Rogério Chimionato - El Salvador, Tailândia, Indonésia.
Corrêa Jr. - O Bukele, eu não sei se é um exemplo. Talvez para o Renan Santos vocês acreditem.
Rogério Chimionato - Com certeza, é um exemplo.
Corrêa Jr. - Mas é alguém que recorreu a práticas bastante pouco normais. Estou falando das grandes democracias do mundo. Todas. Nenhuma tem um esquema que passe por internação compulsória e remoção à força de moradores de rua. Por que você acha que funcionaria?
Rogério Chimionato - Das grandes democracias?
Corrêa Jr. - Das grandes democracias do mundo, não tem nenhuma.
Rogério Chimionato - Você citou alguns exemplos. Você citou a Europa que, através de uma ideologia que é contrária à minha, abriu as portas para a entrada de imigrantes de uma forma desenfreada. Hoje nós estamos vendo as consequências.
Os casos de estupro, por exemplo, na Inglaterra, ligados supostamente aos imigrantes africanos e do Oriente Médio.
Corrêa Jr. - O governo inglês desmente essa estatística.
Rogério Chimionato - Pois é. Mas, da mesma forma que El Salvador, você fez uma crítica. Nós temos uma pesquisa de 85% de aprovação do governo Bukele.
“Mas a imprensa internacional fez certas acusações”. Ok. São narrativas que eu posso ser a favor ou contra. Mas o fato é que, se você for para El Salvador hoje, que inclusive é um destino de surfe, e, por ser um destino de surfe, como eu já surfei, atualmente em Franca não consigo mais surfar. Mas é um destino de surfe.
Eu tenho amigos que foram para lá na época da taxa de homicídio altíssima. Naquela época em que, em algum momento, as facções de El Salvador colocaram fogo em um ônibus com 40 cidadãos dentro, em protesto contra outra facção ou contra o governo. Eu não tenho os detalhes da situação.
Hoje você anda em El Salvador, na rua, e você tem uma sensação de segurança. Você não é assaltado.
Então, se El Salvador cometeu algum tipo de abuso, eventualmente pode ter cometido. Mas nós já cometemos alguns abusos aqui no Brasil, de qualquer forma.
Tanto em relação a, eventualmente, um inocente pobre ser condenado, acontece. Mas nós também cometemos abuso de pessoas ricas no Brasil que nunca são condenadas. Isso também acontece.
Corrêa Jr. - Nós não estamos discutindo isso. Nós estamos falando aqui dos moradores de rua. Só para colocar bem claro essa história.
Países que não têm problema normalmente não são democracias. Porque as pessoas não têm o direito de ir e vir. Não têm o direito de se manifestar. Não têm o direito de nada, por exemplo.
Mais seguro do que a China ainda é a Coreia do Norte. Zero crime. Não é um lugar ideal para as pessoas viverem.
Rogério Chimionato - Sim.
Corrêa Jr. - Ninguém quer ir para a Coreia do Norte. As pessoas querem sair da Coreia do Norte. Então, quando você vai para países semelhantes, países em desenvolvimento movimento, mesmo democracias consolidadas, com populações grandes, ninguém conseguiu uma solução. A Alemanha não conseguiu. A Espanha não conseguiu. Os Estados Unidos não conseguiram. México não conseguiu.
Rogério Chimionato - A Polônia serve de exemplo? Ou não? Europa, mas não.
Corrêa Jr. - O que eu estou te falando é o seguinte...
Rogério Chimionato - A Polônia não tem essa realidade. Mas por quê? Ela fechou as portas aos imigrantes.
Corrêa Jr. - Então, você acha que, por exemplo, fecha a porta aos imigrantes?
Rogério Chimionato - No caso, não é o Brasil. O problema do Brasil não é o imigrante. Mas, apesar de a gente ter alguns imigrantes, a gente ter problemas com a imigração que geraram situação de rua e usuários de crack, eu já vi isso no Pará, por exemplo, imigrantes que vieram da Venezuela. Mas isso não é o grande problema no Brasil.
