01 de setembro de 2026
MORTE

Adeus, Clara: jovem de 17 anos é morta em emboscada na RMVale

Por Leandro Vaz | Caraguatatuba
| Tempo de leitura: 4 min
Da redação
Reprodução
Clara Victória de Oliveira Palhares, 17 anos

Uma adolescente de 17 anos, identificada como Clara Victória de Oliveira Palhares, morreu após ser esfaqueada na noite desta segunda-feira (31), em Caraguatatuba, no Litoral Norte. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio qualificado por motivo fútil e emboscada.

Clara deu entrada na UPA Sul, no bairro Perequê-Mirim, por volta das 18h30, já sem vida. Segundo o boletim de ocorrência, ela apresentava uma lesão profunda no peito provocada por arma branca.

De acordo com o registro policial, um homem levou a adolescente até a unidade de saúde em um Chevrolet Prisma prata. Ele teria informado aos funcionários que encontrou a jovem ferida em via pública e decidiu socorrê-la. Em seguida, deixou o local sob a justificativa de que precisava devolver o veículo.

A equipe médica relatou aos policiais circunstâncias consideradas relevantes para a investigação. Apesar da profundidade e extensão do ferimento no peito, a roupa da adolescente aparentemente não apresentava perfuração compatível e havia poucos vestígios de sangue.

Clara também apresentava um dente fraturado e marcas no pescoço. Segundo o boletim, esses sinais levantaram a hipótese de que ela possa ter sido agredida e até estrangulada antes de morrer. As circunstâncias ainda dependem de confirmação por meio dos exames periciais.

Sangue e sinais de limpeza em residência

Após serem informados sobre a morte da adolescente, policiais militares voltaram a um endereço relacionado à ocorrência. O imóvel já havia sido vistoriado anteriormente, sem que fossem constatadas anormalidades naquele momento.

No segundo deslocamento, os policiais localizaram um Chevrolet Prisma prata estacionado em frente a uma residência. O veículo apresentava as mesmas características daquele utilizado para levar Clara até a UPA e, posteriormente, foi identificado como pertencente a Luiz Paulo, um dos investigados.

Segundo o boletim, havia marcas de sangue na calçada e forte cheiro de produtos de limpeza. Dentro da casa, os policiais encontraram outras manchas de sangue e sinais de que o imóvel havia sido revirado.

Também foram encontrados um travesseiro com sangue próximo ao muro, um tijolo aparentemente deslocado recentemente, o piso molhado e uma garrafa de água sanitária perto da porta. Para a polícia, os elementos levantaram a suspeita de uma possível tentativa de limpeza do local após o crime.

O celular de Clara, um iPhone, foi encontrado dentro da residência e apreendido para auxiliar nas investigações.

Dois investigados no caso

Durante as diligências, os policiais também foram até a residência vizinha, onde mora o pai de Luiz Paulo. Segundo o boletim, ele relatou ter ouvido uma discussão na casa do filho, mas afirmou desconhecer quem estava no imóvel e o motivo da briga.

O homem ainda teria informado que Luiz Paulo mantinha um relacionamento com uma mulher identificada como Gabriely, com quem tem um filho, e que também poderia manter algum tipo de relacionamento com Clara.

Luiz Paulo e Gabriely passaram a ser investigados pela polícia. Até a última atualização do boletim de ocorrência, não havia registro de prisão em flagrante.

Outro fato chamou a atenção dos investigadores. Ao tentarem entrar em contato com Gabriely, o telefone dela começou a tocar dentro da casa do pai de Luiz Paulo. O aparelho foi apreendido.

A Polícia Civil também teve acesso às imagens das câmeras de segurança da UPA que registraram o homem responsável por levar Clara até a unidade. As gravações deverão ser analisadas para confirmar sua identidade.

Faca é encontrada durante perícia

A Polícia Técnico-Científica realizou perícia na residência e localizou uma faca que pode ter sido utilizada no crime. O objeto foi apreendido para análise.

O Chevrolet Prisma também foi recolhido e deverá passar por exames periciais, incluindo a busca por impressões digitais e outros vestígios que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do homicídio.

Além do celular da vítima, outros aparelhos relacionados aos investigados e a uma pessoa ainda não identificada foram apreendidos.

A Polícia Civil requisitou exame necroscópico e também solicitou exame subungueal na adolescente, procedimento utilizado para identificar possíveis vestígios deixados sob as unhas durante eventual luta ou contato físico.

Possível motivação é apurada

O boletim registra ainda o relato de uma pessoa próxima a Clara sobre uma discussão recente envolvendo a adolescente e outra mulher.

Segundo esse relato, a mulher acreditava que Clara teria interesse em seu namorado. A adolescente, no entanto, teria enviado uma mensagem ao homem apenas para pedir a devolução de uma tesoura que pertencia a ela.

A informação foi repassada à polícia e é analisada como uma das linhas possíveis de investigação. Até o momento, porém, não há confirmação de que esse episódio tenha relação direta com o assassinato.

A Polícia Civil segue analisando os vestígios encontrados na residência, as imagens de câmeras de segurança, os celulares apreendidos e os resultados dos exames periciais para esclarecer a dinâmica, a motivação e a eventual participação dos investigados.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Caraguatatuba como homicídio qualificado por motivo fútil e emboscada.