Moradores do Jardim Piratininga, em Franca, relatam aumento da sensação de insegurança diante de roubos, furtos, invasões e ameaças recentes no bairro. O medo tem provocado mudanças na rotina e levado moradores a redobrar os cuidados ao sair de casa.
Entre as medidas adotadas, estão evitar sair com joias e celulares, mudar horários e locais de caminhada, observar as ruas antes de sair de casa e verificar câmeras de segurança para identificar movimentações suspeitas.
A preocupação com a segurança já havia sido registrada em junho, quando uma reportagem do GCN/Sampi apontou uma sequência de assaltos à mão armada no Jardim Piratininga. Em um dos casos, no mês seguinte, um morador foi abordado na rua Ozandir Hipólito da Silva, no dia 26 de julho, por um homem em uma motocicleta. O criminoso apontou uma arma e levou uma corrente da vítima.
Em 22 de julho, uma mulher de 28 anos foi alvo de uma tentativa de assalto em frente a uma academia, na avenida Hugo Betarello. A ação foi registrada por câmeras de segurança. Dois adolescentes abordaram a motorista, que conseguiu escapar ao dar marcha à ré. Os suspeitos foram, posteriormente, apreendidos pela Polícia Militar.
Em 10 de agosto, outro episódio chamou a atenção no Jardim Piratininga II. Um homem invadiu um prédio residencial e foi flagrado por uma moradora de um imóvel vizinho. Segundo a Polícia Militar, o suspeito teria arrombado a porta de um dos apartamentos. Após a moradora perceber a movimentação e acionar a polícia, ele fugiu, mas foi localizado e preso pouco depois.
Já em 28 de agosto, um homem de 63 anos foi abordado enquanto caminhava pela rua Jaime Martins Tristão. O suspeito, que estava em uma motocicleta, tentou arrancar uma corrente de ouro avaliada em cerca de R$ 30 mil, mas não conseguiu concluir o roubo. O caso é investigado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), que apura a possibilidade de o mesmo suspeito estar envolvido em outros crimes semelhantes na região Sul da cidade.
Segundo dados da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), Franca registrou queda de 26,61% nos roubos em geral entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Já o levantamento dos registros da região do 3º DP (Distrito Policial), onde fica o Jardim Piratininga, com base nos dados disponibilizados pela SSP-SP, aponta um cenário diferente. Foram 34 roubos nos primeiros sete meses de 2026, contra 31 no mesmo período de 2025, um aumento de quase 10%.
Nos furtos, a região apresentou queda. Foram 413 registros entre janeiro e julho deste ano, contra 431 em 2025, redução de 4,2%.
Somando roubos e furtos, foram 447 registros na região Leste em 2026, contra 462 no mesmo período de 2025, uma queda de 3,2%.
Para os moradores, porém, as ocorrências recentes já alteraram hábitos que antes faziam parte do cotidiano.
Uma moradora que vive no Jardim Piratininga há oito meses conta que evita sair com objetos de valor e verifica as câmeras de segurança antes de deixar casa, para observar se há pessoas ou motocicletas nas proximidades.
“Não saio com nada de valor, nem aliança, nem brincos e nem celular. Quando saio pra trabalhar sempre olho antes nas câmeras pra ver se tem alguém na rua ou se tem alguma moto nos arredores pra depois sair.”
Ela também mudou a forma como deixa a residência.
“Espero sempre do outro lado da rua, já com o carro engatado, fechar o portão e já saio rápido, sem enrolar, com medo de ser abordada. É desse jeito que vivo aqui, é terrível.”
Moradora do Jardim Piratininga desde 2009, outra entrevistada afirma que durante anos se sentiu segura para caminhar pelo bairro e realizar atividades cotidianas. Nos últimos meses, porém, passou a ouvir sobre ocorrências com características semelhantes, principalmente abordagens de pessoas em motocicletas que tentam levar correntes, pulseiras, anéis e outros objetos de ouro.
“Essa situação tem mudado bastante a nossa sensação de segurança. Mesmo contando com um serviço de vigilância presente e constante no bairro, hoje ficamos muito mais atentos ao sair de casa e ao caminhar pelas ruas, algo que antes fazíamos com bastante tranquilidade.”
Outra moradora também percebe mudanças no movimento do bairro. Ela afirma que familiares passaram a evitar o uso de joias e celulares, enquanto caminhadas e passeios com animais passaram a ser feitos com mais atenção.
“A gente vai passear com o cachorro sem celular, sempre com muita atenção e medo. Percebemos que caiu bastante o movimento de pessoas caminhando pelo bairro.”
Ela também passou a manter o portão totalmente trancado mesmo durante o dia e a sair rapidamente da academia enquanto ainda há movimento nas ruas.
Questionada pelo Portal GCN/Sampi, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o policiamento será intensificado na região, com reforço no patrulhamento preventivo, com o objetivo de ampliar a sensação de segurança e coibir crimes.