Eu só estou comentando de imigrantes, porque você citou a Europa como referência.
Corrêa Jr. - Europa, Estados Unidos e América Latina.
Rogério Chimionato - Estados Unidos, a legislação é estadual. Então, talvez muita gente não saiba, mas lá você não tem uma unicidade de legislação como é no Brasil.
Então, você vai ter estados que vão ter uma situação de rua e de usuários, nem é de crack, é uma outra droga mais potente. Como, por exemplo, a Califórnia, em que algumas coisas que eu vi, algumas notícias, algumas reportagens dizendo que lá tem uma situação de rua grave, até de criminalidade.
Enfim, que talvez outros estados da federação americana não tenham, porque a legislação muda, ela pode ser muito diferente de estado para estado. Por exemplo, tem estado que tem pena de morte e tem estado que não tem, só para as pessoas entenderem essa diferença.
Agora, de qualquer forma, Corrêa, eu entendo o teu ponto. É um debate interessante.
“Ah, será que não é reducionista falar de internação compulsória?”. O fato é que, quando eu converso com as pessoas nas ruas... Eu não estou falando nem da internet, porque a internet tem um certo limite à interação, os vídeos curtos... Mas, como eu já estou, desde maio, todos os dias nas ruas, conversando com as pessoas, quando a gente toca nesse assunto de morador de rua, olha, eu vou te falar assim, vou dizer: 90% das pessoas com quem eu conversei, nas ruas, em geral, em vários lugares diferentes, elas falam assim: “Tem que dar um jeito, nós não aguentamos mais”.
Corrêa Jr. - Ninguém discorda da sua opinião?
Rogério Chimionato - E muitos sugerem, inclusive…
Corrêa Jr. - A questão é o método utilizado.
Vou te dar um outro dado, não sei se você tem ou não. O governador Tarcísio de Freitas comemora a redução significativa no número de moradores de rua na região conhecida como Cracolândia, em São Paulo.
Quem cuidou dessa operação foi o vice-governador Felício Ramuth, que cuidou, ao longo dos últimos quatro anos, da operação de enfrentamento aos moradores, de combate a essa situação da população em situação de rua em São Paulo. Felício Ramuth tem os números precisos. Ele fala em, não sei, 14 mil, 16 mil pessoas tiradas da rua. E aí me surpreendeu muito quando eu fui conhecer, porque ele me convidou para conhecer como funcionava lá no centro de São Paulo.
E eu perguntei quantas foram internações compulsórias. Ele falou: “Chuta”. Eu falei: “Não sei”. Ele falou: “Nenhuma”.
A minha dúvida é: qual é a receita para além da internação compulsória? Você não acha que isso é o que precisa dizer para o eleitor? Porque você vem de um partido que, digamos, se posiciona de forma contrária à política tradicional, à política enviesada que nós temos. Eu acho que uma das desgraças dessa política tradicional é prometer o sonho impossível. Promete para as pessoas coisas que não são factíveis. Ao dizer: “Olha, a solução para a população em situação de rua é internação compulsória”, você não acha que você vai repetir um padrão que você combate?
Rogério Chimionato - Não, não acho. Esse é um anseio da população. E, quando eu sinalizo a internação compulsória, por mais que você possa dizer: “Não, tem esse entrave legal, tem a questão do Tarcísio”... A gente pode debater essa questão do Tarcísio, eu também tenho uma opinião sobre essa ação que foi feita em São Paulo, mas ela coincide com o desejo dos francanos.
Eu estava comentando que muitas pessoas na rua me falaram assim: “Olha, eu não tenho nada contra o morador de rua”, porque o francano, em geral, são pessoas de bom coração, muitos são religiosos, caridosos, cristãos, e até de outras vertentes religiosas. Mas, assim, tem muita caridade aqui em Franca, é uma cidade conhecida.
