26 de agosto de 2026
REDES SOCIAIS

'Estupro não é piada': vereadora critica vice-prefeito de Franca

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Post republicado nas redes da vereadora Marília Martins

Uma publicação do vice-prefeito de Franca, Everton de Paula (Republicanos), que faz referência a estupro em tom de piada provocou críticas da vereadora Marília Martins (Psol) nesta quarta-feira, 26. 

A repercussão ocorre na mesma semana em que coletivos realizam, dentro das ações do Agosto Lilás, um ato de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres, marcado para esta quinta-feira, 27, às 18h30, no Relógio do Sol, no Centro de Franca. A mobilização, no entanto, não foi convocada em razão da publicação e já fazia parte da programação de ações do movimento.

Na imagem compartilhada nas redes sociais pela vereadora, ela critica a publicação a Everton de Paula com a frase: “O tolo foi estuprado moralmente durante 11 anos e 8 meses pela mesma pessoa. E gostou. Agora, quer mais por 4 anos. E. de Paula”. O período citado na postagem do vice-prefeito equivale aos três mandatos do presidente Lula (PT), que disputa a reeleição.

A reportagem do Portal GCN/Sampi tentou contato com a assessoria do vice-prefeito, através da assessoria de imprensa da Prefeitura de Franca, mas não obteve sucesso.

Vereadora critica naturalização da violência

Segundo Marília, a publicação reforça uma cultura em que a violência sexual contra mulheres e meninas é naturalizada e transformada em recurso de humor.

“O problema dessa publicação não é apenas fazer uma piada com o estupro. É reforçar uma cultura em que a violência sexual contra mulheres e meninas é naturalizada e transformada em recurso humorístico”, afirmou.

A vereadora também citou outras situações em que, segundo ela, o estupro é utilizado como instrumento de humilhação, ameaça ou punição.

“Isso aparece de várias formas: quando se faz piada com estupro na prisão, quando se diz que um homem ‘vai virar mulherzinha’ como forma de punição, ou quando uma autoridade pública afirma a uma parlamentar que não a estupraria porque ela ‘não merecia’”, disse.

Para Marília, esse tipo de abordagem tem como alvo recorrente o corpo feminino. “Em todos esses casos, o estupro é utilizado como instrumento de humilhação, ameaça ou piada - e quase sempre tendo o corpo feminino como alvo”, afirmou.

‘Estupro não é piada’, diz vereadora

Marília defendeu o enfrentamento à naturalização da violência sexual e afirmou que o estupro não deve ser utilizado como recurso de humor ou argumento político.

“Precisamos romper com essa naturalização. Estupro não é piada, não é castigo e não é argumento político. É uma violência brutal que atinge mulheres e meninas e deixa marcas profundas”, declarou.

A vereadora também afirmou que ocupantes de cargos públicos devem assumir responsabilidade diante do tema.

“De quem ocupa um cargo público, especialmente a vice-prefeitura, espera-se responsabilidade e compromisso com uma sociedade que enfrente a violência, e não que ajude a banalizá-la”, disse.

Ato está marcado para quinta-feira

A publicação aconteceu justamente durante a campanha do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Coletivos de Franca convocaram um ato com o lema “Ato por Mulheres Vivas”. A manifestação será realizada nesta quinta-feira, 27, às 18h30, no Relógio do Sol, no Centro de Franca.

Na convocação, os organizadores afirmam que a mobilização ocorre diante da preocupação com a violência contra mulheres e meninas na cidade.

O movimento defende políticas públicas de proteção e acolhimento, além de emprego, independência financeira e rede de apoio para mulheres em situação de violência.

“Nenhuma a menos. Nenhuma em silêncio. Nenhuma sozinha”, diz a convocação.