Ele (o francano) fala: “Não tenho nada contra, eu não quero o mal para essas pessoas, só que por que não coloca elas num lugar?”
Várias pessoas me deram essa sugestão, assim, como se ele fosse um candidato ali na hora. “Se eu fosse político, por que não coloca essas pessoas num lugar para elas trabalharem?”
Corrêa Jr. - O Ministério Público não permite. A Polícia Militar do Estado de São Paulo também não. O TJ de São Paulo também não.
Rogério Chimionato - Exato. Mas o Ministério Público não é para legislar. De novo, nós temos uma distorção de poderes no Brasil. Por falta de uma legislação federal robusta e falta de definição clara dos poderes, nós não temos um Legislativo que legisla.
Nós temos o Ministério Público que toma decisões, muitas vezes, não vou dizer monocráticas, mas quase individuais, que se tornam jurisprudência. Isso acontece no STF.
Isso acabou. Eu estava até comentando com o pessoal aqui, antes dessa sabatina, acabou de ter uma decisão monocrática no TSE que interfere diretamente no nosso partido. A gente está vivendo isso hoje.
Vamos falar, por exemplo, de uma questão em relação ao Bolsa Família para morador de rua.
Esse é um assunto delicado também. Franca, as pessoas, a maioria, sabe, com quem eu conversei, que hoje nós temos uma quantidade que não é pequena de moradores de rua de Franca recebendo Bolsa Família, cadastrados no sistema do Bolsa Família.
Eu vou te passar um dado assim, de dezembro, aproximado, tá? Lógico que a Prefeitura, que tem os dados na mão, ela pode contestar e divulgar uma nota oficial corrigindo esses dados, mas eu vou falar só por aproximação.
Uma consulta que eu fiz em dezembro era algo em torno de mil moradores de rua cadastrados no sistema da Prefeitura de Franca, chamado Cadastro Único, e, desses mil, cerca de 800, 750, estavam recebendo, estavam cadastrados no Bolsa Família, supostamente recebendo Bolsa Família.
E o pagamento de Bolsa Família para morador de rua vem de portarias, de decisões tomadas no Ministério da Assistência Social em Brasília, que é do governo federal, que, nesse momento, desde 2023, é presidido pelo Lula, do PT.
O ano passado foram emitidas portarias, cerca de dez portarias, que simplificaram o acesso do morador de rua ao Bolsa Família e priorizaram. Isso está na mídia, é fácil de achar na internet essas notícias.
Nós, em Brasília, nosso deputado federal, Kim Kataguiri, ele entrou com um pedido de suspensão dessas portarias, recentemente, entendendo que, como deputado e fiscalizador do governo federal, ele entendendo que não é adequado você pagar o Bolsa Família para morador de rua.
Corrêa Jr. - Qual a sua opinião?
Rogério Chimionato - A minha opinião, eu sou contra também o pagamento.
Corrêa Jr. - Então vamos seguir, porque a gente tem mais uma série de temas aqui. A gente está enfrentando o tarifaço imposto pelo governo americano contra produtos brasileiros exportados, e a gente tem aqui na nossa região o calçado muito afetado. O café ficou de fora, está na lista de exceções, a carne também, mas o calçado está taxado.
Como um deputado federal eleito por uma região que produz tanto sapato se posicionaria diante dessa questão? O que faria?
Rogério Chimionato - Do fato de o calçado estar sendo afetado?
Corrêa Jr. - Exatamente.
Rogério Chimionato - Nós precisamos, infelizmente, nós não temos um poder de negociação, de barganha, muito grande com as economias mais fortes que o Brasil. Nós hoje somos submissos, de certa forma, aos Estados Unidos e à China, principalmente.
O Brasil foi perdendo força econômica, força industrial ao longo dos anos. Isso eu acompanho desde a década de 1980, que na minha família a gente chegou a ter uma fábrica de sapato e, enfim...
Corrêa Jr. - Mas o senhor, como deputado federal, faria o quê?
Rogério Chimionato - Eu lutaria junto ao governo federal para que a gente pudesse derrubar essas tarifas ou diminuir essas tarifas. É necessário negociar. Agora nós temos um problema hoje, que essa questão de negociação com os Estados Unidos foi colocada dentro da politização política entre bolsonarismo e petismo.
Corrêa Jr. - Mas o Trump está retaliando o mundo inteiro. O senhor, (caso eleito) deputado federal, que medidas o senhor proporia ou que abordagem o senhor proporia para proteger ou ajudar a indústria calçadista local diante de uma tarifa que não foi fruto de um acordo fracassado, mas de uma decisão unilateral?
Rogério Chimionato - Uma decisão unilateral. Nós teríamos que ver até que ponto nós temos condições de também promover alguma sanção.
Corrêa Jr. - O senhor defende a retaliação?
Rogério Chimionato - Eu defendo a retaliação.
E, assim, a longo prazo, a gente precisa, nós precisamos, por exemplo, reinvestir na industrialização do país para que a gente consiga ter mais poder de negociação e barganha no mundo.
Hoje, infelizmente, nós estamos com pouco poder de negociação e ficamos sujeitos a essas decisões unilaterais.
Corrêa Jr. - Nós estamos, neste momento, discutindo no Congresso, no dia em que nós gravamos essa entrevista, não tem uma decisão clara ainda sobre o fim da escala 6 por 1. Como é que o senhor se posiciona em relação a essa discussão? O senhor é a favor do fim da escala 6 por 1 ou o senhor acha que ela deve continuar?
Rogério Chimionato - Eu sou contra a escala 6 por 1. Contra. Eu acho que ela não deveria existir em nenhum país do mundo.
Mas eu sou contra esse projeto da deputada federal Erika Hilton, que está sendo encabeçado pelo governo federal, na figura do governo Lula. Eu sou contra esse projeto.
Para mim, esse projeto é mentiroso, ele tem fins de compra de voto eleitoreiro e ele não vai mudar a vida real das pessoas.
Eu vou dar um exemplo. Eu tenho um colega aqui em Franca que é CLT, programador. É uma profissão promissora, a programação, porém, ele recebe ainda um salário que não dá para ele sustentar a família dele sozinho, só com esse salário.
E ele trabalha de segunda a sexta, ou seja, no regime 5 por 2, que é a proposta da Erika Hilton. Eu falo a Erika Hilton como personificação do projeto, para facilitar as pessoas entenderem, porque às vezes nem todo mundo está acompanhando.
Ele trabalha de segunda a sexta, então ele teoricamente descansaria no final de semana, mas o salário dele não consegue sustentar a esposa e a filha pequena. E eu acho que a esposa, inclusive, trabalha também.
E aí o que ele tem que fazer? Sábado e domingo, ele é entregador da Shopee.
Então, na prática, esse é um exemplo que já está acontecendo, e olha que a escala já é 5 por 2. Estão prometendo que você vai deixar de trabalhar na escala 6 por 1 e vai trabalhar 5 por 2, vai continuar ganhando o mesmo salário, ou seja, vai trabalhar menos, portanto, teoricamente, você vai ganhar mais por hora trabalhada ou por dias trabalhados. Ou ganhar igual.
Sinceramente, isso é uma mentira, porque nós não estamos mudando o que a gente chama de produtividade econômica do país.
Corrêa Jr. - Mas qual a solução, na sua opinião?
Rogério Chimionato - Nesse momento, nós precisamos fazer reformas duras, fiscais, tributárias, previdenciárias.
Corrêa Jr. - Mas isso não garante que as pessoas vão ganhar mais.
Rogério Chimionato - Não, calma. Essa proposta que eles estão fazendo é uma proposta mentirosa. Eu não tenho medo de falar isso e perder voto, perder simpatia, porque, sinceramente, quem está concordando com essa proposta e que não está alinhado ao governo federal está fazendo uma campanha eleitoral dizendo que é a favor do fim.
Corrêa Jr. - Mas veja, o que eu acho curioso, eu conheço muita gente - e eu acho legítimo o argumento - que é contra o fim da escala 6 por 1. Eu não conheço ninguém que seja a favor do fim da escala 6 por 1, mas contra o projeto que acaba com a escala 6 por 1. Que é o seu caso.
Os liberais econômicos tendem a ser contra. Cada um trabalha o quanto quiser, do jeito que quiser. Os liberais econômicos são assim.
Rogério Chimionato - Eu sou a favor de uma flexibilização das regras trabalhistas.
Corrêa Jr. - Então, o senhor está falando assim… O senhor disse aqui, eu entendi que não deveria nem existir a escala 6 por 1. O senhor é contra, mas o senhor é contra o projeto que acaba com a…
Rogério Chimionato - É assim, é porque, ampliando a discussão, eu sou a favor da flexibilização das leis trabalhistas de uma forma geral.
Eu acho que a CLT está desatualizada. Ela é da década, talvez, de 1940. Ela já está ultrapassada.
Eu já fui empreendedor de escala 7 por 0 com restaurante. Eu já fui CLT. Então, eu conheço os dois lados da história.
Fui CLT 5 por 2 e fui dono de pequena empresa, e a grande maioria dos brasileiros são pequenos empresários. E trabalhando na escala 7 por 0.
Na escala 7 por 0, em que você atende de segunda a domingo, você tendo que adequar seus funcionários à escala 6 por 1, já era muito complicado.
No meu caso, era restaurante. Eu até proponho aos grandes deputados defensores desse projeto…
Corrêa Jr. - Do fim da escala 6 por 1?
Rogério Chimionato - Desse projeto que está tramitando no Congresso Nacional. Será que essa pessoa, numa favela, tendo um mercadinho, que trabalhasse das 7 da manhã às 10 da noite, que é uma realidade que tem em muitas periferias, se ele fosse dono ali e tivesse que colocar as pessoas 5 por 2 e não quisesse fazer nenhuma gambiarra de pagar por fora, tudo bonitinho, certinho, ele ia ter muita dificuldade.
Então, essas pessoas que estão propondo, elas nunca estiveram onde eu já estive durante alguns anos, como empreendedor, e onde muita gente está nesse momento.
Então, assim, do alto de um gabinete de Brasília, talvez seja fácil você propor isso.
Agora, quando você é o dono do mercadinho, da lojinha, e não estou falando do tal do empresário que tem 500 funcionários, estou falando de pessoas que têm 5, 6, 8 funcionários.
A gente precisa aumentar a produtividade do Brasil, de uma forma geral. Esse é um termo difícil de explicar, numa sabatina tão curta. Mas a gente precisa fazer o nosso trabalho, fazer o dinheiro que a gente ganha valer mais, com várias reformas profundas que não são feitas em seis meses.
Essa é uma das propostas do partido Missão, do Renan Santos. Está disponível nos nossos materiais, no nosso livro, no nosso plano de governo.
Essas reformas vão tornar o Brasil mais competitivo, a industrialização... A gente não ser só uma fazenda exportadora de matéria-prima, mas a gente vai ter marcas próprias.
Com isso, nós vamos conseguir que as pessoas trabalhem menos, se elas quiserem trabalhar, por exemplo, cinco dias por semana, e consigam sustentar a sua família.
Esse meu amigo que tem que trabalhar final de semana, eu queria que ele estivesse descansando, mas ele tem que trabalhar, porque senão ele não paga as contas, ele vai se endividar.
Corrêa Jr. - Candidato, um deputado federal eleito tem R$ 40 milhões por ano em emendas, que ele destina para projetos da sua deliberação, das emendas impositivas. Metade tem que ir para a área de saúde, outra metade pode ir para outras áreas. Para onde o senhor destinaria esses R$ 40 milhões? Para onde iria o dinheiro da saúde e para onde iria o dinheiro que não é carimbado para a saúde?
Rogério Chimionato - O dinheiro para a saúde iria para a saúde pública prioritariamente da região de Franca. Já que Franca me escolheu, já que minha campanha é centrada em Franca. Franca me escolheu para ser deputado, então iria para a região de Franca.
A gente precisaria otimizar toda a rede pública de Franca, e não só da cidade de Franca. A gente teria que também analisar a ocupação das Santas Casas, por exemplo.
E a outra parte iria prioritariamente para a segurança pública. Que é o que nós já fazemos hoje com as emendas obrigatórias dos nossos deputados estaduais e federais. Eles mandam emenda para Franca, mesmo a gente não tendo ninguém eleito aqui, mesmo não tendo políticos eleitos parceiros, e nós nunca elegemos ninguém em Franca do nosso grupo político, mas nós já mandamos alguns milhões aqui nos últimos anos, principalmente para o grupo Santa Casa e uma parte para a Guarda.
Corrêa Jr. - O senhor seguiria esse modo?
Rogério Chimionato - Exato, até porque, se eu tenho que disponibilizar metade para a saúde, obrigatoriamente, ela vai para a rede pública de saúde, com certeza.
E, considerando a Santa Casa como parte desse sistema, apesar de as Santas Casas não serem gerenciadas diretamente pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado, elas fazem parte dessa rede, elas são financiadas pelo SUS também.
Corrêa Jr. - Candidato, a PEC da Segurança Pública está no Senado. Está lá, meio que em estado dormente. Caso o senhor seja eleito deputado federal, tenha que discutir de novo esse tema, qual a sua posição? O senhor vota a favor ou contra essa proposta, esse projeto do governo, que pretende criar uma integração maior no enfrentamento da Segurança Pública, aliado à criação do Ministério da Segurança Pública, para coordenar ações federais e estaduais?
Rogério Chimionato - Eu estou totalmente a favor de todas as ações para intensificar o combate ao crime e fortalecimento da segurança pública.
Eu acredito que a gente precisa realmente ter mais força federal, ter mais iniciativa. Lógico que, na prática, as polícias são estaduais, mas precisa haver uma integração entre as polícias de estados diferentes e precisa ter uma coordenação nacional de enfrentamento ao crime.
Porque, infelizmente, hoje o Brasil, uma boa porcentagem dos bairros e da população hoje está vivendo subordinada ao crime organizado, mesmo que seja de uma forma indireta, disfarçada. Mas, infelizmente, nós temos uma parcela significativa hoje.
Corrêa Jr. - Discute-se muito também a redução da maioridade penal. O senhor é contra ou a favor?
Rogério Chimionato - Sou totalmente a favor e vou tentar ser breve em dois pontos. O primeiro é a redução da maioridade penal para crimes não violentos, 14 anos, de 18 para 14. Então, a partir de 14 anos, cometeu qualquer crime, vai ser julgado como se tivesse atualmente 18 anos.
Crimes violentos, que a gente chama de hediondos, no termo mais técnico, não têm maioridade penal. Se foi capaz de cometer um crime violento com 12 anos de idade, vai ser julgado…
Corrêa Jr. - Então, o senhor propõe a redução para crimes não violentos e, para crimes violentos, a abolição?
Rogério Chimionato - A abolição, que incluiria, por exemplo, o crime que aconteceu em Ribeirão Preto recentemente, que o motorista de Uber foi violentamente retirado, o direito de viver, vamos falar assim… Foi morto por menores de 14 anos. Pelo menos tinha um menor de 14 anos.
E eu defendo que ele seja julgado e, se condenado, como um adulto, porque ele foi capaz de cometer o crime, então ele tem que ser capaz de enfrentar a punição.
Corrêa Jr. - Candidato, na sua opinião, houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil ou não?
Rogério Chimionato - Sim.
Corrêa Jr. - O senhor acredita que houve uma tentativa de golpe de Estado?
Rogério Chimionato - Sim. Você está falando em relação a…
Corrêa Jr. - A 8 de… A todos os eventos que começam no governo Bolsonaro e terminam com o 8 de janeiro.
Rogério Chimionato - Eu não sei dizer se o 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe, mas houve vandalismo, houve crime.
Corrêa Jr. - E antes disso, o senhor acha que houve ali uma…
Rogério Chimionato - Eu acho que a condenação do Jair Bolsonaro, em relação a isso, ele fez uma tentativa de golpe e, por isso, deve ser punido.
A questão da punição, como foi o julgamento de todas as pessoas envolvidas, aí a gente pode discutir.
Corrêa Jr. - E a dosimetria?
Rogério Chimionato - Eu sou a favor.
Corrêa Jr. - Deve haver uma redução das penas impostas?
Rogério Chimionato - Eu sou a favor da dosimetria porque nós… Eu volto a dar o exemplo emblemático da Débora do Batom. Foi dada a ela uma punição muito severa por um crime teoricamente muito leve.
Corrêa Jr. - Só para contextualizar, nesse caso eu até acompanhei. Eu acho que ela foi… O número pode estar errado, tá? Mas muitas pessoas, não estou dizendo que seja o seu caso, imaginam que ela foi condenada apenas por pichar a estátua. Não é isso. São sete acusações a ela imputadas. Várias outras, inclusive. Entre elas, o vandalismo. Mas há outras acusações. Por isso que ela pegou uma pena severa. Só para contextualizar.
Rogério Chimionato - Eu acho que a dosimetria cabe, mas, ao mesmo tempo, tem uma coisa interessante dessa situação toda, que é mostrar a capacidade que nós temos de endurecer as penas e julgar rápido.
Eu quero que isso seja feito com relação aos faccionados, ao PCC e ao Comando Vermelho. Nós já fizemos isso em relação ao 8 de janeiro, então já existe jurisprudência, teoricamente, do próprio STF para a gente fazer isso com o PCC, por exemplo, aqui em Franca.
Agora, se o STF vai deixar a gente fazer isso quando a gente quiser combater o PCC no estado de São Paulo ou o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, ou na Bahia, ou no Ceará, é outra história.
Mas ele mostrou que a gente pode julgar rápido e a gente pode adotar penas severas para crimes que não foram hediondos.
Corrêa Jr. - O senhor fez várias críticas ao Judiciário em relação ao Supremo. O senhor limitaria decisões monocráticas? O senhor reduziria ou fixaria um tempo para a permanência dos ministros no Supremo?
Rogério Chimionato - Sim. O Supremo, a gente costuma dizer que ele precisa voltar para a sua caixinha. Ele foi, ao longo do tempo, saindo da sua caixinha e assumindo poderes que, no nosso entendimento, no meu entendimento e do nosso partido, eles estão exagerados.
Nós pensamos, por exemplo, que o Supremo não deveria julgar casos concretos, casos reais. Essa ideia de você: “Ah, eu cometi um crime aqui em Franca, foi para a segunda instância, depois eu vou para o Supremo”, a gente acha que não deveria ser o Supremo.
Ele deveria julgar casos somente abstratos, que seriam relacionados à Constituição.
Outro ponto, o Supremo não deveria julgar deputados e senadores, porque você cria uma relação complicada ali, porque o Senado tem o poder de fazer impeachment de ministro do Supremo.
Mas se o senador tem rabo preso, alguns têm, né?
Corrêa Jr. - Você que está dizendo.
Rogério Chimionato - Sim, eu estou afirmando isso, né? Como é que um vai julgar o outro? Fica difícil.
Deveria ter uma outra corte. A gente tem um modelo para isso, talvez agora não dê tempo de explicar, mas nós já temos material publicado sobre isso, uma nova proposta para o Supremo, para equilibrar melhor os poderes.
Corrêa Jr. - As bets são um assunto muito discutido no Brasil hoje. Há várias pesquisas que apontam, como parte significativa do endividamento da população, o problema das bets. Na sua opinião, as bets são um problema, devem ser reguladas com mais severidade ou devem ser banidas?
Rogério Chimionato - Talvez banidas, mas, no mínimo, reguladas. Elas são um problema hoje no Brasil. Nesse momento, a gente precisaria dar um freio. Não quer dizer que isso vai ser para sempre, tá?
Corrêa Jr. - Candidato, vamos lá. Agora, pinga-fogo. Eu vou fazer para o senhor aqui algumas perguntas, para o senhor poder responder sim ou não, ou, no máximo, uma definição muito curta sobre elas, e depois o senhor tem um tempo para as suas considerações finais.
Anistia ampla 8 de janeiro, sim ou não?
Rogério Chimionato - Não.
Corrêa Jr. - Fim da escala 6 por 1?
Rogério Chimionato - Nesse momento, não.
Corrêa Jr. - Supersalários acima do teto constitucional?
Rogério Chimionato - Totalmente contra.
Corrêa Jr. - Legalização do aborto?
Rogério Chimionato - Não.
Corrêa Jr. - Nem nos casos já previstos em lei?
Rogério Chimionato - Nos casos, mantém a legislação como ela está.
Corrêa Jr. - Descriminalização do porte de drogas?
Rogério Chimionato - Nesse momento, não.
Corrêa Jr. - Retaliação comercial dos Estados Unidos pelo tarifaço?
Rogério Chimionato - Sim.
Corrêa Jr. - Redução da maioridade penal? O senhor já falou, sim. Regulação das big techs? Sim ou não?
Rogério Chimionato - Regulação não.
Corrêa Jr. - Reforma administrativa mudando a estabilidade do servidor público?
Rogério Chimionato - Sim.
Corrêa Jr. - Mandato fixo para ministro do Supremo Tribunal Federal?
Rogério Chimionato - Sim.
Corrêa Jr. - Reeleição para presidente?
Rogério Chimionato - Por enquanto, sim, mas pode ser avaliado.
Corrêa Jr. - E o Estado laico?
Rogério Chimionato - Eventualmente, para algumas coisas, ele pode ser revisto. Tem algumas iniciativas religiosas que hoje eu acho que fazem sentido. Por exemplo, na recuperação de usuários de crack.
Corrêa Jr. - Mas isso não tem a ver com o Estado laico. O senhor acha que o Estado tem que ter uma religião?
Rogério Chimionato - Não. Não deve ter uma religião.
Corrêa Jr. - Então o Estado é laico?
Rogério Chimionato - Nesse sentido, sim.
Corrêa Jr. - O senhor tem um minuto para suas considerações finais.
Rogério Chimionato - Eu agradeço a oportunidade. Eu quero que as pessoas me conheçam como Rogério Chimionato, do partido Missão. Nós somos o partido da lei e da ordem. Nós temos uma visão muito clara de segurança pública, de combate ao crime.
Especificamente aqui em Franca, a questão do morador de rua e dos usuários de crack é uma dor que o francano me comenta o tempo todo nas redes sociais e nas ruas, quando eu estou conversando com as pessoas.
Nós temos um objetivo claro de enfrentar essa situação. Eu quero que a cidade, as ruas e as praças sejam devolvidas para o cidadão que paga impostos.
Saibam que essa é a nossa luta, por mais difícil que ela seja, por mais que a gente tenha que acertar detalhes constitucionais e aprovações de outros deputados, senadores e sanção do presidente de ocasião.
Mas saibam que esse é o nosso norte. Pode demorar, mas nós vamos perseguir esse objetivo.
Corrêa Jr. - Candidato, muito obrigado pela sua participação. Boa sorte na campanha.
Rogério Chimionato - Muito obrigado.